her é um filme escrito e realizado por Spike Jonze. Um filme em que a ficção pode ser realidade e onde as semelhanças com as nossas vivências não são, totalmente, fortuitas. A película descreve um universo em que os computadores têm consciência de si próprios e de outrem. Um universo em que os computadores inter-reagem com cada um de nós. Assim, Spike Jonza remete para uma era digital que, no fundo, pode estar mais ou menos próxima. 

 

Teodoro vive na cidade de Los Angeles, urbe em que tudo pode ser possível. Teodoro domina perfeitamente bem a escrita. Sabe fabricar as boas frases e encontrar as palavras exactas para descrever os sentimentos e falar de amor.  

Apesar destas qualidades, Teodoro vive só, sofrendo com a solidão. O seu apartamento, o seu lar é demasiado grande e, esse espaço, reenvia-o para o divorcio, para o falhanço do seu único casamento com Catarina. Os jogos vídeos, os vários ornamentos em 3D não compensam as noites solitárias. 

Para combater o vazio e o tédio da sua vivência, Teodoro investe na compra dum programa informatico, uma inteligência artificial concebida para se adaptar à personalidade de cada humano, ou seja, a voz de Samanta. E, assim, a voz feminina suave, intuitiva e divertida de Samanta vai seduzir Teodoro que, pouco a pouco, vai ficar loucamente apaixonado.

Eis o ponto de partida para um idílio insensato e irreal. A magia do relato assenta nos inúmeros detalhes agenciados por Spike Jonze, tal como a proeza dos actores, tornando realista, romântico e poético o que, inicialmente, não o era.

 

 

Ficha Técnica: her, realizado por Spike Jonze, com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Patt... - voz de Scarlett Johansson / USA 2014, 2h06, cores

 

Nuno

 

 

 

 

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"Viver só em Lisboa, com 11 anos, era muito complicado. A língua é quase diferente. Não é absolutamente nada o mesmo sotaque que na Madeira. Não compreendia nada."

 

Cristiano Ronaldo

So Foot-Junior, mai 2014, p.37 

Nuno

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Dois jornalistas, ou seja, um reporter já de idade e machista e uma jovem feminista, são enviados a Portugal em Abril de 1974. Acompanhados por Bob, um técnico perto da reforma, são encarregados de cobrirem, para a Televisão Suiça, o contributo das doações Helvéticas para o desenvolvimento das escolas no Portugal fascista.

 

Apesar da boa vontade de Pelé, o jovem tradutor Português, nada ocorre como previsto. Os temas pensados estão longe de serem interessantes e, além disso, existe muita tensão entre os dois jornalistas. A pequena comitiva decide, assim, abandonar o seu projeto de reportagem quando, subitamente, surge a Revolução. Um acontecimento que vai ditar e acelerar a democratização da Espanha, Grécia... 

 

Esta mesma equipa vai dar cobertura jornalística a este evento, vivendo momento raros. Les Grandes Ondes (à L'OUEST) é uma comédia histórica onde a poesia e o burlesco coabitam. O realizador Suíço, Lionel Baier, realizou um filme com poucos meios. Contudo, graças a uma alegre e descomplexada mistura de géneros - até uma sequência comédia musical apresenta - o filme ganhou uma dimensão, certamente, inesperada. Sem publicidade, não passando em todas as salas, a realização de Lionel Baier soube seduzir os telespectadores que se fizeram seus embaixadores... Esta ultima razão explica que o filme ja esteja auto-financiado e, igualmente, que tenha sido eleito por entidades culturais e recreativas Franco - Portuguesas como suporte de festejos do 40° aniversario do 25 de Abril de 1974.

 

Ficha técnica: Suiço, Fr, Pt - 2014 - 1h24 - a cores

Realizado por Lionel Baier. Com: Valérie Donzelli, M. Vuillermorz, Patrick Lapp, Francisco Belard, Jean-Stéphane Bron

 

Nuno

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A imprensa Francesa ganhou mais um título neste mês de Abril: So Foot-Junior. O lançamento desta publicação, protagonizado pela prestigiada revista So Foot, foi salientado pelos mídia. É, após So Film e So Film-España, o último capítulo publicado, mas certamente não o derradeiro, duma aventura editorial que começou com quatrocentos euros.

A revista, como o deixa entrever o seu nome, é destinada, sobretudo, a jovens e adolescentes. Contudo, certas "más línguas", dizem que vai ser confiscada pelos pais e adultos. Este primeiro número apresenta um dossier central dedicado a Cristiano Ronaldo que tem, por essa razão, as honras da capa.

 

Outro caderno interessante é aquele que, resumindo a história recente do futebol, aponta várias definições e escolhas do clube ideal. O único clube Português a ser citado é o FC Porto e relativamente aos itens aqui apresentados. 

E quem acredita que o Benfica é o clube com mais sócios no mundo pensa que o Sol anda à volta da Terra.

Fonte: So Foot-junior, mai 2014, pp. 48-49

 

Nuno

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O filme SnowPiercer é uma obra prima e um grande filme de antecipação cientifica, já que a acção se passa num futuro próximo, em 2031.

 

O realizador Coreano, Bong Joon-ho, transcende o género fantástico e autoriza um olhar sobre os possíveis futuros da nossa espécie. Como na Banda Desenhada - o filme é uma adaptação da Bd Francesa, Transperceneige, de B. Legrand, J-M Rochette e Jacques Lob - um trem anda sem parar à volta duma Terra completamente gelada e coberta de neve. É o último refúgio para a humanidade. A glaciação do planeta é fruto duma experiência falhada para lutar contra o aquecimento global.

 

O trem que produz água e energia, graças à neve que a locomotiva "engole", é uma espécie de Arca de Noé. Esta jangada sobre carris apresenta também um retrato realista da Humanidade: Nas carruagens da frente vivem os dominantes, aqueles que possuem o conforto e o acesso ao bem estar. Fazendo ecrã ou fronteira com as carruagens dos esfomeados e dos ignorantes, existem as carruagens do exército. E, finalmente, a locomotiva onde vive o criador e condutor do trem. É um chefe de estado e um deus vivo.

 

Após revoltas passadas, Gilliam e Curtis decidem organizar uma nova revolta. A luta pela liberdade e pela dignidade vai passar pela atrevessia das inúmeras carruagens. A conquista de cada carruagem, até à locomotiva, apresenta imensas surpresas.

 

A acção impressionante deste filme parece ser um apelo sem equivoco para recusar a animalidade, a exploração do homem pelo homem, em suma, o intolerável quem diariamente, nos gabam em nome dum longínquo e nebuloso pragmatismo.

O realizador mostra como o pior (e o melhor) da humanidade se reconstituem no "cavalo de ferro".

 

 

Nuno

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A biografia futebolística de Gianni Rivera parece ter sido esquecida e diluída nas "brumas da memória", dando-se maior relevo às declarações filosóficas do Brasileiro Sócrates, às considerações terceiro-mundistas de Maradona, às concepções tácticas de Johan Cruyff, ao "design" de Beckham ou de C. Ronaldo...

Gianni Rivera foi campeão Europeu em 1969 com o Milão AC (4-1 contra o Ajax) e, em 1970, foi, com a selecção Brasileira, uma das "grandezas" da Copa do Mundo, no México. E, isto, por duas razões: Qualificou a Itália para a final (golo aos 111 minutos, contra a RFA) e apenas joga os derradeiros cinco minutos, na final perdida contra o Brasil (4-1).

 

Gianni Rivera é na altura, momento em que o futebol se torna cada vez mais atlético, muito criticado, pela imprensa Italiana, devido à sua constituição física. Chega a ser denominado "bom futebolista para jogos amigáveis" ou "sacristãozinho"...

Na entrevista que deu à revista So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163, decorridos 40 anos, Rivera continua igual a si próprio, declarado:

 

"Ser treinador? Não tinha vontade de passar toda a minha vida em fato de treino."

 

E, para concluir, este remate:

 

"O futebol são duas coisas: a visão do jogo e a técnica. Alguns vêem o que é preciso fazer, mas não têm posses para o realizar. Alguns, ainda, sabem fazer tudo com uma bola, salvo o que seria preciso fazer. Eu tinha estas duas qualidades."

 

Fonte:  So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163

Nuno

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BD "Le bleu est une couleur chaude", p.79

 

O ideal é sempre poder ver um filme sem saber demasiado a seu respeito.

E o essencial é: Pela primeira vez, na história do cinema, uma adaptação duma Banda Desenhada à tela ganhou um prémio prestigioso, a Palma de Ouro 2013. A critica e os espectadores são unânimes quanto à beleza da fita.

La vie d'Adèle, realizado por Abdellatif Kechiche, não é, contudo, uma adaptação totalmente fiel do livro Le bleu est une couleur chaude, concebido e desenhado por Julie Maroh, na medida em que o relato final é diferente.

 

La vie d'Adèle, embora proibido aos menores de 12 anos, não é um filme pornográfico. É, isso sim, a narração duma aprendizagem iniciática na qual o questionamento da paixão ultrapassa a problemática da orientação sexual. No final, um tema clássico: O amor absoluto e a sua compatibilidade com as exigências culturais e sociais...

 

 

Fontes: Extrato do filme; ilustração - detalhe da Bd, p.79, ed. Glénat 

Nuno

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Traduzida e publicada em 18 línguas, a Banda Desenhada Walkind Dead é um sucesso editorial mundial que parece incomodar. Como qualificar e explicar este êxito que levou esta Bd a ser, igualmente, o esqueleto e a estrutura duma série TV de renome?

 

Contrariamente ao que se poderia pensar, a criação de Robert Kirkman, cenarista norte-americano, conhece uma enorme divulgação na Europa, existindo 15 adaptações diferentes, não se contabilizando, por razões óbvias o Reino Unido. Se países como a França, a Alemanha ou a Espanha acompanham o ritmo de publicação norte americano desde a publicação do tomo:1 (2005), já países como a Hungria ou Portugal só em 2011 e 2010, respectivamente, iniciaram a publicação traduzida do primeiro tomo.

 

Na Ásia, três países publicam e traduzem a série: Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A afirmação de Walking Dead num universo dominado pelo grafismo da Bd Manga é uma proeza que deve ser evidenciada. Foi a Coreia do Sul, logo seguida pelo Japão, quem inaugurou a edição da série, havendo já 9 tomos publicados desde 2011.

 

Na América do Sul, o Brasil foi o primeiro a editar, em 2006, a Bd de Robert Kirkman. Ou seja, acompanhando o nascimento da Bd e com 5 anos de avanço em relação à Argentina, Chile, México e Peru. 

 

Nascida nos Usa, contaminando as terras anglófonas, Austrália, Irlanda, Reino Unido... e, em seguida, grande parte do planeta, Walking Dead passou, também, a ser uma Bd adaptada à televisão nos países onde existe, exceptuando na Hungria. 

 

Vários textos que se debruçam sobre a Bd apresentam análises e observações que reenviam para o apocalipse. Penso que Walking Dead é muito mais do que uma mera metáfora do simbolismo mítico do Apocalipse e do Juízo Final. É a tentativa dum questionamento sobre o relacionamento e os comportamentos humanos alienados por um mundo dominado por uma sociedade onde tudo é mercadoria e troca, inclusive o próprio ser humano.

 

O retorno dos mortos à convivência com os vivos constitui a acção central que conduz a intriga. Em Walking Dead, os autores introduzem-nos num mundo diferente. O relato não nos fornece nenhuma indicação lógica e coerente, quanto à explicação dos acontecimentos. O agente de polícia Rick Grimes, após um tiroteio contra bandidos, acorda num mundo povoado, essencialmente, por mortos vivos. Nenhuma informação nos é dada perante esta ambiguidade. A medida que a narração evolui, aceitando-se o pacto de leitura, acabamos por decifrar de maneira racional elementos sobrenaturais.

 

Para tornar aceitável o fio condutor do relato, os autores vão introduzir  progressivamente eventos que focam a condição humana. E, imediatamente, ressalva que, no âmbito dum meio ambiente hóstil, a espécie humana só existe colectivamente. O recurso ao fantástico desentroniza o mito da viabilidade do indivíduo só no mundo. Robinson Crusoé, sobrevivendo isolado na sua ilha longínqua, é um ser muito mais irreal que Rick Grimes e os seus companheiros. E, paralelamente, só uma compreensão recíproca permite ao grupo de Rick sobreviver perante os perigos exteriores. E não é um paradoxo se os perigos mais reais decorrem dos grupos humanos cujos relacionamentos assentam em relações de opressão violenta entre os indivíduos. O exemplo da sociedade dirigida pelo "Governador" é ilustrativo disso. Os mortos vivos, abstraindo-se a dinâmica do número ou da quantidade, acabam por ser inofensivos.

 

Em Walking Dead, uma pintura realista, a da condição humana, alia-se com o fantástico, o regresso dos mortos vivos. A descrição das leis que autorizam a opressão na sociedade já não pode ser feita segundo as normas convencionais. A terceira vinheta do primeiro tomo e, logo, da série é elucidativa. O fugitivo prefere morrer a voltar para a prisão. Todavia, como o questionamento sobre a existência humana não pode prescindir duma abordagem realista da vida, explica-se, assim, essa aliança entre o real e o imaginário. Em simultâneo, o fantástico permite aos autores combater uma censura mais subtil: a do inconsciente. É, sem dúvida, mais fácil evocar tabus e preconceitos num contexto estranho: certos temas ou ideias serão melhor aceites se são assimilados ao fantástico. 

 

A existência dos mortos vivos provoca uma ruptura num sistema social que parecia condenado a se prolongar indefinidamente. Graças ao aparecimento dos mortos vivos, é possível "falar" da vida. O grupo de Rick é uma amostra de civilização humana. Não existe lugar para a fatalidade, certezas ou dogmas que são sinónimo de queda. Tudo é movimento e é nesse movimento que os companheiros de Rick encontram a sua salvação. A construção de mundos diferentes opõe-se ao mundo dos zombis cuja vida se assemelha à de um animal, de um predador, de um parasita que se enrosca e come o que poderia ser um semelhante seu. 

 

Os aspectos ligados ao regresso dos mortos mergulham e perdem-se na cultura popular europeia. Eles desentronizavam o sério e os dogmas que a burguesia, aquando da Renascença, foi elaborando para assinalar o seu poder e a sua ideologia. Talvez o êxito de Walking Dead possa ser explicado, em parte, por essas reminiscências. O tema do regresso dos mortos vivos, tratado debaixo duma forma carnavalesca ou não, é um dado das sociedades medievais europeias que, com as navegações marítimas, chegou às Américas. Note-se, por exemplo, que um dos maiores romances de língua Portuguesa que assenta no regresso de mortos vivos foi escrito por um Gaúcho: Incidente em Antares, Érico Veríssimo.

 

Walking Dead é uma obra que se articula em redor da condição humana. O recurso ao exagero, ao imaginário, ao sobrenatural, ao fantástico desagua na desentronização dos valores sérios ou oficiais da sociedade. A Bd inscreve-se na tradição carnavalesca e popular que nega o dogma, a fatalidade e o imobilismo. 

 

Fontes: Walking Dead - Le Magazine Officiel n°3 / Introdução à literatura fantástica - T. Todorov / L'Oeuvre de F. Rabelais - M. Bakhtine  

Nuno

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Para festejar o seu décimo aniversário, a revista So Foot, nascida com um capital de 450 euros, apresenta 198 páginas de entrevistas "orgásticas" com jogadores que marcaram e pontuam a história do futebol moderno. 

Dado a conhecer, graças ao FC Porto, com a conquista da Liga dos Campeões Europeus em 1987, Paulo Futre é o único jogador Português presente no conjunto de entrevistados, destacando-se, assim, com Platini, Zidane, Ronaldinho, Hagi...

 

Após a consagração da Liga dos Campeões Europeus, Paulo Futre é transferido para o Atlético de Madrid por 400 milhões de pesetas (2,2 milhões de euros). A segunda maior transferência de sempre para aquela época. E esta transferência desagua, com o tempo, em outras. E, no âmbito da sua carreira, Paulo Futre, conhecerá Berlusconi e Bernard Tapie homens que, ainda hoje, são actores da actualidade internacional. 

Nascido em 1966, numa família operária de Montijo, Paulo Futre, depressa toma consciência da sua condição social e define-se como anti-burguês. O seu primeiro salário é destinado a comprar um gira-discos e para ouvir a música de Queen e, se a história se repetisse, tornaria a fazer greve, como jogador, aquando a Copa do Mundo de 1986. 

 

Poder-se-ia continuar a descrever a entrevista com Paulo Futre e, no fundo, poder-se-ia pensar que este depoimento não aponta nada de novo se não existissem estas palavras do mesmo Paulo Futre:

 

" ... (eu) não compreendia nada, não compreendia que se ganhássemos a final (LdC) todo o povo do Porto, ricos e pobres, ficaria feliz. E se perdêssemos todos chorariam. Porque só no Porto é que é assim."

 

Haverá melhor do que estas palavras para definir uma nação? 

O Porto é uma nação!

Fonte: So Foot - 10 ans - n°108 - pp.180-184

Nuno

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Em seis de Agosto de 1968, Miguel Torga, visitou Vilarinho das Furnas, no Gerês, véspera do dia em que esta Aldeia foi inundada. Como outras comunidades comunitárias foi escolhida consciente e politicamente pelos Serviços Florestais dependentes do governo fascista. Os sectores geográficos correspondentes à construção das barragens foram determinados, essencialmente, por razões ideológicas. Era necessário desenhar uma unidade que nunca existiu. Aceitar que "para lá do Marão mandam os que lá estão" não era compatível com o conceito de centralismo.

 

A diversidade de inúmeras "minha terra = meu país" não é incoerente com uma vivência de 8 séculos no âmbito da mesma fronteira administrativa e nacional. Miguel Torga como Fernão Magalhães é Transmontano. Se Miguel Torga, prémio Internacional de Poesia em 1972, é um ilustre desconhecido em Portugal, Fernão Magalhães, o maior navegador Português, não figura no monumento realizado em honra dos descobrimentos.

 

Não se trata, nesta nova rubrica, de construir novas teorias ou ideias. Sim de disponibilizar documentos sobre a cidade do Porto e a sua história que o centralismo lisboeta procura apagar ou normalizar na memória colectiva dos Portugueses.

 

Na foto, tirada em 1963/4, aparece a seleção de andebol da cidade do Porto. Esta seleção reunia jogadores de vários clubes da cidade Invicta e participava em torneios na Galiza. O quadro da foto é o campo de andebol do antigo complexo desportivo do FC Porto, situado na Rua da Constituição. Este complexo, guardando-se a fachada, foi totalmente renovado. 

 

Fontes: Miguel Torga, En franchise intérieure, ed. Aubier Montaigne, Paris 1982, p.347 | O Título é tirado do nome duma novela, em honra do Porto, do escritor Brasileiro Moacyr Scliar | A foto é minha

Nuno

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Quatro anos de cosmeticas.org. Faz hoje.
Estamos a ficar cotas :-)
por MrCosmos | link do post

 

 

Bundesliga, Mapa de Época 2007-2008 (clicar para ampliar)

 

Pela primeira vez, na história da Liga dos Campeões, as meias finais deram lugar a um embate entre dois países: A Alemanha e a Espanha. E, naturalmente, os clubes espanhóis foram eliminados e a final foi disputada entre o Bayern de Munique e o Borussia de Dortmund. O encontro entre estes dois clubes veio destruir ideias e preconceitos a propósito do futebol Alemão. Este não é um espectáculo frio e racional em que a força física esmagaria a técnica e a arte de saber brincar com a bola. Antes pelo contrario: é o que podemos deduzir do deslumbramento que nos foi proporcionado.

 

O resultado vitorioso dos clubes Alemães nas meias finais é o retrato duma Liga que apresenta resultados económicos e desportivos invejáveis. A Liga Alemã tem a maior média de espectadores por jogo no mundo: 45 000. Em contrapartida, apesar de todas as estrelas que nela actuam, a Liga Espanhola conhece uma média de 28 000 espectadores por jogo.

 

A apresentação caricatural do futebol e da sociedade Alemã que, em geral, era feita pela imprensa Europeia (não Alemã) não permitiu descortinar a evolução da Bundesliga. Atestemos os preços, em euros, dos bilhetes das meias finais, por ordem crescente: Allianz Arena 40 -150; Signal Iduna Park 45 - 175; Santiago Bernabeu 70 - 325; Camp Nou 91 - 359. Os dois clubes Ibéricos apresentam, claramente, preços bem mais altos. O que pode ser considerado como uma insolência ou como um absurdo, considerando a crise e as suas repercussões distintas nas duas sociedades referidas. Mas também é possível verificar que, se o orçamento dos clubes Espanhóis é superior ao dos clubes Alemães, a reserva financeira ou divida para 2012 - 2013 é a seguinte (em milhões de euros): Bayern +129; Dortmund -40; Barcelona -350; Real Madrid -450. Resumindo, saldo de 89 milhões para a Bundesliga e déficite de 980 milhões para a Liga Ibérica.

 

Uma vez as obrigações fiscais pagas, a Bundesliga multiplicou, em dez anos, por dois os seus resultados positivos. As receitas são oriundas da bilheteria (21,2 %), direitos tv (26,2%) e publicidade (26,6%). Em 18 clubes 14 dão lucro e a Bundesliga conheceu, uma vez os impostos pagos, um lucro de 55 milhões de euros. Uli Hoeness, presidente do Bayern declarou à revista So Foot (Abril 2013) que o que fazia a força do campeonato Alemão era a ideia que "só é possível sobreviver se outros que te rodeiam sobrevivem". E, efectivamente, o Bayern contribui para ajudar e consolidar os orçamentos financeiros dos seus rivais, comprando sobretudo no mercado interno.

 

Todavia, o actual presidente do Bayern, esteve, nos anos 1990, ligado a casos de corrupção. O que, por um lado, relativiza a exemplaridade do futebol Alemão,mas, por outro,  não invalida que o Bayern tenha uma reserva financeira de 129 milhões de euros. Há vinte anos consecutivos que o Bayern tem um excedente financeiro. O que leva Uli Hoeness a dizer: " Quando os outros clubes vão ao banco é para pedir emprestado, nos quando vamos é para depositar."

 

Mas entre todos estes aspectos penso que o que sobressai é o número, a média de espectadores por jogo. Tanto mais que a classe trabalhadora Alemã conhece também as dificuldades da crise. 

Nuno

Fonte: Le Monde, Sport & Forme p.4, 27 avril 2013

Créditos de imagem: billsportsmaps.com

por PortoMaravilha | link do post

 

 

  

"A floresta concentra os nossos medos. Nós vimos dela, receamos regressar nela, destruí-mo-la." - Béatrice Tillier


Foto: dBD # 73, p.47 / Texto: CASEmate, n° 59, p.76

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

A edição de Fevereiro da já lendária revista "So Foot" dedica um dossier de várias páginas ao melhor numero 9 da atualidade.

A exposição abre com a fotografia aqui presente. Uma fotografia que evita mil discursos. Não é necessário citar que entre Benfica, Saragossa e  Porto, o realismo ditava ser este o melhor clube para o futuro de Falcão.

E Falcão vestiu a camisola n°9. E não a mais deixou.

Esta mesma edição apresenta, igualmente, um dossier - entrevista com Lucho. El Comandante diz que o Porto é um clube voltado para o futuro.

Mas já são muitas páginas e, assim, fico por aqui porque senão é cousa para não se crer. 

 

Nuno

obs: So Foot, Fev 2013, pp. 26-39

por PortoMaravilha | link do post



 

"Dizem-se muitas caralhices sobre a arte de realizar filmes. É preciso parar com essa empresa de mistificação. Ser realizador não é criar arte como a pintura ou a escrita. É mais próximo do treinador de futebol." S. Mendes

 

Fonte: So Film N°5, Nov 2012, p.76

Nuno

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