Com o verão reaparecem sempre as velhas máquinas de filmar ou chega-se a conclusão que está na altura de as trocar. Parece-me por isso oportuno disponibilizar este texto que pode ajudar a melhor compreender o aparelho, e os seus suportes, que estão sempre a mudar.

Ou até pode ser que quem se depare com este post seja um profissional que partilha destas várias complicações. Em resumo...

 

A constituição da Câmara de Filmar passa fundamentalmente pela lente; o microfone; o corpo da máquina; deck de gravação; e fonte de alimentação.

Debrucemos-nos sobre os mesmos.

A lente (ou objetiva) é o utensílio destinado a captação de luz que permitirá detalhar o enquadramento, forma e nitidez dos objetos, através da manipulação do diafragma (ou iris), zoom e foco.

O microfone, componente simples de compreender, serve para captação de áudio ambiente ou direcional, a ser enviado para o circuito de processamento de áudio no corpo da máquina.

O corpo da máquina ocupará o maior espaço da câmara de filmar. Aqui incorporam-se : os CCD (charge-coupled device) componentes eletrónicos destinados ao escrutínio da luminância e crominância transportada pela luz recolhida pela lente - tecnologia com largas décadas de aplicação que rivaliza atualmente com a geração de CMOS assente em circuitos integrados. Incluem-se ainda no corpo da máquina: microprocessadores; microcontroladores; memórias RAM - onde se aparecem elementos de lógica digital para processar os mesmos dados; e placas ou componentes eletrónicos vários, destinados ao processamento de luz, som, imagem, registo/gravação, e gestão da alimentação/energia e ao deck de gravação.

Este último, o deck de gravação, tem sido desde há várias décadas e até há bem pouco tempo um departamento do corpo da máquina todo mecânico e complexo, propenso a um desgaste acelerado, onde se insere a cassete para o registo magnético dos dados de som e vídeo, processados anteriormente pelos sistemas eletrónicos de registo da imagem e do som. Esta tecnologia tem vindo a perder mercado, quer no amador, bem como estando atualmente em fase de transição no mercado profissional. As longíquas cassetes vêm-se serem substituidas por suportes de dados em memórias flash, mais simplificados (sem mecânica) - vulgo cartões de memória.

Por fim temos a fonte de alimentação, comumente aplicada a uma bateria portátil, mas também passível de ser suportada por ligação direta via cabo à rede elétrica.

 

O mercado comercial e industrial aliado à tecnologia em constante evolução e mutação tornam a última geração de equipamentos lançada hoje como obsoleta amanhã. Isto representa uma enorme dor de cabeça, quer se trate de um ávido entusiasta amador ou, sobretudo, para os profissionais.

As problemáticas relacionadas com a evolução tecnológica e as suas influências sempre representaram um problema acrescido para qualquer um que precise de manter uma rotina atualizada sem perder acesso a consulta de dados por métodos mais antigos.

No meu caso vou usar a titulo de exemplo a minha própria experiencia que se reporta a três gerações tecnológicas diferentes de câmaras de filmar que acompanharam o meu percurso profissional, entre a era de equipamentos analógicos; substituída entretanto pela geração digital standard (SD); esta que por sua vez, nos tempos correntes, também começa a ser considerada já obsoleta (digital SD) sendo que nos encontramos na era do despoletar definitivo da alta definição onde vingam os equipamentos de captação em Full HD.

 

  • Na imagem: 3 gerações de câmaras nos últimos 20 anos.

 

Financeiramente estas questões de mutações constantes entre formatos, codecs, resoluções, tipo de suportes de arquivos, etc, não é uma questão fácil de gerir, pelo que não se compadecem com estas problemáticas a falta de perceção, timing ou perspicácia quanto ao momento exato para agir, sendo que na maior parte das vezes, decisões mal ponderadas ou mal atempadas, ações o inações diversas podem ditar fortes revezes, sobretudo num negócio.

 

Para exemplificar alguma da complexidade do que se aqui se apresenta, e quanto a (r)evolução constante mencionada, recordo-me de uma opinião que partilhava num fórum da especialidade na internet, e que pode mostrar-se mais exemplificadora ainda da complexidade do que se tem estado a abordar.

Numa altura, ainda relativamente recente, e que era de enormes incertezas para muitos sobre migrar ou não migrar do formato de captação e arquivo mais antigo, assente nas vulgares cassetes em fita magnética, sobejamente testado e que oferece determinadas garantias, impondo no entanto já várias limitações para as potencialidades e soluções da era de alta qualidade de imagem em Full HD em que nos encontramos, em contraponto com os atuais equipamentos e suportes mais compatíveis para estas novas filosofias de trabalho disponíveis em equipamentos de captação, ou nos suportes de arquivo, assentes na mídia digital (discos rígidos, cartões de memória Flash, discos óticos, etc) , considerados mais frágeis e suscetíveis de perdas ou danos.

 

Um colega lançava portanto para a discussão o tema: “Fita, ainda faz sentido?” - ao que tentei contribuir com a minha opinião baseada na minha experiência e conhecimentos, quer técnicos, como dos factos:

 

“Continuo preso às cassetes porque continuo a ter câmaras ao uso que as utilizam. Não fosse isso, e já teria deixado de recorrer a elas (cassetes). Mas não pretendo adquirir mais nenhuma câmara com mecânicas/cassetes. Portanto, sigam as memórias flash!

Tenho vindo a migrar a minha "filosofia" de trabalho para suportes/arquivos em HDD desde há cerca de dois anos. Até aí o meu arquivo era feito exclusivamente, desde o ano 2002, em suporte ótico, DVD-r. Tendo em conta os preços para os quais caíram, armazenamento em HDD parece-me um método bastante acessível. Com custos equivalentes ao armazenamento em DVD-r.

As cassetes (da era digital) sempre as regravei, largas dezenas de vezes cada uma, mas aqui trata-se de suporte DVC-Pro [marca proprietária da Panasonic, material mais robusto]. As DV ou DVCam [marca proprietária da Sony e menos fiável para uma regravação constante] nunca me atrevi a "apertar" tanto com elas, nem pouco mais ou menos. Seria outro debate...

Isto para dizer que, no fundo, o tipo de utilização que sempre dei as cassetes foi numa filosofia de reutilização que agora as memorias flash vêm colmatar, ou devidamente sustentar/garantir. Passando em concreto ao debate que o lançado, eis as vantagens e desvantagens que encontro em gravação/armazenamento:

 

Em HDD ou Cartões, disponibilidade dos dados de forma muito mais versátil, volátil e rápida. Espaço Físico que ocupam reduzido. Isto é o que me ocorre logo à cabeça. No entanto considero os dados nestes suportes mais vulneráveis à perda, quer por acidentes/avaria dos suportes, que acontece, se calhar com mais frequência do que alguns desejariam, mas tenho poucas dúvidas que tais perdas de dados estarão mais ligadas ao facilitismo/menosprezo do utilizador e falta de métodos/políticas de segurança bem interiorizadas, mais propriamente do que por falta de fiabilidade nos suportes. Claro: não subestimar a qualidade do fabrico dos ditos cujos.

Trabalhar com dados nestes suportes exige uma disciplina acrescida na sua gestão, comparativamente com as cassetes. Parece-me um facto.

 

Em Cassete o armazenamento fica mais facilitado, e quanto a mim sujeito a bem menos riscos. Para apagar os dados não basta um simples "delete" de teclado acidental durante o manuseamento. Regra geral será necessário percorrer ("regravar") o espaço de fita em causa. Ainda que se prima o REC por lapso numa fita que supostamente não se deveria, a quantidade de dados perdidos dependerá do tempo que permanecermos na ignorância da importância de tal cassete. E a probabilidade de tal suceder, comparativamente com o manuseamento de um Disco HDD, parece-me drasticamente menor.

E acho que reside aqui a principal, senão única, vantagem da cassete. É um suporte mais individualizado devido a baixa capacidade de armazenamento, é um suporte "palpável": está ali na prateleira. Agora, será um tipo de armazenamento prático? E Se for preciso reconstituir ou fazer alterações num projeto (software) mais antigo que já saiu da estação de trabalho? É possível, mas estou em crer que poucos têm os cuidados específicos necessários de backup para tal. E nesse caso há um "pormaior" relevante: a necessidade de equipamento disponível passados alguns meses/anos para a leitura dos dados, e o seu consequente desgaste.

 

Deixando o campo de armazenamento, passando para a questão primária da gravação, é aqui também, no desgaste e avarias das mecânicas dos equipamentos destinados a leitura/gravação de cassetes, que reside a maior desvantagem deste tipo de suporte se o compararmos com gravação em flash (cartões). É neste "pormaior" do desgaste/avaria (ou interferências temporárias: lixo, gorduras, humidades, etc) da mecânica dos equipamentos de cassete que reside boa parte dos erros de gravação/leitura associados a estes suportes, os típicos e mal fadados DROP's de fita, por exemplo. Para não falar na quantidade de vezes que uma cassete gravada num determinado equipamento, deixa de ser devidamente sobretudo quando reproduzidos em equipamento terceiro, devido a desalinhamentos típicos das mecânicas com o uso.

A Panasonic neste capítulo foi pragmática: salvo erro meu, este fabricante já não tem no mercado equipamentos novos com mecânicas/cassete. Pelo menos anunciou essa pretensão/decisão há pelo menos 2/3 anos. Quanto a mim foi uma boa decisão, pois ver-me livre de mecânicas representa ver-me livre de algumas boas chatices traduzidas em custos financeiros.

 

Se a fita ainda faz sentido? Ainda faz. Cada vez menos, mas faz. Acho que é uma questão de tempo para que na prática se venha a tornar um género de suporte popularmente obsoleto. Tempo esse que não me parece muito longínquo."

 

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

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A evolução da TV, enquanto tecnologia, aliada aos meus próprios gostos e interesses pessoais, acabaram por influenciar a minha própria evolução enquanto profissional. Hoje tenho melhor noção disso.

Acompanhei quando criança, e conheci de certo modo por dentro, ao ver televisores abertos na bancada de trabalho do meu pai, o que foi a “era mais arcaica” da tecnologia a válvulas e imagens a preto e branco. Assisti e conheci a transição para a tecnologia dos aparelhos assente em transístores e integrados e o “boom” da TV a cores. Conheci tecnicamente a tecnologia envolvida nas emissões dos sinais via analógica, e ultimamente ando embrenhado na transição para a emissão digital terrestre (TDT). Por outro lado, e de certo modo na última década, estive ligado a aprendizagem e desenvolvimento da “linguagem, comunicação e estética” numa “filosofia” que tem que ver com a produção dos seus próprios conteúdos, trabalhando no sector dos audiovisuais.

Tais experiências ao longo dos anos têm-me aberto horizontes, gerado questões e opiniões, que por vezes se transformam em convicções, acabando eu próprio, não raras vezes, a avaliar esta nossa “caixa mágica” que é a televisão de forma algo crítica quanto baste.

 

A televisão entrou na casa das pessoas, “sem precisar de bater à porta”, sobretudo a partir da década de 80. Pode-se de facto considerar que de todos os equipamentos técnicos domésticos que nos permitem ter acesso a bens culturais, o que mais se destaca é sem dúvida a televisão. Não importa a que estrato social cada família pertença, pois que “toda a gente” possui um televisor.

É difícil imaginar um mercado mais competitivo do que o televisivo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ou em vários países da Europa, os telespectadores tem dezenas de canais de televisão à sua mercê entre os quais poderão optar a qual assistir. Todos os anos fortunas incalculáveis são gastas para produzir programas de televisão, com o intuito de conquistar grandes audiências. No entanto, a cada ano, uma grande parte das produções fracassa. Isto apesar de o diagnóstico estar mais que feito e de qualquer produtora de TV saber que o sucesso depende do saber definir e conquistar o seu público-alvo.

Público-alvo é o termo utilizado para indicar o segmento específico de uma audiência potencial de público que determinada emissão televisiva pretende atingir. A maioria dos anunciantes, que basicamente são quem sustenta a indústria televisiva por meio da publicidade, tem preferências demográficas. Por exemplo, se uma marca pretende publicitar calças jeans, o seu público-alvo será composto de adolescentes e jovens. Neste caso o anunciante dificilmente estará interessado em patrocinar programas de cariz político ou informativos, que atrairiam plateias mais velhas.

Um outro conceito que tem que ver com o sucesso e bom retorno do investimento televisivo passa pelo aproveitamento do horário nobre. Horário nobre refere-se a períodos de programação exibidos durante as noites ou no horário de almoço, quando a audiência é maior. A maior parte da faturação das emissoras de TV provem destas faixas horárias e representa cerca de 80% do lucro total anual das cadeias televisivas no Brasil, por exemplo. Em Portugal o horário nobre é compreendido entre as 20h e 23h. É portanto neste horário que a publicidade se torna mais cara.

Depois há as técnicas, basicamente estereotipadas, para se chamar e prender a atenção do telespectador com o objetivo de que a mensagem passe, pois disto depende o sucesso das emissões. Continuando a usar como exemplo o meio publicitário, discriminam-se algumas técnicas ou truques utilizados, o que não invalida que várias delas acabem aplicadas em outros estilos de produções, sobretudos os que se pretendem mais mediáticos.

 

  • Imagens sedutoras. Alguns anúncios vendem mais estilos de vida do que produtos. Senão, como informar objetivamente o odor de um perfume televisivamente?
  • Músicas sugestivas. O som é uma das peças chave para atrair o espectador para a cascata de imagens e sonhos que em poucos segundos são apresentadas para o convencer da qualidade do produto anunciado.
  • Bombardeamento audiovisual. Quantos planos de imagens aparecem em media nos anúncios? O ritmo é muito mais rápido que o de outros géneros televisivos.
  • Comparação radical. Apresentam-se dois produtos, do publicitado só se destaca o positivo, do opositor não se assinala o bom e contrapõe-se de forma radical (bom/mau).
  • Impulsividade. Incita-se à compra imediata, sem refletir sobre o valor objetivo do produto anunciado.
  • Reiteração. Repete-se até à exaustão um anúncio publicitário, para fazer o telespectador interiorizar a «qualidade» do produto.
  • Inovação. Vende-se como novo algo que já o foi uma infinidade de vezes. A novidade continua a ser um valor que atrai, capta e vende socialmente.
  • Slogans e sons. Frases simples, facilmente memoráveis e familiares, conseguem que os telespectadores recordem a marca durante todo o dia; também quando vão às compras.

 

Dados apontam que uma pessoa passa em média três horas por dia a assistir televisão. O sector audiovisual na União Europeia representa mais de um milhão de postos de trabalho. É um sector que move grandes interesses comerciais conforme explanado, mas que também deve colocar questões de diversidade cultural, de serviço público e de responsabilidade social. É portanto nesta vertente que se pode considerar que surgem confrontos entre valores e interesses, onde sinceramente os pratos da balança sofrem um forte desequilíbrio acabando a televisão, pelo seu poder junto das sociedades, por influir na sua decadência.

 

Resuma-se portanto a este propósito naquela que considero (inclusive pela própria experiência profissional) como uma das mais poderosas armas esgrimidas pela  linguagem audiovisual, está que infelizmente, no sector televisivo, é basicamente mercenária, e que se encontra fora da perceção obvia ou consciente dos telespectadores mas que ganha consistência com o tempo, acabando por entram na esfera do consciente e por influenciar o modo de pensar e de agir. Refiro-me a filosofia e ao “poder” das «mensagens subliminares», neste campo sempre presentes. Com os seus conteúdos a televisão tende a nivelar as mentes dos que assistem às transmissões e será ingénuo desperceber que quem dirige os canais televisivos tem prioritariamente objetivos comerciais. Como tal, considere-se que  “o poder da antena” manifesta-se em grande medida no dar azo à capacidade de formar mentalidades, manipular consciências, do proveito da persuasão e o desbarato da argumentação. Vide casos mediáticos como os de “Maddie Mccan”; “Esmeralda”; “Escutas Telefónicas”; etc.

Conforme a legislação europeia e já aqui referido, ao sector industrial da área da televisão são delegadas responsabilidades de diversidade cultural, de serviço público ou responsabilidade social, exigindo-se sobretudo dos canais dos Estados que deem o exemplo, mas tal responsabilidade - desenganemo-nos -  não se espere que venha a ser assumida pela televisão.

Educar significa contribuir para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa por meio de boas relações com a realidade em que tal pessoa vai vivendo. Assim a educação não pode ser concebida como qualquer coisa estática, à margem da experiência concreta do educando.

Relacionado com o fenómeno de comunicação para “massas” sem grande investimento literário, encontrou-se na década de 90 a designação de uma nova realidade ainda não catalogada por sociólogos ou classificada em dicionários. Trata-se da expressão "Pimba" que passa a aplicar-se a tudo o que tem que ver com a invasão dos circuitos de comunicação e entretenimento de massas (televisão, rádio, edições fonográficas, cinema, imprensa, etc.) pelo gosto popularucho, suburbano e banal (por vezes ordinário) de uma grande maioria da população que se mantém semianalfabeta, pouco exigente e dada à boçalidade e ao riso prosaico. Uma breve consulta pelas grelhas de programação das televisões generalistas é, quanto a isto, esclarecedora.

 

A reflexão e a experiência ao longo dos tempos tem-se tornado esclarecedora. Entre amigos ou conhecidos, em fugazes comentários ou pequenas tertúlias, sabe quem me conhece que facilmente será por esta ordem de ideias, mais ou menos balizadas, que cairá o meu argumento quando se comentam casos mediáticos na ordem do dia ou as trivialidades dos efémeros programas de entretenimento em voga pela “Antena Emissora Portuguesa”.

Verificar tal proselitismo de ideias e ideais impingidos entre o comum dos cidadãos são coisas que me aborrecem sobremaneira. 

Quando em 1939 a RCA Corporation apresentou o primeiro protótipo de um televisor, estava-se longe de imaginar a influência que tal aparelho viria a exercer sobre a vida das pessoas. Hoje pode-se compreender que a evolução da televisão generalista nas últimas décadas tem amiúde demonstrado que, premir o botão que a desliga, pode não raras vezes, ser uma das ações mais ajustada!

 

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

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O mundo evoluiu, e evoluiu a vários níveis, mas uma das vertentes dessa evolução e que interfere com tudo o resto, a que se pode considerar mais marcante e preponderante no quotidiano dos cidadãos desta pequena “Aldeia Global” em que o planeta se tornou, tem que ver com os da evolução tecnológica. 

Os modos de interação do próprio homem enquanto indivíduo têm sido inatamente, e por culpa dela, modificados no último século, e isso é por demais evidente, sendo observavel desde logo nas camadas mais jovens, as crianças.

 

Os jogos fazem parte da história da evolução humana, constituindo uma parte fundamental na sua cultura. Segundo Huizinga (1971), o jogo é primitivo, anterior à cultura, e é parte da vida individual e da sociedade. Portanto, é um processo inerente à mesma, e não o resultado de uma expressão cultural. Para este autor, o jogo é essencial para a humanidade, parte integrante da vida, e tem uma função vital para a sociedade e cultura. Partindo desta premissa, proponha-se:

 

Uma breve reflexão sobre os jogos: modo vs género«

 

Se observarmos, na vertente das brincadeiras e passatempos da mocidade, e não obstante existirem fáceis conclusões consensualizadas de que “no meu tempo é que era bom” – até porque provavelmente não será fácil pôr algum sentimento de saudosismo e nostalgia de parte nestas alturas de comparação - observe-se no entanto que a tradição de muitos dos jogos antigos se mantiveram intactos até os nossos dias, continuando o mesmo género de brincadeiras a predominar sobretudo nos pátios e recreios escolares durante a primeira infância, tendo passando de geração em geração, o que só nos pode parece salutar. Não será difícil, a um bom observador, continuar a encontrar a prática dos jogos tidos por tradicionais, em tais recintos.

 

A grande diferença e evolução que se verifica, encontramo-las mais no modo do que propriamente no género de brincadeiras que se praticam, sobretudo na entrada da pré-adolescência,  tendo em conta que, como em tudo o resto, também a recreação das crianças e adolescentes sofreu o respetivo progresso relacionado com a “evolução dos tempos”. De resto, tal não será característica exclusiva dos mais novos. Se não, que dizer da evolução sofrida na recreação e passatempos entre a população mais adulta, por exemplo? Quem vai hoje em dia ao cinema, ao teatro, “à bola” – assistir à partida de futebol do clube da terra?

Parece plausível que tal evolução dos tempos está presente no quotidiano de qualquer faixa etária, não será um exclusivo dos modos de recreação dos mais novos como por vezes  a critica dos mais velhos tende a fazer parecer.

 

O problema é que as atividades em estilo de recreio em grupo  são cada vez mais escassas e substituídas por atividades individualistas. As brincadeiras e recreação deixaram de ser praticadas ao ar livre para serem cada vez mais praticadas em recintos fechados. Primeiro, talvez por “culpa” da televisão, que nos empurrava paulatinamente para dentro de casa, mas ainda assim, assistia-se a estes eventos televisivos em conjunto, fosse mais familiar ou entre amigos, até porque a oferta não era muita ou diversificada. Depois, e com a expansão da internet, o aparecimento de chats de conversação, mensagens instantâneas, e mais tarde, das redes sociais online, foi crescente  a grande abertura para o isolamento cada vez maior que tal proporcionou.

 

Mas a evolução tecnológica não será certamente “culpa solteira” neste fenómeno. O aumento de criminalidade crescente e consequente falta de segurança cada vez maior entre as sociedades em meios mais ou menos urbanos, também é um fator relevante e “castrador” na quebra do “à vontade” com que antigamente se permitia o vaguear pelas ruas, inocente e descansadamente.

Portanto, não diria, de todo, e ao contrário do que parece ser uma ideia um pouco generalizada, que o género (tecnológico) dos novos jogos e passatempos da atualidade tenham vindo a prejudicar o desenvolvimento, da juventude em formação. Antes, questionável parece ser o que o modo (individualista e descontrolado) dos mesmos, em grande escala, podem vir a desempenhar. No entanto, estes tratam-se de apenas mais uma das vertentes contributivas para o isolamento do individuo, que acompanhou toda uma era tecnologicamente evolutiva, e tendo em conta que o “jogar” é um fenómeno e uma carência intrínseca na humanidade.

 

Jogos Eletrónicos: da revolução à popularização«

 

Entre as características mais significativas dos jogos está o "fazer de conta". Presente em todos os jogos eletrónicos, ele auxiliou a revolucionar o mundo do jogo, transformando-o em um ambiente totalmente interativo. Apesar dos limites tecnológicos (sempre presentes), o "fazer de conta" digital permite que o jogador interaja com o mundo virtual (em ambiente gráfico). Isso tornou-se um auxílio para a imaginação, e contribuiu para o crescimento do interesse pelo jogo eletrónico, já que este ilustra o mundo do jogo de uma forma totalmente interativa. Neste sentido, os jogos eletrónicos inovaram o "fazer de conta".  Ou talvez não….

As opiniões são sempre discutíveis, e não será difícil questionar este último raciocínio se quisermos levar em conta o exemplo da televisão em detrimento da leitura, que tende a desencorajar o estímulo da imaginação do espectador, por culpa da exposição direta de uma mensagem que dispensa a respetiva transformação imaginária em imagens, pois está tudo lá, na tela. Será tal paradoxo aplicável ao caso dos jogos eletrónicos e seus cenários virtuais?

 

 

 

 

É com a introdução do Game Boy da Nintendo que se dá a revolução e popularização dos jogos eletrónicos entre os pupilos dos finais anos oitenta, em detrimento dos jogos de cariz mais tradicionais e artesanais.

Consequentemente, mais do que saber e comparar o tipo de quadro, tamanho de roda ou caixa pedaleira da bicicleta, ou o tipo de boneca  X, Y ou Z, a terminologia e características eletrónicas dos brinquedos passariam a fazer parte do vocabulário da juventude: eis que iniciava a era dos bits e dos bytes.

A evolução foi de facto tremenda, e a tecnologia, tema que, pessoalmente nunca me  foi indiferente (pelo contrário) passaria a fazer parte das temáticas da juventude.

Se recordar o prazer proporcionado pelo 1.º Game Boy de ecrã a preto e branco com  processador que corria à velocidade relógio de 4,19 Mhz - com o mesmo sorriso nos lábios de outrora - é uma boa memória, já pensar nos inacessíveis para a maioria das posses económicas da famílias portuguesas, dos microcomputadores para jogos, hoje arcaicos, os Sinclair ZX Spectrum lançados no inicio da década de 80, baseados num processador Zilog Z80-A a 3,50 MHz com 16 Kbytes de memória RAM, e que estava disponível em duas versões: uma com 16 Kbytes de RAM e outra com 48 Kbytes, pode significar o reviver de algum amargo de boca para muitos...

Este último modelo seria durante anos apenas um sonho para a maioria dos adolescentes dos anos 80.

 

Daí a importância preponderante que o Game Boy viria a representar para a geração no final dessa década, pois apesar de já ser uma realidade a introdução dos jogos eletrónicos desde o início da década, seria com este modelo de bolso, e sobretudo graças às marcas brancas deste tipo de jogos que surgiriam a pensar nas grandes massas, que se viria a democratizar os jogos eletrónicos acessíveis, até aí apenas entre algumas elites privilegiadas.

Pensar na possibilidade de jogar em aparelhos que usavam estas grandezas de capacidades de processamento/armazenamento (1 Kilobyte = 1.000 bytes), nos tempos correntes, quando os graus de grandeza e escala “corriqueiros” rondam os Gigabytes (1Gb = 1.000.000.000 bytes aproximadamente) será um simples exemplo da rápida e constante evolução tecnológica sempre em crescente.

Pode-se dizer que os primeiros jogos electrónicos mais não foram do que protótipos para estudar a capacidade de certas máquinas. A sua criação foi um reconhecimento e materialização do fator lúdico na cultura, mas também na atividade científica.


Atualmente, os jogos eletrónicos, sobretudo os jogos online, ocupam um lugar cada vez mais significativo na vida das pessoas, nomeadamente os mais jovens, pois eles também introduziram uma nova forma de comunicação entre elas, influenciando assim a sociedade e a cultura. As atividades lúdicas têm papéis fundamentais no desenvolvimento social. Já os jogos eletrónicos, além do desenvolvimento social, influenciam diretamente o desenvolvimento científico e tecnológico, tendo sido aproveitados pela industria particularmente como cobaias do desenvolvimento.

  

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

por MrCosmos | link do post

Então e os putos, pá {#emotions_dlg.unknown}

 

 

Agora os Portugueses têm de se preocupar é com o futuro das vossas carreiras...

Com o devido respeito, eu adoro e tenho vocação para a electrónica e audiovisuais mas também já tive de pintar móveis...

 

Acham mesmo que os portugueses alguma vez tiveram paciência para os vossos duelos? E que estão preocupados com o futuro da classe profissional melhor representada e defendida em Portugal? Então e os putos, aindam servem de arma de arremesso? E que o corte em EVT significa mais uma machadada na cultura e artes portuguesas, não? Foda-se!

 

por MrCosmos | link do post

 

 

No seu conjunto, a imprensa Francesa, na última semana de Março, apresentou a polémica e as interrogações técnicas levantadas em torno do restauro do quadro de Leonardo da Vinci: A Santa Ana.

Dois membros da comissão de restauro demitiram-se. Certas críticas continuam. Assim, para alguns, a cara da Virgem parece esmagada.

A operação demorou 18 meses, custou 200 mil euros e foi financiada por um mecenas Chinês.

Diz-se que não é amanhã que terá lugar o restauro dum outro quadro de Da Vinci... O último foi em 1950.

 

Existem tabus que nos escapam?

 

Foto: La Croix, 30 Mar 2012, p.22

Este post deve ser lido como a continuação de Perguntas Indiscretas? Nº7

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Escrever para não morrer...

O testemunho de Hídeo FuruKawa, escritor de ciência ficção nascido em Fukushima, questiona:

 

"...vi macacos, soltos a título experimental e equipados com dosímetros, saltando de ramo em ramo, partirem rumo às montanhas contaminadas. O homem que se diz superior aos macacos só pode ter reconhecimento e consideração por eles... O que foi esta catástrofe? O que é que se passou realmente?... Para mim, o trabalho de criador não é de dar uma resposta, é de guardar a pergunta viva eternamente."

 

Este post é uma encruzilhada entre:

Fukushima ou a Dialéctica de Natureza @nd  Sê Macaco e Grita!

 

Fonte: Télérama, 7 de Mar de 2012, p.26 | Foto: A árvore que subsistiu da floresta que rodeava a estrada de Pripiat. As outras, devido à sua radiotividade, foram cortadas (L'autre Journal, nº1, Maio 1990, arquivo pessoal)

Nuno

por PortoMaravilha | link do post


Perguntas Frequentes (2)

 

 

 (Clicar para ampliar)

Porquê deixo, às vezes,  de apanhar TDT à noite?

A propagação de ondas e sinais rádioeletricos sofrem variações após o "cair da noite", comparativamente às emissões diurnas.

 Houve zonas, consideras mais criticas, como por exemplo em Alqueidão da Serra, onde após o desligamento  dos retransmissores analógicos verificada a 13 de fevereiro,  o problema se agravou, verificando-se mesmo conflitos entre os ecos gerados pelos vários emissores  que chegam àquela localidade, e que emitindo todos na mesma frequência (C56 = 754000Mhz) , pode ser  esta uma forte probabilidade para o "apagão completo" noturno verificado em vários pontos  de algumas localidades.  De salientar que o Processo de implementação de TDT em Portugal se encontra precisamente neste momento na chamada "fase piloto", onde ajustes técnicos nas emissões e eventuais alterações poderão ocorrer.

Isto não significa, ou inviabiliza, que vários equipamentos de antenas que permaneçam desadequados para a TDT e que possam estar a trabalhar "satisfatoriamente"  bem durante o dia, mas no limite dos valores necessários , caiam à noite para valores de  quebra na receção de TDT. Para um bom esclarecimento, nada como a verificação do caso por um técnico especializado.

 

Pertenço a uma Zona Sombra e  tenho de me ligar por parabólica via satélite. Vou ter de passar a pagar alguma mensalidade?

Não. Os únicos custos relacionados podem ser com a aquisição/adaptação da sua instalação e aparelhos para a TV digital. A partir daí não tem de pagar mais nada para continuar a receber televisão em sinal aberto dos 4 canais nacionais mais um 5º canal em HD.

 

 Mas o que é isso do 5º Canal em HD?

Uma das premissas relacionadas com a introdução de TDT em Portugal tinha que ver com a disponibilidade de um 5º canal a emitir em HD (resolução de alta definição, até 1080 linhas).

Esse canal aparece, sempre apareceu, nos aparelhos de TV compatíveis com norma Mpeg4, mas acabou por ficar "vazio", sem conteúdos,  ocupando o  seu respetivo multiplex  de emissão, e que representa  mais de metade da frequência destinada à TDT.  O futuro do 5º canal em HD desconhece-se, havendo no entanto  alguns movimentos civis pressionando junto da Assembleia da República para que, no mínimo, o espetro ocupado em vão pelo 5º canal HD possa ser substituído pela emissão livre em SD (Standard Digital, até 576 linhas) dos restantes canais pagos pelo erário público e que apenas emitem em plataformas de tv pagas  (RTP Informação; RTP Memória;  RTP África; RTP Internacional ; e ARTv, o canal do Parlamento).  Aguardemos portanto...

 

O meu televisor ou box digitalizadora desliga-se sozinha ao fim de algumas horas. Será Avaria?

Não. Praticamente todos os aparelhos, a titulo de “poupança de energia”, vêm programados de fabrica para se desligarem automaticamente ao fim de algumas horas, para não correrem o risco de ficarem acessos por esquecimento.  Tal função pode ser desativada no menu de características do aparelho.

 

A minha Televisão é demasiado antiga, nem sequer tem ficha Scart 21 pinos para ligar uma box. Há Solução para a TDT?

Há solução sim. Apesar de ficarem mais caras (entre os 50,00€ a 75,00€ em média) e serem escassas no mercado, existem boxes digitalizadoras que podem ser ligadas precisamente pela mesma  ficha de 75 Ohm onde agora liga a antena de TV. Ou em alternativa, pode adquirir uma box digitalizadora convencional e um segundo acessório complementar: um modulador RF de sinal (cerca de 25,00€), que converte os sinais da ficha Scart da box, em frequências modeladas para ligar à tal ficha do cabo de antena.

 Ou ainda: porque não usar as ligações de um Leitor VHS antigo, mesmo que já não reproduza cassetes, que fará perfeitamente a mesma função do referido modulador  RF? Resultará.

Paulo Jerónimo

(Publicado na edição do jornal  'O Portomosense' 1.mar.2011)

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Perguntas Frequentes (1) 

 

 

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:: Parte 2 – O Sol Quando Nasce (Não) é Para Todos ::

 

 

Chamam-lhe as "zonas sombra", onde o sinal de TDT é inexistente ou insuficiente, e é caso para dizer que o concelho de Porto de Mós, no que toca à TDT, está bem "assombrado".

Quando no próximo dia 13 de fevereiro ocorrer definitivamente o apagão que se aguarda para os emissores analógicos que chegam a estas zonas (exceção para quem receba emissão do Montejunto até 26 de abril), será caso para perceber que o sol quando nasce nem sempre é para todos.

 

Como explicar, ou melhor, aceitar, que um morador que se prepare para fazer a migração de sinal para TDT, mesmo supondo que já possua equipamento (televisores/antenas) adequados para tal, para o fazer tenha um custo obrigatório acima dos 100,00€ (relacionados com a aquisição e instalação de equipamento satélite), quando poucos quilómetros ao lado um outro morador, fora das zonas sombra, pode não ter qualquer custo caso os equipamentos necessários para a migração de sinal que possui sejam adequados?

Ou ainda que os equipamentos não estejam adequados para a receção de TDT - que é a situação mais comum nesta fase - o certo é que a diferença entre a ligação normal terrestre, e a sua alternativa via satélite para as zonas sombra, sofrem disparidades nos custos e limitações impostas (apenas 3 receptores satélite por residência) que serão sempre bastante relevantes, não obstante serem anunciados alguns apoios e exceções para alguns casos.

 

Pior ainda é que isto seja imposto às populações sem receberem nada mais em troca para além dos mesmos 4 canais conforme já os conhecemos.

É certo que a qualidade de som e imagem agora disponibilizados estão inegavelmente melhorados, mas não era esta a grande revolução que a TDT prometia. Não era esta a imposição que se exigia. Foi antes e até agora uma oportunidade perdida.

A migração de emissão analógica para digital deveria significar um enorme aumento na oferta de canais e conteúdos gratuitos para toda a população. É isso que tem acontecido na maioria dos outros países, constatando-se que mais uma vez Portugal coloca-se na cauda da Europa como sendo o país com menor oferta de canais em TDT, segundo o Observatório Audiovisual Europeu.

 

Atualmente, o espetro disponível já permitia pelo menos mais 5 canais para além dos existentes e após o switch off final agendado para 26 de abril, disponibilizadas as frequências agora ocupadas pela emissão analógica, torna-se tecnicamente viável o aumento dos mesmos para bem mais do que isso, assim haja vontade.

--

Paulo Jerónimo

(Publicado na edição do jornal  'O Portomosense' 2.fev.2011)

por MrCosmos | link do post

  

:: Parte 1 – Do Palavrão ao Apagão ::

 


A preocupação e curiosidade hoje são comuns a quase todos os cidadãos, mas recuando no tempo, estaríamos algures pelo ano de 2003 quando, pelas revistas da especialidade, aos leitores aficionados da área de Produção Audiovisual  se nos apresenta definitivamente a TDT como uma realidade que era para avançar, num processo  que se  queria célere segundo o nosso governo.

Deliberado pela União Europeia, a ordem é de um apagão, conhecido pelo “switch off”, das transmissões televisivas no modo analógico, em todos os países membro. 

Portugal apresentou-se na altura como um pretenso candidato ao pódio, tendo em conta que, a cumprir as primeiras datas estimadas e avançadas, teríamos sido o primeiro país da Europa a migrar do sinal sexagenário analógico,  que ocupa uma imensidão de frequências  e da quota de espetro disponível para a transmissão de dados, acabando por inviabilizar de grosso modo o expandir que a galopante era tecnológica dos anos 2000 impunha, sendo nomeadamente a  4ª geração de telecomunicações móveis, o mais flagrante exemplo em disputa.

 

Mais do que o entusiasmo da ambição precipitada de calendarização pelo executivo governamental, era sobretudo com desconfiança,  perante uma flagrante sofreguidão mal gerida e “desgovernada”que  os mesmos profissionais encaravam o futuro. Infelizmente comprovou-se estarem certos…

Da atabalhoada intenção inicial, à  final  conclusiva que por estes dias os portugueses vivem  “in loco”, confrontados com o desmando agora   também do desliga/não desliga recalendarizado - no caso dos emissores que servem o conselho de Porto de Mós tendo sido o apagão adiado em mais um mês, para o próximo dia 13 de Fevereiro -   todo este processo de implementação da TDT em Portugal sempre foi executado por linhas pouco retas.

Ao invés, é convicção de imensos críticos que tais linhas orientadoras foram sendo sobretudo meticulosamente traçadas a “regra e esquadro, por vezes com recurso ao compasso, de tão obliquas, ou perpendiculares, também paralelas, resumindo: enviezadas.

 

Não se podem deixar de perceber os lóbis e tremendos interesses que o processo de implementação de TDT em Portugal agitou, bem como tristemente, não se pode deixar de perceber como uma oportunidade que na maioria dos outros países resultou em mais valia e sucesso para os seus cidadãos, que em Portugal apenas resulte em “mais do mesmo” (4 canais), engordando os mesmos de sempre, sendo o processo de migração, em boa parte, custeada pelos próprios cidadãos.

Como  consequência direta para o nosso conselho destes imbróglios, verifica-se que basicamente as nossas zonas serranas, a excepção de Serro Ventoso e Alqueidão da Serra não estão nem estarão cobertas pelo sinal de TDT, ou a existir, o mesmo é tecnicamente deficiente e inviável, sendo que a solução acaba por ser adquirir equipamentos satélite inflacionando altamente os custos já de si injustos quaisquer que eles fossem, para fazer a migração.

 

Continuaremos o tema e com dados mais concretos e várias curiosidades, na tentativa de mais alguns esclarecimentos, nas próximas edições do jornal “O Portomosense” .

--

Paulo Jerónimo

(Publicado na edição de 19.jan.2011)

por MrCosmos | link do post

 

 

 

A pretexto da contrução caseira duma Estação de Trabalho para Aplicações Graficas para o meu *puto*, no 2º ano do Curso de Técnicas Multimédia. 

Como vês, mon ami Nunô , já não tens desculpas: Não tem nada que saber :-) 

 

--

Paulo Jerónimo

por MrCosmos | link do post

O

 

Já é percetível para os leitores do Cosméticas que não aceitamos nem toleramos o rótulo de "ninfomaníacos" atribuido a muitos dos utilizadores da plataforma Facebook (FB) , pelo que dissipando qualquer dúvida passa-se a explicar:

Repugnável, é no mínimo como se pode entender a atitude pseudo moralista que a plataforma toma, e à força impõe, ao banir contas de utilizadores que a toda poderosa FB entenda terem violado os seus conceitos éticos / morais na eventualidade de um user ter transigido a ténue fronteira facebokiana de quem  lá coloca publicações de cariz mais ou menos sensual, erótico ou sexual. A questão é essa mesma: a fronteira definida por uma "lei cega", que à minima "pouca vergonha" que entenda algo ser, atira com tudo ao lixo, tipo agência de rating.

Por menos não se pode intrepretar tal atitude da FB - tendo inclusive em conta os "tempos supostamente evoluídos" que correm - de que como estando nós presentes perante a «Madre  FB», ou se preferirem uma nova "Big Sister" contemporânea, a antítese de seu irmão mais velho o "Big Brother".

Esta Madre FB, a Big Sister dos tempos modernos, para além de que tudo espia, escrutina, "bufa" prá rua, ou cujos peidos todos de quem lá anda calhandra com as vizinhas da sacristia - também censura à mínima sem vergonhice, tratando subtilmente seus utilizadores como verdadeiros ninfomaníacos

 

Não é o direito à proteção das mais frágeis suscetibilidades de quem frequenta a rede que questionamos nesta atitude, antes, a questão é a forma como a Big Sister Madre FB censura radicalmente nesse aspecto os seus utilizadores, como se de lixo se tratassem, pessoas e conteúdos que, segundo a Madre FB, prevariquem.

A questão começou a ganhar dimensões amplamente questionáveis para nós, Cosméticas, com este episódio que "denunciamos" há vários meses aqui.

Entretanto, recentemente, a indignação e mensagens correram entre os amigos facebokianos da user Paula Gaspar, entre os quais me incluo e com quem estou plenamente solidário. 

Esta utilizadora da rede social viu a sua página de cariz comercial, a Just Only  - que se dedica a promover "produtos inovadores" - artigos eróticos e sensuais -  ser banida da rede, estando atualmente de novo disponível aqui , tendo corrido uma ampla mensagem de pedido de apoio no sentido de informar e preencher um questionário para a Big Sister Madre FB onde onde explicavam vários que não, não era isso, o que se na sua mente facebokiana poluída e cheia de macaquinhos com teias de aranha de Madre Superiora, se tratava.

Portanto, medo, muito medo com a Pide Facebokiana! Eles andam aí... Muah, ah, ah, ah! 

 

Mas então ó Mister, porque não retiras a tua conta de lá como forma de protesto, já que te queixas e discordas tanto daquilo? Poderão perguntar alguns...

Okay, eu confesso: Este Sermão das Oliveiras todo mais não foi que arranjar uma desculpa toda pomposa para legitimar e conspurcar a net com mais esse vídeo final aí, literalmente um "Tesouro Enterrado" descoberto aqui há dias e parece ser tido como o primeiro de todos os filmes de desenho animado porno o "Buried Treasure".

 

Hilariante! E que rebentava a escala de "Gostos" no Facebook, rebentava...

 

 

Este post pode ser lido na continuação de Facebook : Censura não rima com Arte

Paulo Jerónimo

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Até dia 9 de Janeiro 2012, o Grand Palais, em Paris, apresenta uma história do jogo vídeo.

Foi preciso esperar quarenta anos para que se reconhecesse uma história cultural, gráfica e estética dos jogos vídeos.

Mas nem todos vêem, pacificamente, esta retrospectiva exposta ao lado de obras de Cézanne, Picasso, etc..

 

Fonte: Médias fr.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Após o sucesso de bilheteira que foi Avatar tomei conhecimento do artigo de Walter Murch, descrito como o "designer" e editor de som mais respeitado no cinema moderno.

Walter Murch, vencedor da academia de Oscars, é responsavel pelo desenvolvimento e introdução do sistema de som em canal 5.1 que revolucionaria o cinema elevando-o para um novo patamar a titulo sonoro, e basicamente na sua carta enviada a o 3D nunca singrará. Segundo o texto de Roger Ebert:

 

"Recebi uma carta que encerra, em meu entender, a discussão sobre 3D. Ele não funciona com o nosso cérebro e nunca Singrará.
A noção de que somos convidados a pagar um prêmio para testemunhar uma imagem inferior por inerência de nos confundir o cérebro é ultrajante. O caso está encerrado.
"

 

Na sua carta Murch explica, numa argumentação técnica, as dificuldades e questões que eu proprio me colocava ao assistir ao 3D, sem resposta para elas. É que ao longo dos anos, até hoje, o 3D sempre me gerou o desabafo de: "Isto soa a falso".

Passamos a traduzir a carta de Walter Murch à Roger Ebert, onde as inserções introduzidas em parentesês rectos são de minha responsabilidade, complementando o que entendo ser a interpretação da argumentação original do autor.   


Walter Murch

  "Olá Roger,

 

  Eu li sua opinião sobre o "Green Hornet",

  e embora não tenha visto o filme, concordo

  com  seus comentários sobre 3D.

  A imagem 3D é escura, como menciona,

  e pequena. De alguma forma os óculos

  "reúnem-se com" a imagem - mesmo em uma

  tela Imax enorme -  e ao olhar-se sem óculos,

  a imagem aparece a meia distância.


  Eu editei um filme 3D na década de 1980,

  "Captain Eo", e apercebi-me que o movimento

  horizontal estroboscópico ocorre muito mais

  cedo em 3D do que em 2D. Isto era verdade

na época,e ainda é verdade agora. Tem algo a ver com a quantidade de energia do cérebro dedicada a estudar as bordas das coisas. Quanto mais conscientes estamos das bordas, mais depresa um efeito estrábico [desalinhamento/desfoque] salta à vista.


O maior problema com o 3D, porém, é a "convergência / foco" associada. Um par de outras questões , tal como a escuridão e a "pequenez", são pelo menos teoricamente solucionáveis. Mas o problema mais profundo é que o público deve focar seus olhos no plano da tela - que dizem estar à 80 metros de distância. A distância é constante e nada mais importa.
Mas o que os olhos vêm na tela [a realidade tridimensional que se tenta representar] deveria convergir em talvez 10 metros de distância, de 60 pés [18mt], 120 pés [36mt], e assim por diante, dependendo da ilusão pretendida. Assim, filmes em 3D nos obrigam a concentrar em uma distância [sempre fixa: a distância a que estamos colocados da tela/ecrã]  mas convergem para outra [a distância (profundidade) variável da realidade filmada]. E 600 milhões de anos de evolução nunca apresentaram esse problema antes [ao cérebro]. Todos os seres vivos colocam os olhos sempre, focados e convergentes, no mesmo ponto.



Se olharmos para o saleiro na mesa, perto de nós, vamos concentrar-nos em seis pés [182cm] e os nossos olhos convergem (tilt in) [movimento descendente] em seis pés. Imagine a base de um triângulo entre os olhos e o vértice do triângulo repousa sobre a coisa que está olhando. Mas, então, ao olhar pela janela e concentrar-se em 60 pés os olhos convergem também para 60 pés. O triângulo imaginário que tem agora "abriu" para que suas linhas de visão sejam quase - quase - paralelos uns aos outros.
Podemos fazer isso. Filmes em 3D não funcionariam se não pudéssemos fazê-lo. Mas é como que estar a bater na cabeça e esfregando seu estômago, ao mesmo tempo: difícil. Assim, o "CPU" do nosso cérebro perceptual tem trabalho duro extra, e é por isso que depois de mais ou menos 20 minutos muitas pessoas têm dores de cabeça. Elas estão fazendo algo para o qual em 600.000 mil anos de evolução não foram preparadas. Este é um problema profundo que nenhuma quantidade de ajustes técnicos pode corrigir. Nada vai corrigi-lo de repente na produção "holográfica" real de imagens.

Conseqüentemente, a edição de filmes em 3D não pode ser tão rápida quanto para filmes em 2D, devido a esta mudança de convergência: é preciso um número de milissegundos para o cérebro/olho "pegar" o que o espaço de cada "disparo" [plano/imagem] é, e ajustar.


E, por último, a questão da imersão. Filmes em 3D lembram ao público que eles estão em um relacionamento "perspectiva" certos para a imagem. É quase um truque brechtiano. Se a história do filme tem realmente agarrado uma audiência na ilusão de que eles estão "dentro" da imagem, em uma espécie de sonho no espaço "sem espaço", uma boa história vai dar-lhe mais dimensionalidade do que a assistência consegue realmente enfrentar.

Portanto: escuro, pequeno, estrábico, induzindo dor de cabeça, alienante. E caro. A pergunta é: quanto tempo vai levar as pessoas a perceberem e ficarem fartos?

 

Texto original | este post pode ser lido na continução/contradição de "A Transmissão Simbólica: Folheto N.º 8"


PC Jerónimo da Silva

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Google god é um ensaio teórico de Ariel Kyrou.

Google pretende ser Deus e pensa ter sido e ser a revelação de todas as relações universais e de todos os conhecimentos.

Google pensa ser um instrumento natural, esquecendo que a cultura não é natural.

Alienação para bem da nação ?

O Humano não é um ser natural, mas cultural em grande parte.

Quem acredita que uma tecnologia possa ser neutra ?

 

Fonte : O texto de Ariel Kyrou : Google God

Foto :  Estatueta de mulher grávida, Santarém / Trésors d'Amazonie ( Télérama hors-série, Março 2005 )

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

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