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o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

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A Mesa de Cabeceira de Um Virginiano

11.11.18 | Paulo Jerónimo

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Pensei em limpar-lhe o pó, e observo com particular atenção a minha mesa de cabeceira. Carago, que é mesmo de um virginiano. Picuinhas, perfeccionista, metódico, resumindo, um complicado. Porque saber gerir isto é complicado. Irrita-nos mesmo quando damos connosco inatamente a alinhar os lápis ou canetas na secretaria, ou a ferramenta na bancada, numa sequência que para o virginiano tem de ter lógica, seja por ordem crescente ou decrescente, por cores das mais frias (azuis) para as mais quentes (violetas) ou outra qualquer. Chega a ser desgastante, e querer simplificar, aprender "A Arte Subtil de Dizer Que Se Foda" - o tema do próximo livro que deve de ir para esse monte, segundo promessa de oferta feita por quem bem me conhece - saber simplificar é uma arte que não dominamos. Portanto, os livros, e a mesa de cabeceira que se resumem a eles, não um, mas vários, porque um bom virginiano gosta então e por natureza de complicar o que é simples. Podem passar dias sem ser abertos, ou noites seguidas agarrado a um, ou ainda num vaivém de insatisfação, indeciso entre os vários. Então vamos aos do momento:

 

Porque Nós - James Le Fanu. Adquirir um livro é um pouco como adotar um animal: não somos nós que os escolhemos a eles, são eles que nos escolhem a nós. Depois de mais uma longa tarde de espera no Hospital de Santo André, onde aguardavamos notícia de ordem de internamento ou alta para a minha sogra que se encontrava em estado avançado e violento de expansão de um linfoma, e o que mais se temia era que o mesmo atingisse o cérebro, o que se veio mais tarde a confirmar e à colocar em estado terminal, peguei no meu sogro e mulher para irmos lanchar ao Shoping, e no meu caso, comprar um livro para ajudar a passar os longos tempos de espera. Saiu-me esse na prateleira, precisamente um sobre dois dos mais importantes estudos científicos dos últimos 20 anos sobre o cérebro humano e que, citando-o "nos explica o porquê do nosso lugar no universo".

 

A Causa das Coisas - Miguel Esteves Cardoso. Este conheci-o pela mão, ou melhor, pela voz, de Ana Narciso, aquando da transmissão do Programa "Três Marias", na Rádio Dom Fuas, um programa que comecei por desafiar a própria a me ajudar a construir, e que se queria com três mulheres à conversa numa abordagem dos temas que quisessem, do ponto de vista feminino. Fez sucesso, o programa, e um dia a Ana apresentou ali aquele livro como sugestão de leitura de férias de verão. Fiquei absorto no tema e em boas gargalhadas que o Miguel nos proporciona neste livro, no seu divertido sarcasmo habitual, como só ele sabe fazer, sendo o exemplar uma compilação das crónicas que o mesmo escrevia num semanário português por volta dos anos 80 sobre o quotidiano saloio portuga.

 

O Primo Basílio - Eça de Queirós. Só porque sim. Porque se cruzou comigo um dia, e pensei que este tinha do ter/ler. Porque se um livro fosse uma canção, então este seria um daqueles que faria parte do cancioneiro português. Mas não está fácil. Depois de ler Os Maias, este agora sabe a tipo comer sardinha, depois de me ter habituado a camarão. Tal e qual o seguinte:

 

Memorial do Convento - José Saramago. Para quem conheceu o Nobel da literatura pelo seu escrito Ensaio Sobre a Cegueira, que é simplesmente fe-no-me-nal, para quem se fartou de rir com Caim, para quem tenta com A Caverna, depois de duas desistências no Memorial, evoluir com apreço na maturidade literária necessária para se ler o escrito mais reconhecido de Saramago , insisto pela terceira vez em por este livro na mesa de cabeceira para o levar até o fim, só porque o amigo Nuno PortoMaravilha diz que é a maior e melhor obra do escritor, e quiçá da literatura portuguesa. Quero formar a minha própria opinião, e assim continuo nele, aos poucos, a insistir.

 

Quem Nunca Morreu de Amor - Eduardo Sá. Foi ela que mo ofereceu, porque sabemos que o nosso amor nunca morreu.