Se a grandeza de uma cidade se medisse pela sua miséria, então, o Porto seria maior que Lisboa, e Lisboa mais miserável do que o Porto. Certo é que não existem grandes cidades nem capitais sem os seus mendigos, sem seus sem-abrigos ou pedintes. Nem sem os seus loucos que nos abordam no inóspito das esquinas. Aleijados nos passeios, familias completas de refugiados com pai, mãe e filhos. Podemos virar-lhes a cara, encara-los como fraudes ou problemas dos outros. Pedem-te uma moeda, comida, tabaco, o que se queira. No mínimo, merecem um sorriso, um aperto de mão, uma palavra de coragem. Porque o dia de amanhã nunca ninguém o viu , e a vida é uma passagem, para a outra margem.

 

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Ao centro: família de refugiados sírios. Avenue des Champs Elysees, Paris

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her é um filme escrito e realizado por Spike Jonze. Um filme em que a ficção pode ser realidade e onde as semelhanças com as nossas vivências não são, totalmente, fortuitas. A película descreve um universo em que os computadores têm consciência de si próprios e de outrem. Um universo em que os computadores inter-reagem com cada um de nós. Assim, Spike Jonza remete para uma era digital que, no fundo, pode estar mais ou menos próxima. 

 

Teodoro vive na cidade de Los Angeles, urbe em que tudo pode ser possível. Teodoro domina perfeitamente bem a escrita. Sabe fabricar as boas frases e encontrar as palavras exactas para descrever os sentimentos e falar de amor.  

Apesar destas qualidades, Teodoro vive só, sofrendo com a solidão. O seu apartamento, o seu lar é demasiado grande e, esse espaço, reenvia-o para o divorcio, para o falhanço do seu único casamento com Catarina. Os jogos vídeos, os vários ornamentos em 3D não compensam as noites solitárias. 

Para combater o vazio e o tédio da sua vivência, Teodoro investe na compra dum programa informatico, uma inteligência artificial concebida para se adaptar à personalidade de cada humano, ou seja, a voz de Samanta. E, assim, a voz feminina suave, intuitiva e divertida de Samanta vai seduzir Teodoro que, pouco a pouco, vai ficar loucamente apaixonado.

Eis o ponto de partida para um idílio insensato e irreal. A magia do relato assenta nos inúmeros detalhes agenciados por Spike Jonze, tal como a proeza dos actores, tornando realista, romântico e poético o que, inicialmente, não o era.

 

 

Ficha Técnica: her, realizado por Spike Jonze, com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Patt... - voz de Scarlett Johansson / USA 2014, 2h06, cores

 

Nuno

 

 

 

 

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Os temas bíblicos sempre deram panos para mangas... e polémicas qb.

Escritores, poetas, coreógrafos, todos gostam de explora-los. A sétima arte também.
Sobre o primeiro livro do cânone bíblico podem-se ter várias opiniões e dissertar várias conclusões, mas tenho para mim uma que sempre achei desconcertante: é que revela-nos a crueza da Criação à Destruição! Com este filme «Noé» aguarda-se portanto um "Dilúvio"... 

"Será isto o fim de tudo?" - Questiona a Paramount Pictures no seu facebook oficial.

 

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Paulo Jerónimo

 

 

Estreia nos cinemas a 10 de abril

Realizador: Darren Aronofsky

com

Russell Crowe

Jennifer Connelly

Emma Watson

Anthony Hopkins

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O filme SnowPiercer é uma obra prima e um grande filme de antecipação cientifica, já que a acção se passa num futuro próximo, em 2031.

 

O realizador Coreano, Bong Joon-ho, transcende o género fantástico e autoriza um olhar sobre os possíveis futuros da nossa espécie. Como na Banda Desenhada - o filme é uma adaptação da Bd Francesa, Transperceneige, de B. Legrand, J-M Rochette e Jacques Lob - um trem anda sem parar à volta duma Terra completamente gelada e coberta de neve. É o último refúgio para a humanidade. A glaciação do planeta é fruto duma experiência falhada para lutar contra o aquecimento global.

 

O trem que produz água e energia, graças à neve que a locomotiva "engole", é uma espécie de Arca de Noé. Esta jangada sobre carris apresenta também um retrato realista da Humanidade: Nas carruagens da frente vivem os dominantes, aqueles que possuem o conforto e o acesso ao bem estar. Fazendo ecrã ou fronteira com as carruagens dos esfomeados e dos ignorantes, existem as carruagens do exército. E, finalmente, a locomotiva onde vive o criador e condutor do trem. É um chefe de estado e um deus vivo.

 

Após revoltas passadas, Gilliam e Curtis decidem organizar uma nova revolta. A luta pela liberdade e pela dignidade vai passar pela atrevessia das inúmeras carruagens. A conquista de cada carruagem, até à locomotiva, apresenta imensas surpresas.

 

A acção impressionante deste filme parece ser um apelo sem equivoco para recusar a animalidade, a exploração do homem pelo homem, em suma, o intolerável quem diariamente, nos gabam em nome dum longínquo e nebuloso pragmatismo.

O realizador mostra como o pior (e o melhor) da humanidade se reconstituem no "cavalo de ferro".

 

 

Nuno

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Traduzida e publicada em 18 línguas, a Banda Desenhada Walkind Dead é um sucesso editorial mundial que parece incomodar. Como qualificar e explicar este êxito que levou esta Bd a ser, igualmente, o esqueleto e a estrutura duma série TV de renome?

 

Contrariamente ao que se poderia pensar, a criação de Robert Kirkman, cenarista norte-americano, conhece uma enorme divulgação na Europa, existindo 15 adaptações diferentes, não se contabilizando, por razões óbvias o Reino Unido. Se países como a França, a Alemanha ou a Espanha acompanham o ritmo de publicação norte americano desde a publicação do tomo:1 (2005), já países como a Hungria ou Portugal só em 2011 e 2010, respectivamente, iniciaram a publicação traduzida do primeiro tomo.

 

Na Ásia, três países publicam e traduzem a série: Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A afirmação de Walking Dead num universo dominado pelo grafismo da Bd Manga é uma proeza que deve ser evidenciada. Foi a Coreia do Sul, logo seguida pelo Japão, quem inaugurou a edição da série, havendo já 9 tomos publicados desde 2011.

 

Na América do Sul, o Brasil foi o primeiro a editar, em 2006, a Bd de Robert Kirkman. Ou seja, acompanhando o nascimento da Bd e com 5 anos de avanço em relação à Argentina, Chile, México e Peru. 

 

Nascida nos Usa, contaminando as terras anglófonas, Austrália, Irlanda, Reino Unido... e, em seguida, grande parte do planeta, Walking Dead passou, também, a ser uma Bd adaptada à televisão nos países onde existe, exceptuando na Hungria. 

 

Vários textos que se debruçam sobre a Bd apresentam análises e observações que reenviam para o apocalipse. Penso que Walking Dead é muito mais do que uma mera metáfora do simbolismo mítico do Apocalipse e do Juízo Final. É a tentativa dum questionamento sobre o relacionamento e os comportamentos humanos alienados por um mundo dominado por uma sociedade onde tudo é mercadoria e troca, inclusive o próprio ser humano.

 

O retorno dos mortos à convivência com os vivos constitui a acção central que conduz a intriga. Em Walking Dead, os autores introduzem-nos num mundo diferente. O relato não nos fornece nenhuma indicação lógica e coerente, quanto à explicação dos acontecimentos. O agente de polícia Rick Grimes, após um tiroteio contra bandidos, acorda num mundo povoado, essencialmente, por mortos vivos. Nenhuma informação nos é dada perante esta ambiguidade. A medida que a narração evolui, aceitando-se o pacto de leitura, acabamos por decifrar de maneira racional elementos sobrenaturais.

 

Para tornar aceitável o fio condutor do relato, os autores vão introduzir  progressivamente eventos que focam a condição humana. E, imediatamente, ressalva que, no âmbito dum meio ambiente hóstil, a espécie humana só existe colectivamente. O recurso ao fantástico desentroniza o mito da viabilidade do indivíduo só no mundo. Robinson Crusoé, sobrevivendo isolado na sua ilha longínqua, é um ser muito mais irreal que Rick Grimes e os seus companheiros. E, paralelamente, só uma compreensão recíproca permite ao grupo de Rick sobreviver perante os perigos exteriores. E não é um paradoxo se os perigos mais reais decorrem dos grupos humanos cujos relacionamentos assentam em relações de opressão violenta entre os indivíduos. O exemplo da sociedade dirigida pelo "Governador" é ilustrativo disso. Os mortos vivos, abstraindo-se a dinâmica do número ou da quantidade, acabam por ser inofensivos.

 

Em Walking Dead, uma pintura realista, a da condição humana, alia-se com o fantástico, o regresso dos mortos vivos. A descrição das leis que autorizam a opressão na sociedade já não pode ser feita segundo as normas convencionais. A terceira vinheta do primeiro tomo e, logo, da série é elucidativa. O fugitivo prefere morrer a voltar para a prisão. Todavia, como o questionamento sobre a existência humana não pode prescindir duma abordagem realista da vida, explica-se, assim, essa aliança entre o real e o imaginário. Em simultâneo, o fantástico permite aos autores combater uma censura mais subtil: a do inconsciente. É, sem dúvida, mais fácil evocar tabus e preconceitos num contexto estranho: certos temas ou ideias serão melhor aceites se são assimilados ao fantástico. 

 

A existência dos mortos vivos provoca uma ruptura num sistema social que parecia condenado a se prolongar indefinidamente. Graças ao aparecimento dos mortos vivos, é possível "falar" da vida. O grupo de Rick é uma amostra de civilização humana. Não existe lugar para a fatalidade, certezas ou dogmas que são sinónimo de queda. Tudo é movimento e é nesse movimento que os companheiros de Rick encontram a sua salvação. A construção de mundos diferentes opõe-se ao mundo dos zombis cuja vida se assemelha à de um animal, de um predador, de um parasita que se enrosca e come o que poderia ser um semelhante seu. 

 

Os aspectos ligados ao regresso dos mortos mergulham e perdem-se na cultura popular europeia. Eles desentronizavam o sério e os dogmas que a burguesia, aquando da Renascença, foi elaborando para assinalar o seu poder e a sua ideologia. Talvez o êxito de Walking Dead possa ser explicado, em parte, por essas reminiscências. O tema do regresso dos mortos vivos, tratado debaixo duma forma carnavalesca ou não, é um dado das sociedades medievais europeias que, com as navegações marítimas, chegou às Américas. Note-se, por exemplo, que um dos maiores romances de língua Portuguesa que assenta no regresso de mortos vivos foi escrito por um Gaúcho: Incidente em Antares, Érico Veríssimo.

 

Walking Dead é uma obra que se articula em redor da condição humana. O recurso ao exagero, ao imaginário, ao sobrenatural, ao fantástico desagua na desentronização dos valores sérios ou oficiais da sociedade. A Bd inscreve-se na tradição carnavalesca e popular que nega o dogma, a fatalidade e o imobilismo. 

 

Fontes: Walking Dead - Le Magazine Officiel n°3 / Introdução à literatura fantástica - T. Todorov / L'Oeuvre de F. Rabelais - M. Bakhtine  

Nuno

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"Quando a esmola é grande o pobre desconfia" e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada - um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas - confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

 

Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: "lá tás tu Paulo... vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera..."

1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora...) bom, isto por si só já é obra.

 

"Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

 Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez... mas no todo, duvido - atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó "neurónio ressabiado", pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza..." E a Sala continuava enchendo.

 

É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de "Gabriela" ao vivo, in loco na pequena "caixa mágica" ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

 

Mas cultura? O que é isso da cultura?

Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise... há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que "sabe ler" inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude "comezinha", "portuguesinha", revivem-se memórias antigas: "cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura." Como em tudo, há que definir prioridades.

 

Alors, e o filme? O filme... bon, c'est ça: "La Cage Dorée" -  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades - aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

 

Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: "Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?".

Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo "típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses" que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

 

E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


 

Paulo C. Jerónimo

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"A floresta concentra os nossos medos. Nós vimos dela, receamos regressar nela, destruí-mo-la." - Béatrice Tillier


Foto: dBD # 73, p.47 / Texto: CASEmate, n° 59, p.76

Nuno

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James Cameron Já escolheu o elenco para o "Avatar de Belo Monte"  {#emotions_dlg.unknown}

 

  

"O Brasil, provavelmente, terá de meter aqui uma colherada."

MrCosmos a 20 de Abril de 2010


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Este post deve ser lido na continuação de A Barragem 'Belo Monte', Cameron, Le Clézio e Lula

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"O melhor Povo do Mundo" {#emotions_dlg.unknown}

  

Quatro manifestantes em nu integral no protesto frente à Assembleia da República,

após serem públicos os detalhes do Orçamento de Estado 2013, alegando que 'aquelas' são as suas armas para lutar

  


Irónico ou não, facto começa a ser que, 38 anos depois, a afirmação do Ministro Gaspar em relação às atitudes de revolta manifestas pelo povo português, são certamente uma grande questão. Um cravo aqui e teríamos a "cereja no topo do bolo".


Paulo C. Jerónimo

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J.M.G. Le Clézio obteve o prémio Nobel de literatura em 2008. O seu último romance é "Histoires du pied et autres fantaisies".


Homem duma grande descrição, J.M.G. Le Clézio, levantou a voz para protestar contra a grande publicidade que tem sido feita em torno do texto de Richard Millet: "Eloge littéraire d'Anders Breivik". O prémio Nobel denuncia o panfleto de R. Millet, lembrando que o jovem Breivik, cego pelo ódio, matou a tiro, de sangue frio, setenta e sete pessoas.

 

Le Clézio publicou a sua reacção no Le Nouvel Observateur (06-09-2012, p.9). Reproduzimos a passagem que nos parece sintetizar com clareza o que é um contributo para a compreensão da nossa Aldeia Global:

 

"A questão do multiculturalismo, que parece obcecar tanto alguns de nossos políticos e alguns dos nossos ‘chamados’ filósofos, é uma questão já antiga. Vivemos em um mundo de encontros,misturas e ‘confrontações’. As misturas e os fluxos migratórios sempre existiram, eles são os mesmos desde a origem da raça humana (única raça). O multicultural, como é chamado agora, não é mais suficiente. Ele faz guetos, culturas isoladas, e favorece o endurecimento e seus radicalismos.

A literatura é um dos meios dessa troca, a literatura é um caldeirão onde se fundem as correntes vindas dos quatro cantos da história. Mas sonhar com uma identidade nacional fixa é uma ‘ilusão’. No encontro de culturas e civilizações, cada contribuição tem a sua importância, e não podemos pedir a ninguém para renunciar a parte de seu legado."
Nuno
por PortoMaravilha | link do post

 

  

A evolução da TV, enquanto tecnologia, aliada aos meus próprios gostos e interesses pessoais, acabaram por influenciar a minha própria evolução enquanto profissional. Hoje tenho melhor noção disso.

Acompanhei quando criança, e conheci de certo modo por dentro, ao ver televisores abertos na bancada de trabalho do meu pai, o que foi a “era mais arcaica” da tecnologia a válvulas e imagens a preto e branco. Assisti e conheci a transição para a tecnologia dos aparelhos assente em transístores e integrados e o “boom” da TV a cores. Conheci tecnicamente a tecnologia envolvida nas emissões dos sinais via analógica, e ultimamente ando embrenhado na transição para a emissão digital terrestre (TDT). Por outro lado, e de certo modo na última década, estive ligado a aprendizagem e desenvolvimento da “linguagem, comunicação e estética” numa “filosofia” que tem que ver com a produção dos seus próprios conteúdos, trabalhando no sector dos audiovisuais.

Tais experiências ao longo dos anos têm-me aberto horizontes, gerado questões e opiniões, que por vezes se transformam em convicções, acabando eu próprio, não raras vezes, a avaliar esta nossa “caixa mágica” que é a televisão de forma algo crítica quanto baste.

 

A televisão entrou na casa das pessoas, “sem precisar de bater à porta”, sobretudo a partir da década de 80. Pode-se de facto considerar que de todos os equipamentos técnicos domésticos que nos permitem ter acesso a bens culturais, o que mais se destaca é sem dúvida a televisão. Não importa a que estrato social cada família pertença, pois que “toda a gente” possui um televisor.

É difícil imaginar um mercado mais competitivo do que o televisivo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ou em vários países da Europa, os telespectadores tem dezenas de canais de televisão à sua mercê entre os quais poderão optar a qual assistir. Todos os anos fortunas incalculáveis são gastas para produzir programas de televisão, com o intuito de conquistar grandes audiências. No entanto, a cada ano, uma grande parte das produções fracassa. Isto apesar de o diagnóstico estar mais que feito e de qualquer produtora de TV saber que o sucesso depende do saber definir e conquistar o seu público-alvo.

Público-alvo é o termo utilizado para indicar o segmento específico de uma audiência potencial de público que determinada emissão televisiva pretende atingir. A maioria dos anunciantes, que basicamente são quem sustenta a indústria televisiva por meio da publicidade, tem preferências demográficas. Por exemplo, se uma marca pretende publicitar calças jeans, o seu público-alvo será composto de adolescentes e jovens. Neste caso o anunciante dificilmente estará interessado em patrocinar programas de cariz político ou informativos, que atrairiam plateias mais velhas.

Um outro conceito que tem que ver com o sucesso e bom retorno do investimento televisivo passa pelo aproveitamento do horário nobre. Horário nobre refere-se a períodos de programação exibidos durante as noites ou no horário de almoço, quando a audiência é maior. A maior parte da faturação das emissoras de TV provem destas faixas horárias e representa cerca de 80% do lucro total anual das cadeias televisivas no Brasil, por exemplo. Em Portugal o horário nobre é compreendido entre as 20h e 23h. É portanto neste horário que a publicidade se torna mais cara.

Depois há as técnicas, basicamente estereotipadas, para se chamar e prender a atenção do telespectador com o objetivo de que a mensagem passe, pois disto depende o sucesso das emissões. Continuando a usar como exemplo o meio publicitário, discriminam-se algumas técnicas ou truques utilizados, o que não invalida que várias delas acabem aplicadas em outros estilos de produções, sobretudos os que se pretendem mais mediáticos.

 

  • Imagens sedutoras. Alguns anúncios vendem mais estilos de vida do que produtos. Senão, como informar objetivamente o odor de um perfume televisivamente?
  • Músicas sugestivas. O som é uma das peças chave para atrair o espectador para a cascata de imagens e sonhos que em poucos segundos são apresentadas para o convencer da qualidade do produto anunciado.
  • Bombardeamento audiovisual. Quantos planos de imagens aparecem em media nos anúncios? O ritmo é muito mais rápido que o de outros géneros televisivos.
  • Comparação radical. Apresentam-se dois produtos, do publicitado só se destaca o positivo, do opositor não se assinala o bom e contrapõe-se de forma radical (bom/mau).
  • Impulsividade. Incita-se à compra imediata, sem refletir sobre o valor objetivo do produto anunciado.
  • Reiteração. Repete-se até à exaustão um anúncio publicitário, para fazer o telespectador interiorizar a «qualidade» do produto.
  • Inovação. Vende-se como novo algo que já o foi uma infinidade de vezes. A novidade continua a ser um valor que atrai, capta e vende socialmente.
  • Slogans e sons. Frases simples, facilmente memoráveis e familiares, conseguem que os telespectadores recordem a marca durante todo o dia; também quando vão às compras.

 

Dados apontam que uma pessoa passa em média três horas por dia a assistir televisão. O sector audiovisual na União Europeia representa mais de um milhão de postos de trabalho. É um sector que move grandes interesses comerciais conforme explanado, mas que também deve colocar questões de diversidade cultural, de serviço público e de responsabilidade social. É portanto nesta vertente que se pode considerar que surgem confrontos entre valores e interesses, onde sinceramente os pratos da balança sofrem um forte desequilíbrio acabando a televisão, pelo seu poder junto das sociedades, por influir na sua decadência.

 

Resuma-se portanto a este propósito naquela que considero (inclusive pela própria experiência profissional) como uma das mais poderosas armas esgrimidas pela  linguagem audiovisual, está que infelizmente, no sector televisivo, é basicamente mercenária, e que se encontra fora da perceção obvia ou consciente dos telespectadores mas que ganha consistência com o tempo, acabando por entram na esfera do consciente e por influenciar o modo de pensar e de agir. Refiro-me a filosofia e ao “poder” das «mensagens subliminares», neste campo sempre presentes. Com os seus conteúdos a televisão tende a nivelar as mentes dos que assistem às transmissões e será ingénuo desperceber que quem dirige os canais televisivos tem prioritariamente objetivos comerciais. Como tal, considere-se que  “o poder da antena” manifesta-se em grande medida no dar azo à capacidade de formar mentalidades, manipular consciências, do proveito da persuasão e o desbarato da argumentação. Vide casos mediáticos como os de “Maddie Mccan”; “Esmeralda”; “Escutas Telefónicas”; etc.

Conforme a legislação europeia e já aqui referido, ao sector industrial da área da televisão são delegadas responsabilidades de diversidade cultural, de serviço público ou responsabilidade social, exigindo-se sobretudo dos canais dos Estados que deem o exemplo, mas tal responsabilidade - desenganemo-nos -  não se espere que venha a ser assumida pela televisão.

Educar significa contribuir para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa por meio de boas relações com a realidade em que tal pessoa vai vivendo. Assim a educação não pode ser concebida como qualquer coisa estática, à margem da experiência concreta do educando.

Relacionado com o fenómeno de comunicação para “massas” sem grande investimento literário, encontrou-se na década de 90 a designação de uma nova realidade ainda não catalogada por sociólogos ou classificada em dicionários. Trata-se da expressão "Pimba" que passa a aplicar-se a tudo o que tem que ver com a invasão dos circuitos de comunicação e entretenimento de massas (televisão, rádio, edições fonográficas, cinema, imprensa, etc.) pelo gosto popularucho, suburbano e banal (por vezes ordinário) de uma grande maioria da população que se mantém semianalfabeta, pouco exigente e dada à boçalidade e ao riso prosaico. Uma breve consulta pelas grelhas de programação das televisões generalistas é, quanto a isto, esclarecedora.

 

A reflexão e a experiência ao longo dos tempos tem-se tornado esclarecedora. Entre amigos ou conhecidos, em fugazes comentários ou pequenas tertúlias, sabe quem me conhece que facilmente será por esta ordem de ideias, mais ou menos balizadas, que cairá o meu argumento quando se comentam casos mediáticos na ordem do dia ou as trivialidades dos efémeros programas de entretenimento em voga pela “Antena Emissora Portuguesa”.

Verificar tal proselitismo de ideias e ideais impingidos entre o comum dos cidadãos são coisas que me aborrecem sobremaneira. 

Quando em 1939 a RCA Corporation apresentou o primeiro protótipo de um televisor, estava-se longe de imaginar a influência que tal aparelho viria a exercer sobre a vida das pessoas. Hoje pode-se compreender que a evolução da televisão generalista nas últimas décadas tem amiúde demonstrado que, premir o botão que a desliga, pode não raras vezes, ser uma das ações mais ajustada!

 

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

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O mundo evoluiu, e evoluiu a vários níveis, mas uma das vertentes dessa evolução e que interfere com tudo o resto, a que se pode considerar mais marcante e preponderante no quotidiano dos cidadãos desta pequena “Aldeia Global” em que o planeta se tornou, tem que ver com os da evolução tecnológica. 

Os modos de interação do próprio homem enquanto indivíduo têm sido inatamente, e por culpa dela, modificados no último século, e isso é por demais evidente, sendo observavel desde logo nas camadas mais jovens, as crianças.

 

Os jogos fazem parte da história da evolução humana, constituindo uma parte fundamental na sua cultura. Segundo Huizinga (1971), o jogo é primitivo, anterior à cultura, e é parte da vida individual e da sociedade. Portanto, é um processo inerente à mesma, e não o resultado de uma expressão cultural. Para este autor, o jogo é essencial para a humanidade, parte integrante da vida, e tem uma função vital para a sociedade e cultura. Partindo desta premissa, proponha-se:

 

Uma breve reflexão sobre os jogos: modo vs género«

 

Se observarmos, na vertente das brincadeiras e passatempos da mocidade, e não obstante existirem fáceis conclusões consensualizadas de que “no meu tempo é que era bom” – até porque provavelmente não será fácil pôr algum sentimento de saudosismo e nostalgia de parte nestas alturas de comparação - observe-se no entanto que a tradição de muitos dos jogos antigos se mantiveram intactos até os nossos dias, continuando o mesmo género de brincadeiras a predominar sobretudo nos pátios e recreios escolares durante a primeira infância, tendo passando de geração em geração, o que só nos pode parece salutar. Não será difícil, a um bom observador, continuar a encontrar a prática dos jogos tidos por tradicionais, em tais recintos.

 

A grande diferença e evolução que se verifica, encontramo-las mais no modo do que propriamente no género de brincadeiras que se praticam, sobretudo na entrada da pré-adolescência,  tendo em conta que, como em tudo o resto, também a recreação das crianças e adolescentes sofreu o respetivo progresso relacionado com a “evolução dos tempos”. De resto, tal não será característica exclusiva dos mais novos. Se não, que dizer da evolução sofrida na recreação e passatempos entre a população mais adulta, por exemplo? Quem vai hoje em dia ao cinema, ao teatro, “à bola” – assistir à partida de futebol do clube da terra?

Parece plausível que tal evolução dos tempos está presente no quotidiano de qualquer faixa etária, não será um exclusivo dos modos de recreação dos mais novos como por vezes  a critica dos mais velhos tende a fazer parecer.

 

O problema é que as atividades em estilo de recreio em grupo  são cada vez mais escassas e substituídas por atividades individualistas. As brincadeiras e recreação deixaram de ser praticadas ao ar livre para serem cada vez mais praticadas em recintos fechados. Primeiro, talvez por “culpa” da televisão, que nos empurrava paulatinamente para dentro de casa, mas ainda assim, assistia-se a estes eventos televisivos em conjunto, fosse mais familiar ou entre amigos, até porque a oferta não era muita ou diversificada. Depois, e com a expansão da internet, o aparecimento de chats de conversação, mensagens instantâneas, e mais tarde, das redes sociais online, foi crescente  a grande abertura para o isolamento cada vez maior que tal proporcionou.

 

Mas a evolução tecnológica não será certamente “culpa solteira” neste fenómeno. O aumento de criminalidade crescente e consequente falta de segurança cada vez maior entre as sociedades em meios mais ou menos urbanos, também é um fator relevante e “castrador” na quebra do “à vontade” com que antigamente se permitia o vaguear pelas ruas, inocente e descansadamente.

Portanto, não diria, de todo, e ao contrário do que parece ser uma ideia um pouco generalizada, que o género (tecnológico) dos novos jogos e passatempos da atualidade tenham vindo a prejudicar o desenvolvimento, da juventude em formação. Antes, questionável parece ser o que o modo (individualista e descontrolado) dos mesmos, em grande escala, podem vir a desempenhar. No entanto, estes tratam-se de apenas mais uma das vertentes contributivas para o isolamento do individuo, que acompanhou toda uma era tecnologicamente evolutiva, e tendo em conta que o “jogar” é um fenómeno e uma carência intrínseca na humanidade.

 

Jogos Eletrónicos: da revolução à popularização«

 

Entre as características mais significativas dos jogos está o "fazer de conta". Presente em todos os jogos eletrónicos, ele auxiliou a revolucionar o mundo do jogo, transformando-o em um ambiente totalmente interativo. Apesar dos limites tecnológicos (sempre presentes), o "fazer de conta" digital permite que o jogador interaja com o mundo virtual (em ambiente gráfico). Isso tornou-se um auxílio para a imaginação, e contribuiu para o crescimento do interesse pelo jogo eletrónico, já que este ilustra o mundo do jogo de uma forma totalmente interativa. Neste sentido, os jogos eletrónicos inovaram o "fazer de conta".  Ou talvez não….

As opiniões são sempre discutíveis, e não será difícil questionar este último raciocínio se quisermos levar em conta o exemplo da televisão em detrimento da leitura, que tende a desencorajar o estímulo da imaginação do espectador, por culpa da exposição direta de uma mensagem que dispensa a respetiva transformação imaginária em imagens, pois está tudo lá, na tela. Será tal paradoxo aplicável ao caso dos jogos eletrónicos e seus cenários virtuais?

 

 

 

 

É com a introdução do Game Boy da Nintendo que se dá a revolução e popularização dos jogos eletrónicos entre os pupilos dos finais anos oitenta, em detrimento dos jogos de cariz mais tradicionais e artesanais.

Consequentemente, mais do que saber e comparar o tipo de quadro, tamanho de roda ou caixa pedaleira da bicicleta, ou o tipo de boneca  X, Y ou Z, a terminologia e características eletrónicas dos brinquedos passariam a fazer parte do vocabulário da juventude: eis que iniciava a era dos bits e dos bytes.

A evolução foi de facto tremenda, e a tecnologia, tema que, pessoalmente nunca me  foi indiferente (pelo contrário) passaria a fazer parte das temáticas da juventude.

Se recordar o prazer proporcionado pelo 1.º Game Boy de ecrã a preto e branco com  processador que corria à velocidade relógio de 4,19 Mhz - com o mesmo sorriso nos lábios de outrora - é uma boa memória, já pensar nos inacessíveis para a maioria das posses económicas da famílias portuguesas, dos microcomputadores para jogos, hoje arcaicos, os Sinclair ZX Spectrum lançados no inicio da década de 80, baseados num processador Zilog Z80-A a 3,50 MHz com 16 Kbytes de memória RAM, e que estava disponível em duas versões: uma com 16 Kbytes de RAM e outra com 48 Kbytes, pode significar o reviver de algum amargo de boca para muitos...

Este último modelo seria durante anos apenas um sonho para a maioria dos adolescentes dos anos 80.

 

Daí a importância preponderante que o Game Boy viria a representar para a geração no final dessa década, pois apesar de já ser uma realidade a introdução dos jogos eletrónicos desde o início da década, seria com este modelo de bolso, e sobretudo graças às marcas brancas deste tipo de jogos que surgiriam a pensar nas grandes massas, que se viria a democratizar os jogos eletrónicos acessíveis, até aí apenas entre algumas elites privilegiadas.

Pensar na possibilidade de jogar em aparelhos que usavam estas grandezas de capacidades de processamento/armazenamento (1 Kilobyte = 1.000 bytes), nos tempos correntes, quando os graus de grandeza e escala “corriqueiros” rondam os Gigabytes (1Gb = 1.000.000.000 bytes aproximadamente) será um simples exemplo da rápida e constante evolução tecnológica sempre em crescente.

Pode-se dizer que os primeiros jogos electrónicos mais não foram do que protótipos para estudar a capacidade de certas máquinas. A sua criação foi um reconhecimento e materialização do fator lúdico na cultura, mas também na atividade científica.


Atualmente, os jogos eletrónicos, sobretudo os jogos online, ocupam um lugar cada vez mais significativo na vida das pessoas, nomeadamente os mais jovens, pois eles também introduziram uma nova forma de comunicação entre elas, influenciando assim a sociedade e a cultura. As atividades lúdicas têm papéis fundamentais no desenvolvimento social. Já os jogos eletrónicos, além do desenvolvimento social, influenciam diretamente o desenvolvimento científico e tecnológico, tendo sido aproveitados pela industria particularmente como cobaias do desenvolvimento.

  

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Se por vezes me questiono sobre a necessidade de alguma coragem para um Português atual se envolver, mesmo que esporadicamente, com o idioma francófono, não tenho qualquer dúvida de que aplicar a língua de Asterix e Obelix neste pais - onde a mentalidade "tuga" ainda polula - exige no mínimo e sem dúvida de ousadia.

O tema do dia hoje pelo Facebook passou por aqui. 

A coreografa e professora de dança Vanda Costa ousou concluir um espetáculo de dança, de forma sublime ao som do tema "Le Sens de La Vie" da artista Tal, a "Rihanna francessa" (chamemos-lhe assim)  e como tal, diz que não se livrou de ser questionada sobre o uso do francês ali.

 

Nada que se estranhe entre o Mui Nobre Povo. Apenas mais um apanágio dum pais complexado por muitos dos "seus" , entre outros. Um povo mais enebriado por gostos prosaicos, bafejados por demasiadas americanadas boçais ou inglesadas banais. São os yes man atuais.

Com a foto no topo, entretanto partilhada no FB da Gisleuda Gabriel, se poupa o meu parlapié. Azar de quem a não sabe "ler".

 

 

PS: mas se até a artista no videoclip oficial (link) comete o contrasenso de ostentar Nova Yorque... Há quem não se importe de descer uns degraus. Perdoai-lhes Senhor...

--

Este post pode ser lido na continuação de Os Portugueses continuam a saber rir de sí mesmos... et "c'est ça que c'est bon!"


Paulo Jerónimo

por MrCosmos | link do post

 

 

O primeiro ministro Português actual chama-se Coelho e, politicamente, não honra a inteligência dos ilustres descendentes de Gama. Um dos coelhinhos dos meus filhos, denominado Gama, teve uma vasta e robusta descendência que desempenhou funções pedagógicas, sociais e culturais em vários infantários e escolas primárias. Todos sobreviveram e nenhum foi guisado.

 

O Coelho Português parece que esqueceu a história de Gama e dos seus descendentes e aboliu o Ministério da Cultura. Qualquer cidadã e qualquer cidadão do mundo não pode entender esta decisão. A cultura, a arte não servem só para promover a imagem e os artistas dum país ou duma região. São tambem um factor de paz, permitindo o diálogo e o reconhecimento mútuo. E, sobretudo, a cultura, no âmbito das suas manifestações, é uma actividade que permite a emancipação e que permite lutar contra a alienação. A condição para que um homem seja livre é que ele seja culto.

 

O primeiro ministério da cultura nasce em França em 1959. Na altura, a maior parte dos países não entendem a iniciativa, embora a Dinamarca acompanhe a novidade, criando em 1961 o seu ministério da cultura. O General De Gaulle pensa que a projecão internacional do país também deve passar pela arte e pela cultura. O famoso escritor André Malraux é nomeado à cabeça do "Ministère de Affaires Culturelles". Passado meio século, a França é o primeiro destino turístico do mundo. Não se visita só a França pela variedade infinita dos seus climas, pela qualidade das suas praias, das suas montanhas, dos seus vales... também se visita a França pelo tesouro que constitui os seus patrimónios históricos, a riqueza dos seus museus, o número impressionante de festivais e de eventos culturais. E o turismo é uma das primeiras indústrias do mundo.

 

Em Portugal, o ministério da cultura só aparece em 1995 com o governo Gueterres (socialista). Durou pouco. Mas a história sempre nos ensinou que as ditaduras e os seus descendentes abominam a cultura, fonte de memória livre. Assim, o encerramento do ministério da Cultura parece um absurdo quando se verifica que as artes Portuguesas estão a serem consagradas e reconhecidas internacionalmente. Em contrapartida, apoiam-se manifestações que visam a exploração dos trabalhadores e da classe média Portuguesa. A organização do "1° Salon de l'Immobilier Portugais", de 14 a 16 de Setembro, irá decorrer em Paris. Este acontecimento, organizado por "La Chambre de Commerce de l'Industrie Franco-Portugaise (CCIFP)", visa a venda de bens imobiliários, novos ou antigos, em Portugal. O que estava à venda, por exemplo, por 250 000 euros será oferecido por 100 000 euros. 

 

Sabemos que, em França, Portugal está muito longe de ser o destino preferido dos aposentados que compram casa no estrangeiro para gozar a reforma. Também já não é o destino exclusivo dos Franceses cujo os avôs ou uma parte dos avôs são ou eram Portugueses. Os pais espiritais, Cavaco e Barroso, do actual primeiro ministro Coelho, reduziram a identidade cultural de Portugal ao Sol e à Praia. Ao trabalho dos pais, ao Sol e à Praia, Coelho quer acrescentar uma casa com piscina.

 

Fica para saber se a piscina será de água doce ou salgada: Isto a propósito de ter lido que a obra de A. de Siza em Leça está ao abandono. 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 


Dennis Meadows que estava presente na primeira conferência (Estocolmo 1972) declarou: "A nossa visão a curto prazo está-se a quebrar contra a realidade física do nosso planeta".

fonte: Libé-mag, 16-17 Jun 2012, p.VII" / Desenho: ?
Nuno
por PortoMaravilha | link do post

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