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Paris, 9 de setembro 2017, 9h07 pm, desço a rua que me hão descrito como La Grand Avenue para chegar a Torre Eiffel.

- Senhor, conhece Paris? Não, é a minha primeira vez em Paris. A expressão de frustração de Elie não se rende à segunda questão, E não viu por aí uma igreja onde me possa dirigir? Não. O Senhor é Católico? Não. Cristão? Sou agnóstico, a religião é das piores coisas que o homem podia inventar... Elie deu-me uma palmada no ombro com relativa força. Não sei se por reprovação ao que ouvira ou se pretendia expulsar algo de mau em mim. Como se chama? Jerónimo. Muito prazer, chamo-me Elie, sou de Aleppo na Siria, Antropólogo e professor de filosofia. De onde vens? Portugal. Ah, Fátima! Elie Intaká abriu o segundo botão da camisa, retirou o seu amuleto de madeira, um crucifixo com a mensagem pregada na cruz em árabe. Eu sou devoto de Fátima. E eu vivo a 14 Km de Fátima. Então como podes dizer que a religião é a pior coisa que o homem já inventou? Porque já sofri a minha quota parte por ela, porque provavelmente o senhor está a sofrer muito por ela, pelas guerras dela. Elie comove-se tremendamente, os seus olhos vivos que até ali me queriam transmitir algo ficam baços. Se alguém lhe provasse das lágrimas que não consegue agora conter, imagino que seriam mais amargas do que as águas salgadas e agitadas que já terá atravessado até se cruzar ali comigo, na Grand Avenue. Mas como podes tu ignorar Deus? Por Deus eu cheguei aqui, estou aqui a falar contigo. Eu não ignoro Deus, apenas deixei de me questionar o que ele quer de mim e de me permitir a que a sua vontade condicionasse a minha vida, porque isso não é ser Deus, condicionar os seus súbditos de forma tão cruel ao ponto de se acreditar que lhe devemos sacrifícios, ou a vida... eu não posso venerar um deus como o do velho testamento, que cometeu tantas atrocidades, tantas mortes, tanto sofrimento nos humanos. Só porque sim, porque quero, posso e mando. Esse não pode ser o meu deus com D grande, Quem é então esse teu Deus, que dizes que não ignoras? Deus para para as mentes que chamo agnósticas não deve ser uma preocupação, se existe ou não existe, se em corpo ou forma, espírito ou visível, se tem planos para mim ou não, isso não deve ser da minha preocupação. Eu vejo Deus nesta árvore que aqui cresce ao nosso lado, sinto Deus no frio da brisa que nos regela agora a cara, na força das tempestades que assolam os Estados Unidos, nos olhos da minha filha quando se decepciona comigo. Deus é toda a natureza que me envolve, e ela trata de me equilibrar, sem me pedir nada em troca, e por isso lhe sou grato, à mãe Natureza, se quiseres, o meu Deus. Elie já não queria chorar, sorria, nos abraçamos, ele beijou a minha testa e se afastou. Queria deixá-lo partir, e penso que ele queria partir pelos hesitantes passos que deu mas avançou de novo para mim e pôs a mão direita no seu peito esquerdo, e com os olhos novamente cheios de amargura me voltou a indagar, Vou-te pedir um favor que nunca pensei vir a necessitar de pedir, o meu filho só me consegue fazer chegar dinheiro pela Western Union daqui por dois dias, e hoje tenho uma etapa fundamental , e que me aflige, porque todo o meu futuro depende de eu chegar a tempo, até amanhã a tarde a um amigo que me aguarda muito longe daqui, preciso de 52€ para o bilhete do comboio que me levará, e não tenho dinheiro para comer ou onde dormir há dois dias. Por isso procuro uma igreja e não a encontro, mas encontrei-te a ti, suplico-te, ajuda-me. Neste momento já chorava-mos os dois e com voz embargada lhe explico, Não tenho esse dinheiro comigo, queria muito te ajudar, mas o que tenho no bolso é para as refeições dos próximos dois dias e já é menos do que esperava, Quanto me podes dar? 20€. Obrigado, respondeu Elie estendendo a mão. Meti a mão ao bolso donde me saiu um monte de cartões, recibos e algumas notas dobradas com a de vinte a cobrilas. Ao desdobra-la para lha dar aparecem as restantes de 5€ num montinho generoso, Elie abana a mão e súplica por mais, os seus olhos me fazem esquecer tudo no momento e desdobro as restantes depositado-as na palma da sua mão, Vinte e cinco, trinta, trinta e cinco, quarenta, é tudo o que tenho Elie, e ficarei sem dinheiro para comer, mas tu ficarias pior sem ele, eu ca me arranjo. Mas Elie insiste, sem pronunciar uma só palavra, um só gemido, uma sequer expressão, abana a mão com firmeza e aquela mão me diz, Mais. No desespero da situação quando lhe ia a dizer e mostrar que, Elie, não tenho mais , de repente ao folhear os recibos e cartões que tinha ainda na mão aparecem mais algumas notas de cinco com que não contava e para minha estranha surpresa, mas não da dele. Quarenta e cinco, cinquenta, Quanto disseste que precisavas? Cinquenta e dois, depositei-lhe na mão estendida a última nota que tinha, Cinquenta e cinco. Eli deu dois passos atrás, uniu as duas mãos com o dinheiro ainda no meio delas elevo-as entre o queixo e o nariz em sinal de prece, e de cabeça inclinada para o céu soltou umas palavras incompreensiveis. Arrumou o dinheiro, e dirigiu-se a mim deu-me um abraço apertado enquanto me dizia, Deus te recompensará em dobro. Não te esqueças de mim, Elie intaká professor de filosofia, Aleppo. Não esquecerei, mas espera, quero uma recordação tua, uma foto, pode ser? E algo teu que possa trazer comigo. Como assim contigo? Um objeto, uma simples mensagem escrita num papel, o que queiras. Okay, assim terás.

Ficou parado a olhar para mim enquanto eu me afastava, soube disso porque depois de alguns passos desde que o deixará, me havia voltado procurando saber a direção que tomaria. Estava lá, no mesmo sítio com mão estática no ar despedindo-se, sorri e acenei um adeus, e prossegui.

Dobro a esquina com um turbilhão de emoções pois que não me entendia. O que fora aquilo, como é possível, que sorte será a deste homem? E lá estava ela, a grandiosidade de Eiffel. À volta se ouviam falar demasiadas línguas, uma verdadeira Torre de Babel, que reza a história um dia deus a impediria, na tamanha ousadia dos homens quererem fazer uma torre que toca-se os ceus, e confundido-lhes a língua aos trabalhadores, deus vetou-lhes o feito. Parei obliquamente na direção dela. Acendi o cigarro do momento, pois que se fumar mata, ao menos que cada cigarro seja uma vitória, uma contemplação, um celebrar da vida. Aquele era o da minha celebração a Elie. Durante dois minutos, permaneço de pescoço torcido para o ar, não porque dê jeito aos pulmões para expulsar o veneno, mas para apreciar a crueza da obra, ferro puro, minerio velho, escória da mãe terra, e que um deus da engenharia soube conjugar. E assombra-me agora ao pensamento, Como pode a humanidade ser capaz de coisas tão grandiosas na mesma medida em que pratica as mais asquerosas?

Apaguei a beata, na calçada de Paris.

Bonne chance, Elie. Não nos esqueceremos de ti.

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    Com Elie Intaká, sob a "Árvore de Deus"

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Confirmar a boçalidade patente no povo português em pleno 2013 é preocupante.

As redes sociais dizem que isto é o grande sucesso do verão...
PS: Já agora um pouco de cultura segundo a Wikipédia: "Jah é a forma poética abreviada de Jeová, o nome do Deus Altíssimo. (Êx 15:1, 2)".



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O texto de Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas é o maior romance da literatura de expressão portuguesa. Este texto está para a literatura de expressão portuguesa como Finnegans Wake de J. Joyce está para a literatura de expressão inglesa.

 

É um livro que assenta numa linguagem criada por G. Rosa para definir o seu Cosmos (tal como o fizera Joyce). Um Cosmos que é uma combinação e oposição simultânea entre: O "material" e o "espiritual", o bem e o mal... O "material" é a linguagem, a luta pela expressão; O "espiritual" é a memória, a luta entre valores (bem / mal), o porvir. Para que as personagens possam ser fluidas, combinando oposições, o autor dá nascença a uma nova língua.

 

As primeiras páginas não são fáceis de entender. Mas com o decorrer da leitura o universo "Roseano" abre-se. Existe um dicionário pensado por Nei Leandro de Castro que pode ajudar: Universo e Vocabulário do Grande Sertão (Livraria J. Olympio Editora, Rio). Mas continuo a pensar que depressa se entende que "canoar" é navegar em canoa ou que "ventear" é produzir vento...

 

O Sertão é o Cosmos que pinta a união e a oposição entre o aquém e o além, o bem e o mal...Na descrição da evolução da batalha entre as bandas rivais de jagunços todas as formas e temas maiores são salientados: O romance de cavalaria, o romance épico, o pacto com o diabo, o naturalismo, a crença, o esoterismo, o existencialismo...

 

O nome dos personagens é também muito importante. Tomemos, por exemplo, Riobaldo e Diadorim. Riobaldo é o jagunço letrado que vai para a guerra. Ele tem que vencer e faz um pacto com o diabo. Está também apaixonado por Diadorim. O seu código proíbe amar homens. A sua existência fica dividida por esta oposição. Na batalha final, Diadorim morre e Riobaldo descobre que a sua paixão é uma mulher disfarçada em homem. Um tema muito clássico da literatura medieval: Diadorim disfarça-se de mulher para poder acompanhar o seu pai na guerra. Como é também um tema muito clássico o pacto com o diabo. Está presente quer em Goethe (Fausto) quer em Pessoa.

 

De novo se expressa a noção de movimento: O bem, o mal, o convencional, o "inconvencional"... num perde-ganha-perde-ganha... O subtítulo da obra é "o diabo na rua, no meio do redemoinho..." dá a sensação de agitação, mudança, novidade...

 

Já é menos clássico que o pacto com o diabo apareça, linha menos linha, no centro da narração, criando uma simetria. Já é menos clássico a polissemia do nome Diadorim: Dia-dor-im. A primeira sílaba reenvia para a palavra "dia" e também para a primeira sílaba das palavras "diabo" e "diálogo"... O dia da dor? O diabo da dor? O diálogo da dor?... Podem haver várias interpretações. O sufixo "im" é um sufixo que acentua a insistência como, por exemplo, na palavra "mandarim": Mandar+im. O nome da personagem Rio+balde evoca, sobretudo, a palavra rio que lembra a água, a vida, a viagem, a foz, novos mundos. 

 

O texto elaborado por Guimarães Rosa termina com o símbolo do infinito. A palavra "fim" não pode existir no Cosmos, no diálogo entre o aquém e o além, entre o bem e o mal. Deste permanente diálogo nasce da boca de Riobaldo a frase que atravessa repetitivamente toda a narração: "Viver é muito perigoso". O Cosmos é Deus e o diabo é o seu subconjunto, não podendo um existir sem o outro. E Riobaldo explica que quem decide somos nós e que somos nós os únicos responsáveis por nossas decisões. Eis as últimas palavras do texto que antecedem o símbolo do infinito:

 

"Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia."

 

O texto de G. Rosa conheceu outras edições. E é estranho que algumas tenham esquecido o símbolo do infinito como também transformado a capa com todos os pormenores e signos desejados pelo autor.

 

Porquê? Sim, porquê? 

Nuno 

obs: Para Gisleuda, o prometido é devido.

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 É pá, Isto do blá-blá-blá no Natal não será tudo mas é uma grande fantochada{#emotions_dlg.unknown}

 


 

 

{#emotions_dlg.painatal} Clap. Clap, Clap! Boas Festas.

Paulo Jerónimo

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O gesto do Jornalista que se despede diariamente no serão dos portugueses com um piscar de olho malandreco nunca mais será o mesmo.

Com aquele piscar de olho do José ao terminar os telejornais, os portugueses passarão a lembrar-se: "Olha-me este, que diz que Cristo não era Cristão" - como se alguém pudesse nascer conotado com uma filosofia que só na idade adulta viria a lançar ou divulgar.

Ou como se fosse alguma novidade que Jesus era Judeu, segundo as suas raízes de linhagem e conforme a "profecia do prometido salvador dos judeus"...

Ou ainda, como se o cristianismo não passasse a ser alicerçado e difundido enquanto filosofia universalmente reconhecida, sobretudo, somente a partir do Século II depois de Cristo, com a Fundação da Igreja Católica.

 

A segunda acusação que fez furor por estes dias com a divulgação do novo romance de José Rodrigues dos Santos, "O Último Segredo", passa por por a nu a realidade de que a "Virgem Maria" não é merecedora do título.

Será evidente a reacção hostil de um comum católico que seja confrontado com esta verdade bíblica, a de que segundo as evidencias do novo testamento, Maria de Nazaré, tendo sido concebido seu primeiro filho enquanto rapariga virgem, "por obra e graça do Espírito Santo" ,  que a mesma perderia essa condição no seu casamento com José, sendo inclusive  descriminados vários nomes dos filhos que o casal veio a ter, "Irmãos mais novos de Jesus".

 

O que não havia necessidade, digo eu... era do JRS querer buscar publicidade gratuita desta forma baixa, que tal como dizia de José Saramago, e tratando-se de escritores com créditos reconhecidos, dispensavam-se de piscares de olhos provocadores à Igreja, não?

Pois agora, ó José, tu que pensas ter redescoberto a fórmula da pólvora para o sucesso literário, deixo-te aqui mais estas dicas de outros bons dogmas católicos facilmente desmontados pelo próprio relato bíblico, para que possas fundamentar novos enredos das tuas futuras "estórias":

 

  1. O Dogma da Santíssima Trindade
  2. O da Imortalidade da Alma
  3. O do Inferno
  4. O do dia Natal
  5. O da Proibição da Carne na Quaresma
  6. O da Cruz (Jesus foi pregado numa estaca ou tronco direito)
  7. O do Celibato
  8. O da Confissão
  9. O da devoção a Santos
  10. e assim de repente fico-me por estes, tendo em conta que os dou de graça...

Paulo Jerónimo

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O incêndio voluntário, esta semana, dos locais do semanário satírico Francês, Charlie Hebdo,  levanta interrogações. Link

Por solidariedade, o diário, Libération, alojou os jornalistas e a redação de Charlie Hebdo.

Quem quer destruir a liberdade de imprensa e, sobretudo, o riso?

Os monoteísmos nunca aceitaram a liberdade de consciência.

Integristas católicos atacam hospitais e clinícas que praticam a interrupção voluntária de gravidez...

Integristas mulçumanos não respeitam a liberdade de imprensa...

Charlie Hebdo é vendido em Portugal. Ajudar-te-á melhor que a leitura de A Bola

 

Este post pode ser lido como a continuação de: Nem Deus, nem Futebol.

 

Nuno

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Nunca fui testemunha de Jeová.

Não farei qualquer comentário quanto à crença de cada um ou cada uma. Penso que a crença releva da esfera privada.

E respeito isso.

Em contrapartida, fiquei meio atónito quando descobri este panfleto na minha caixa de correio.

As Grandes Descobertas Portuguesas nunca existiram? A Conquista do Oceano Atlântico nunca existiu?

 

A Carta de Pêro Vaz de Caminha que faz parte dos textos da memória da humanidade, segundo a Unesco, será que nunca existiu?

Ou será que a cultura Índia destrói mitos  (Link) ?

De Roma chega-se, por magia, aos Estados Unidos?

 

Foto: Panfleto das Testemunhas de Jeová Francesas de 2011.

Nuno

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O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo... Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

 

Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

 

Leia-se:

A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira...

 

O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes... Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais "dificultuoso" ("difficultueux" no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante...

 

Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

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Discurso de Art Spiegelman, aquando a atribuição do Sonderpreis, a 16 de Junho de 1990, Salão da BD de Erlangen (RFA):

 

"É uma coisa estranha, para um rato, receber um prémio doado por uma assembleia de gatos; Por ter contado a maneira como os gatos mataram os ratos. É uma coisa estranha, para mim, Judeu, estar, aqui, na Alemanha, para receber um prémio; Por descrever como os vossos pais e os vossos avôs foram cúmplices do assassinato dos meus avôs e da minha família. É estranho também para vós de me entregar este prémio; Isso, não é sem problema. Como poderiam não mo ter entregue? Isso, poderia ser interpretado como uma ausência de sensibilidade, sob o ponto de vista da nossa história comum. Por um outro lado, dar-me este prémio poderia ser entendido como o resultado duma consciência culpável, uma espécie de reparação de guerra ao filho dum "escapado".

 

Ach! Ei-los bem os Judeus a falarem de novo de culpabilidade num serão tão belo! Nós temos uma longínqua tradição para infligir a culpabilidade que nos chega, directamente, desses abomináveis dez mandamentos (" Não fodas a mulher do teu vizinho", "Sê gentil com o teu papai e a tua mamai"). É mais educado falar em remorsos ou na responsabilidade do que na culpabilidade. É um conceito desagradável: A culpabilidade. Mas, apesar de tudo, penso que não merece a sua má reputação. Eu mesmo sinto-me culpado por imensas coisas: Pelos sem abrigo em Nova Iorque, pelos meus pensamentos impuros, pela masturbação, por não utilizar produtos recicláveis - e a culpabilidade talvez seja o agente civilizador mais útil, para impedir que as pessoas não se comportem de modo ainda pior do que poderiam fazer duma outra maneira. É talvez uma coisa explosiva  viver com a culpabilidade, mas é talvez o preço que nós humanos devemos pagar para aprender a verdadeira compreensão.

 

E, francamente, sentir-me-ia em mais segurança numa Alemanha culpável do que numa Alemanha deixando-se cair na euforia nacionalista, neste presente em que me parece que, duma certa maneira, ela ganhou a Segunda Guerra Mundial, após quarenta e cinco anos.

 

Vejam, o meu pai nunca mais quis pôr um pé na Alemanha após a guerra. Nunca recebeu um pão com a forma Max e Moritz ( prémio tradicional do Salão da BD d' Erlangen) da parte dos vossos pais ou avôs. O seu pão tinha a forma dum caixão e, na maior parte das vezes, nem sequer havia isso. O meu pai zangava-se, quando eu comprava o que quer seja fabricado na Alemanha. Andava muito zangado que desenhasse com uma caneta Rotring fabricada na Alemanha. Quando era criança, achava a sua atitude ridícula, mas, agora, penso ele tinha razão. Os Rotring proporcionam um traço intenso e mecânico. Desenho, agora, exclusivamente com uma caneta Pelikan: É mais flexível e viva. Danke schon por este prémio."

 

Art Spiegelman

 

Este post deve ser lido como a continuação de  Maus: Uma obra Prima da Bd 

Fonte: L'Autre Journal nº5, oct 1990, p. 194

 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Os trolls, contrariamente ao que se poderia em aparência pensar, fazem parte da mitologia Nórdica. São seres agressivos que povoam as lendas e as montanhas da Noruega.

The Troll Hunter, realizado por André Ovredal,  não é Indiana Jones. Mas é um filme que me parece de muita qualidade, tendo-se em conta os muito poucos meios disponíveis para a rodagem.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

É com agrado que se constata a ideia que o Presidente do FC Porto tinha nesta matéria para o clube. Esperemos que a grelha do Porto Canal possa vir a crescer de conteúdos FCP mantendo em mente esta linha orientadora apresentada.

 

Sempre estive algo espectante, pela negativa, sobre a possibilidade de o FC Porto poder vir a ter um canal de Tv, temendo que o clube pudesse vir a cair na tentação de seguir o rumo da maioria dos alinhamentos televisivos estilo "Televisão de Seita" conforme grandes nomes do futebol mundial têm adoptado para seus canais, e caminho pelo qual o canal do clube português mais popular alinha desde o 1º minuto, o que inclusive e declaradamente envergonha boa parte dos seus adeptos. (link 1, 2)

 

Portanto, que o novo Porto Canal assim nunca decepcione.

por MrCosmos | link do post

 

... É que, "o dia do juízo final" estava marcado para hoje...

 

por MrCosmos | link do post

 

 

 

O vídeo presente, do filme já anteriormente aqui abordado de raspão, apenas serve de mote para introdução, mais do que de um post, de um tema, que abrange e interessa a bilhões da humanidade: A Bíblia Sagrada.

 

Sintetizando, a Bíblia pode-se considerar uma interpretação religiosa do motivo da existência do homem na terra sob a perspectiva Judeia, narrada por humanos mas considerada igualmente por praticamente todos os credos cristãos como que divinamente inspirada.

Por ela, milhões de pessoas já viveram, morreram, se refugiaram, foram queimadas e massacradas, se reforçaram e inspiraram, ou pura e premeditadamente a ignoraram ou subvalorizaram.

Uma coisa é certa: acerca de sua existência poucos lhe serão "ignorantes", quanto mais não seja, sobre sua relevância, e facilmente dela terão uma opinião formada.

 

Por ela, Gutenberg inventou a primeira prensa de impressão que seria o despoletar da página imprensa e duplicação em massa, e a partir dai para sempre, para todo o tema, género e formato. É o livro mais vendido de todos os tempos com mais de 6 bilhões de cópias em todo o mundo, uma quantidade 7 vezes maior que o número de cópias do 2º da Lista dos 21 Livros Mais Vendidos no mundo.

É atestada como tendo sida escrita por cerca de 60 homens, não contemporâneos, e que distam do primeiro (Moisés) ao último (O Apóstolo João) de um período aproximado de 1500 anos.

 

As duas maiores parábolas e as mais nucleares deste livro, pessoalmente encontro-as precisamente, não no novo testamento donde se baseariam os fundamentos de toda uma cristandade, mas sim no velho testamento, no primeiro livro de Génesis  na questão de a autoridade e dependência à um Deus criador ser questionada pelos seus recém criados humanos através de uma faculdade atribuída pelo mesmo criador: a do livre arbítrio (tema aqui abordado) e intrinsecamente ligado a todo o "enredo bíblico", e a segunda grande questão pode ser  encontrada no livro de , quando novamente a figura de Satanás o Diabo intervém, e acusa de interesseiros os homens fiéis a Deus, pois que o servem à custa da busca segura e egoísta de protecção e bênção divina - veja-se o exemplo das promessas religiosas típicas dos católicos - e que tal "escudo protector"  a ser-lhes retirado (por Deus, leia-se) qualquer homem sucumbirá, advoga o Diabo, sendo que Deus assim "picado", por uma segunda vez admite tal tipo de prova à humanidade.

A "salvação" do homem dependerá portanto da superação e bom sucesso destas duas provas, planos ainda em execução, aos quais passarão os humanos aprovados merecedores de uma segunda fase da história da humanidade: um mundo "paradisíaco" liberto da interferência maléfica de Satanás, destruído que será.

 

Um dos riscos de se aprofundar o conhecimento bíblico directamente a partir da fonte, do próprio livro sagrado, é que quanto mais se aprofunda a Bíblia de forma independente e mente aberta, tanto mais se corre o risco do crente se vir a tornar agnóstico - filosofia de quem acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida. Por mim falo.

Por isso há também milhares de fiéis da cristandade que são "formatados" para não acederem a Bíblia, sendo este um privilégio interpretativo dos Clérigos altamente doutrinados para tal, e vendido como "mistérios" para todos os demais.

 

Daí o poder deste livro e de quem souber descodifica-lo, ou colar-lhe a sua própria interpretação, que voltando ao vídeo e filme inicial, este post poderia ser também relacionado como que tratando de alguns dados adicionais para uma breve interpretação das entrelinhas na mensagem do argumentista Gary Whitta em "O Livro de Eli" realizado pelos irmãos Hudge.

por MrCosmos | link do post

 

 

 

A revista "Télérama" de 13 de Abril do ano em curso apresenta um artigo muito interessante.

No estado do Piauí existe um imenso tesouro arqueológico.

Os desenhos pré-históricos, em aparência,  pouco ou nada diferem dos das grutas de Lascaux ou do sítio de Foz de Coa...

Todavia, prestando-se atenção, verifica-se que certos desenhos rupestres descobertos por Niède Guidon ( em 1964 ) remetem, explicitamente, para representações sexuais.

 

Por associação de ideias e após longos anos de leituras e de conversas animadas, questionei-me sobre o porquê do nascimento do interdito do incesto.

Sem este interdito poderia a raça humana ter evoluído? E porque é que os chimpanzés, tão próximos de nós, quando criados em reservas, ou seja, em contacto connosco não praticam o incesto? E, contrariamente, porque é que quando vivem em liberdade o praticam ?

O que talvez tenha morto a sua evolução ?

Parecem-me questões pertinentes.

 

Documento : Télérama, nº3196, 2011, p.23

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Nuno Álvares Pereira e Jeanne D'Arc foram e são figuras emblemáticas dos seus países respectivos.

Ambos criaram alicerces, pelo pior ou/e pelo melhor,  para que a noção de nação se desenhasse séculos mais tarde.

Ambos foram chefes de guerra.

Um é homem e uma é mulher. Ambos foram guerreiros e ambos foram santificados pela igreja.

O que me questiona é saber até que ponto a estátua de Nuno Álvares Pereira se pode diferenciar, esteticamente, da de Jeanne d' Arc ?

 

Homem ou mulher ?

 

A delegação Francesa da Fundação Calouste Glubenkian organizou dia 9 de Dezembro uma conferência-debate às 18h30 : " Nuno Álvares et Jeanne d'Arc : L' Histoire et le mythe ".

Esta foi animada por Luís Adão da Fonseca da Universidade do Porto e pela historiadora Évelyne Morin-Rotureau.

Quem foi Nuno Álvares Pereira e quem foi Jeanne D'Arc nesta conferência-debate ?

Parabéns à delegação Francesa da Gulbenkian por tal iniciativa.

 

Este post pode ser lido como uma continuação de "As línguas têm um sexo ?"

Nuno

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