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COSMéTICAS.net

o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

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o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

Sim Sr. Engenheiro! Dá licença Sr. Doutor?

02.03.11 | Paulo Jerónimo

 

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Nos protestos recentes em França, contra o aumento da reforma, foi marcante ver uma imensa multidão sobretudo de juventude, a defender os interesses imediatos, não deles, mas dos mais "velhotes" (a quem se quer obrigar a adiar a idade de reforma).

Qualquer comparação ou inspiração com os protestos no mundo Árabe, soariam no mínimo à ridiculo, onde jovens lutam por paises democráticos (Liberdade, igualdade, Fraternidade, lembram-se?) pelo futuro do seu povo e do país, de um bem comum. 

Em Portugal, daqui à algumas semanas, tentam suduzir pares em condição precária de trabalho a reunir e protestar, mas com cuidado para não ferir subsceptibilidades (políticas, leiam-se).

E de repente lembro-me: "eh lá, espera aí, que tu não és licenciado! Este protesto não é para ti. Como o dos profesores, os da Função Pública, os dos Polícias, não são, ou foram, para tí."

A questão subjacente à este post, foi basicamente colocada algures no último debate televisivo "Prós e Contras" , cujos promotores do protesto marcado para Lisboa e Porto em simultâneo, no próximo dia 12 de Março, recusaram o convite  de se fazerem representar e assim exporem melhor os motivos que os movem.

Às duas por três um interveniente no debate afirma, e cito de cor, tentando transcrever em síntese a ideia expressa: "Os Jovens portugueses têm muitas habilitações mas poucas qualificações". Outro: "Qualquer dia o "homem do talho, ou o "trolha" serão pagos a preço de ouro" (por escasses de qualificados nestes sectores  detentores de mau estigma e sujeitos a um preconceito crasso.

E eu desde o primeiro dia que tomei conhecimento do protesto que me pergunto o que se pretende: se defender o direito das qualificações, como citado no manifesto, ou se o que está em causa é o direito ao reconhecimento das habilitações (licenciaturas e afins).

Já havia torcido o nariz quando o site oficial do manifesto "Geração à Rasca" me recusou a publicação do seguinte comentário que a seguir se transcreve. Mal ou bem, vou ficando com a impressão que até os aspirantes a "protestantes" do amanhã (Os mais "habilitados"), percebem desde cedo que isto de sair à rua e fazer barulho é coisa de elites, já não é para operários.

E digo mal ou bem, porque eles (organizadores) fazem questão de não esclarecer ou permitirem-se a ser confrontados com o questionamento às suas reais motivações ou frustrações.

Participar ou nao participar desta manifestação? Eis a indecisão.

Que me revejo na Geração à Rasca, Quinhentista, dos Recibos Verdes, etc e tal? Revejo. Sei bem o que isso é!

Mas nunca fui de alinhar em rebanhadas.

Pior, pois depois de, à partida, começar por engraçar com o protesto em causa, com os dias que passam cada vez mais me convenço que em causa esta um lutar pela permanencia de um Portugal dos Pequeninos, o do beija-mao e do "Sim Sr. Doutor Engenheiro" !

Fica o meu comentário citado cujo site "Geração à Rasca" entendeu em censurar (não Publicar) no site.

 

MrCosmos à 14/02/2011 :

" Boa iniciativa, e bom sucesso!
Revejo-me, até porque de resto tenho tido oportunidade de dissertar em concreto no tema (Geração Rasca) de há alguns anos à esta parte, e a propósito do tema dos Deolinda, ainda à dias colocava-me a questão da evolução geracional de rasca para parva aqui .
Seria outro debate, mas têm um ponto na vossa “lista de reivindicações” que me suscita algumas reticências: “Direito ao reconhecimento das qualificações…”.
Direito ao reconhecimento, ou direito ao Privilégio? Apenas pergunto.
Desculpem o off topic, mas já não vivemos no tempo em que um canudo representava segurança e status. E quanto a mim é esta mentalidade que persiste indelevelmente e tem de ser repensada em Portugal e entre os Portugueses.
Que jovens e que qualificações é que Portugal precisa?
Um engenheiro, pode dar mais ao pais do que um carpinteiro?
Até que ponto merecem distinção na forma, reconhecimento, tratamento ,enfim permitam-me: privilégios (que deixaram de existir num mercado inundado de licenciados sem necessidade e aplicação objectiva)?

Dia 12 vai-se reivindicar o quê, ou para quem?

Este tipo de manifestações e reivindicações estão demasiado coladas aos licenciados (já assim foi com a Geração Rasca), quanto a mim, e perdem o apoio dos jovens profissionais, técnicos qualificados, que sempre andaram “neste barco” o barco da precariedade, onde agora os mais qualificados também se encontram, por saturação do mercado.
É-se parvo por admitir a condição de “escravo” a quem andou a estudar? Ou a parvoíce é pura e simplesmente persistir a condição de “escravidão” no séc. XXI ?
É hora de unir, não de dividir e sei que é isso que se pretende.
Força!

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