"Quando a esmola é grande o pobre desconfia" e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada - um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas - confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

 

Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: "lá tás tu Paulo... vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera..."

1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora...) bom, isto por si só já é obra.

 

"Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

 Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez... mas no todo, duvido - atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó "neurónio ressabiado", pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza..." E a Sala continuava enchendo.

 

É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de "Gabriela" ao vivo, in loco na pequena "caixa mágica" ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

 

Mas cultura? O que é isso da cultura?

Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise... há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que "sabe ler" inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude "comezinha", "portuguesinha", revivem-se memórias antigas: "cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura." Como em tudo, há que definir prioridades.

 

Alors, e o filme? O filme... bon, c'est ça: "La Cage Dorée" -  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades - aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

 

Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: "Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?".

Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo "típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses" que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

 

E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


 

Paulo C. Jerónimo

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Confirmar a boçalidade patente no povo português em pleno 2013 é preocupante.

As redes sociais dizem que isto é o grande sucesso do verão...
PS: Já agora um pouco de cultura segundo a Wikipédia: "Jah é a forma poética abreviada de Jeová, o nome do Deus Altíssimo. (Êx 15:1, 2)".



por MrCosmos | link do post

 

 

Dizem-me que este é um complexo que existe ou existiu num passado recente um pouco por todas as sociedades de países que foram outrora colonizadores. A ideia deriva duma pseudo atitude envergonhada mas não claramente assumida, de que executar "trabalhos manuais", desprezíveis que são - até porque historicamente estão associados à mão de obra escrava, ou nas décadas mais recentes, à população analfabeta - não será uma ambição por aí além louvável... Cidadão que se preze almeja um oficio mais "intelectual", investirá nisso, desmedidamente se necessário. 

 

Acrescentarei eu que no caso português, como em demais outras matérias, o problema agrava-se, porque, neste capitulo da educação e formação para o mercado de trabalho, levamos mais de 20 anos de atraso em relação à Europa, iludidos que vivemos durante este tempo todo com utopias megalómanas que resultam em conclusões do género: "a atual população de jovens portugueses que chegam ao mercado de trabalho é a melhor preparada e qualificada de todos os tempos".  A questão que se impõe é: qualificada para que? 

Este governo cairá (um dia), não porque em abstrato a linha orientadora delimitada inicialmente fosse de todo errada - era evidente que tínhamos de descer à terra e passar a viver à medida das nossas posses, deixar de nos armar em "novos ricos" - mas cairá então um dia este governo, de tanto baixar as calças e se prostituir a soldo do país que ousou outrora sonhar em desenhar uma cruz suástica para toda a Europa.Dai que faz notícia hoje o Ensino Profissional (EP). Parece que o atual ministro com a pasta da educação, Nuno Crato, quer-me convencer, a mim e a uns quantos que, se o vamos fazer mais e melhor (o EP) é porque a Angela Merkel o demostrou mandou. Sim porque para bom entendedor meia palavra meia notícia (como esta) basta.  

 

 

Deixemos-nos de merdas, que isto não é uma questão de imitar ou ser cordeirinhos dos Alemães e os Portugueses sabem disso muito bem. A lavagem cerebral que determinados políticos bem como o "4.º poder" - a imprensa voraz - gosta de fazer ao público tem tanto de ridículo como de excecional!
O Ensino Profissional em Portugal já tem barbas. Já se tentou implementar e discute-se há muito ano. Salvo erro meu, o espirito subentendido seria o de uma evolução do antigo modelo das Escolas Técnicas, Comerciais e Industriais das quais não sou contemporâneo. Mas o lobby das universidades que rebentavam como cogumelos nos anos 90, aliado ao complexo tuga que se instalou entre os pais da Geração de Abril de que só quem fosse Doutor ou Engenheiro é que era alguém na vida, até porque em boa verdade era essa a realidade que os mesmos viviam, nunca permitiu que esta politica  tivesse pernas para andar.


Por mim falando, pelo menos há 2 décadas, quer desde que conclui o 9.º ano e fui desafiado a integra-lo (o EP), quer pelo tomar conhecimento mais de perto do estado do Ensino enquanto membro executivo de algumas Associações de Pais e Encarregados de Educação que integrei, que defendo esta modalidade de ensino profissionalizado como forte mérito provável de sucesso em grande parte de muitos casos de alunos na entrada e eventual conclusão do ensino secundário. Nesse tempo mais atrasado, inicio dos anos 90 (Governo de Cavaco Silva), existiam directrizes politicas do meu ponto de vista excelentes, não obstante tratar-se do mesmo ministério que pôs a mesma Geração Rasca de estudantes a virar o cu ao ministério da educação - uma vez mais pelo lobby das universidades querer vingar (pagamento de propinas). Recordo que, enquanto aluno a frequentar o secundário em regime profissional tal permitiria p. ex. acumular de apoios monetários (subsidiados pela UE e empresas envolvidas) na ordem dos 30 Contos de Reis por mês (150,00€), isto numa altura em que ainda era cultura enraizada nas famílias os jovens daquela idade começarem a ganhar dinheiro em detrimento dos estudos, e que o ordenado mínimo nacional rondaria os cerca de 40.000$ (200,00€).

 

 

No caso que conheci por dentro, mas havia várias outras soluções no distrito, era um Curso Secundário com a área profissional de desenho de Moldes assistido em CAD CAM, apoiado por várias empresas na Marinha Grande. Houve até vários e variados cursos que arrancaram mas que nunca se percebeu o porque da pujança inicial destas modalidades de ensino secundário profissional arrefecer num ápice, acabando praticamente delegados à gaveta e alí permaneceriam durante vários anos em Banho Maria.

 

Deixou-se cair inclusive tal modalidade num descrédito total. Ainda hoje esta forma de ensino é considerada ou olhada por muitos pais e professores como a solução obvia para alunos burros... Assim como o Ensino para adultos, chamem-lhe "Novas Oportunidades" ou seja lá o que quiserem, continua a pôr em alvoroço a pudica sociedade portuguesa que não admite depois de tanto dinheiro e prestigio pretendido para os seus filhos, que se venha agora atribuir equivalencias aos pobrezinhos!

Há mais de 5 anos que se vinha notando um esforço considerável pelo ministério da educação em tentar recuperar esta modalidade e tempo perdido com o EP. Assim como há varios anos um punhado de profissionais lutam pela credibilização do reconhcimento do sistema de ensino a adultos muito para além da mera estatistica, a partir do desenvolvido das competências adquiridas, não obstante casos tipo "Relvas" fazerem questão de os enxovalhar - o que não deixa de ser curioso: este caso colocou as próprias e insuspeitas todas poderosas Universidades no centro da questão. 


Mas Pronto... hoje o Expresso quer-me convencer que se o vamos fazer (reforço do EP) é porque a A. Merkel mandou. Tá bem abelha! Esqueçam isso.

Conforme o slogan parvo que a empresa alema de grande implementação em Portugal, a Media Markt, gosta de lembrar aos matcho-mans tugas ou aos doutos inteligentes como os vídeos do Prof. Marcelo"eu é que não sou parvo". Se há coisas que interessam e muito ao país de A. Merkel, é saber por exemplo se os latinos portugu€s€s já decidiram qual o próximo carro de alta cilindrada em que que se vão montar. E nesta luta renhida pela defesa dos valores da indústria automóvel europeia até a subsidiaria do bon ami François, que se sabe ser mais "camarada" dos pobrezinhos, Já anda em bicos dos pés a oferecer Renault Clios à assembleia da República! E porque não Fernando Assis? Vide aqui. 

 

 

 

 Paulo C. Jerónimo

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O mundo evoluiu, e evoluiu a vários níveis, mas uma das vertentes dessa evolução e que interfere com tudo o resto, a que se pode considerar mais marcante e preponderante no quotidiano dos cidadãos desta pequena “Aldeia Global” em que o planeta se tornou, tem que ver com os da evolução tecnológica. 

Os modos de interação do próprio homem enquanto indivíduo têm sido inatamente, e por culpa dela, modificados no último século, e isso é por demais evidente, sendo observavel desde logo nas camadas mais jovens, as crianças.

 

Os jogos fazem parte da história da evolução humana, constituindo uma parte fundamental na sua cultura. Segundo Huizinga (1971), o jogo é primitivo, anterior à cultura, e é parte da vida individual e da sociedade. Portanto, é um processo inerente à mesma, e não o resultado de uma expressão cultural. Para este autor, o jogo é essencial para a humanidade, parte integrante da vida, e tem uma função vital para a sociedade e cultura. Partindo desta premissa, proponha-se:

 

Uma breve reflexão sobre os jogos: modo vs género«

 

Se observarmos, na vertente das brincadeiras e passatempos da mocidade, e não obstante existirem fáceis conclusões consensualizadas de que “no meu tempo é que era bom” – até porque provavelmente não será fácil pôr algum sentimento de saudosismo e nostalgia de parte nestas alturas de comparação - observe-se no entanto que a tradição de muitos dos jogos antigos se mantiveram intactos até os nossos dias, continuando o mesmo género de brincadeiras a predominar sobretudo nos pátios e recreios escolares durante a primeira infância, tendo passando de geração em geração, o que só nos pode parece salutar. Não será difícil, a um bom observador, continuar a encontrar a prática dos jogos tidos por tradicionais, em tais recintos.

 

A grande diferença e evolução que se verifica, encontramo-las mais no modo do que propriamente no género de brincadeiras que se praticam, sobretudo na entrada da pré-adolescência,  tendo em conta que, como em tudo o resto, também a recreação das crianças e adolescentes sofreu o respetivo progresso relacionado com a “evolução dos tempos”. De resto, tal não será característica exclusiva dos mais novos. Se não, que dizer da evolução sofrida na recreação e passatempos entre a população mais adulta, por exemplo? Quem vai hoje em dia ao cinema, ao teatro, “à bola” – assistir à partida de futebol do clube da terra?

Parece plausível que tal evolução dos tempos está presente no quotidiano de qualquer faixa etária, não será um exclusivo dos modos de recreação dos mais novos como por vezes  a critica dos mais velhos tende a fazer parecer.

 

O problema é que as atividades em estilo de recreio em grupo  são cada vez mais escassas e substituídas por atividades individualistas. As brincadeiras e recreação deixaram de ser praticadas ao ar livre para serem cada vez mais praticadas em recintos fechados. Primeiro, talvez por “culpa” da televisão, que nos empurrava paulatinamente para dentro de casa, mas ainda assim, assistia-se a estes eventos televisivos em conjunto, fosse mais familiar ou entre amigos, até porque a oferta não era muita ou diversificada. Depois, e com a expansão da internet, o aparecimento de chats de conversação, mensagens instantâneas, e mais tarde, das redes sociais online, foi crescente  a grande abertura para o isolamento cada vez maior que tal proporcionou.

 

Mas a evolução tecnológica não será certamente “culpa solteira” neste fenómeno. O aumento de criminalidade crescente e consequente falta de segurança cada vez maior entre as sociedades em meios mais ou menos urbanos, também é um fator relevante e “castrador” na quebra do “à vontade” com que antigamente se permitia o vaguear pelas ruas, inocente e descansadamente.

Portanto, não diria, de todo, e ao contrário do que parece ser uma ideia um pouco generalizada, que o género (tecnológico) dos novos jogos e passatempos da atualidade tenham vindo a prejudicar o desenvolvimento, da juventude em formação. Antes, questionável parece ser o que o modo (individualista e descontrolado) dos mesmos, em grande escala, podem vir a desempenhar. No entanto, estes tratam-se de apenas mais uma das vertentes contributivas para o isolamento do individuo, que acompanhou toda uma era tecnologicamente evolutiva, e tendo em conta que o “jogar” é um fenómeno e uma carência intrínseca na humanidade.

 

Jogos Eletrónicos: da revolução à popularização«

 

Entre as características mais significativas dos jogos está o "fazer de conta". Presente em todos os jogos eletrónicos, ele auxiliou a revolucionar o mundo do jogo, transformando-o em um ambiente totalmente interativo. Apesar dos limites tecnológicos (sempre presentes), o "fazer de conta" digital permite que o jogador interaja com o mundo virtual (em ambiente gráfico). Isso tornou-se um auxílio para a imaginação, e contribuiu para o crescimento do interesse pelo jogo eletrónico, já que este ilustra o mundo do jogo de uma forma totalmente interativa. Neste sentido, os jogos eletrónicos inovaram o "fazer de conta".  Ou talvez não….

As opiniões são sempre discutíveis, e não será difícil questionar este último raciocínio se quisermos levar em conta o exemplo da televisão em detrimento da leitura, que tende a desencorajar o estímulo da imaginação do espectador, por culpa da exposição direta de uma mensagem que dispensa a respetiva transformação imaginária em imagens, pois está tudo lá, na tela. Será tal paradoxo aplicável ao caso dos jogos eletrónicos e seus cenários virtuais?

 

 

 

 

É com a introdução do Game Boy da Nintendo que se dá a revolução e popularização dos jogos eletrónicos entre os pupilos dos finais anos oitenta, em detrimento dos jogos de cariz mais tradicionais e artesanais.

Consequentemente, mais do que saber e comparar o tipo de quadro, tamanho de roda ou caixa pedaleira da bicicleta, ou o tipo de boneca  X, Y ou Z, a terminologia e características eletrónicas dos brinquedos passariam a fazer parte do vocabulário da juventude: eis que iniciava a era dos bits e dos bytes.

A evolução foi de facto tremenda, e a tecnologia, tema que, pessoalmente nunca me  foi indiferente (pelo contrário) passaria a fazer parte das temáticas da juventude.

Se recordar o prazer proporcionado pelo 1.º Game Boy de ecrã a preto e branco com  processador que corria à velocidade relógio de 4,19 Mhz - com o mesmo sorriso nos lábios de outrora - é uma boa memória, já pensar nos inacessíveis para a maioria das posses económicas da famílias portuguesas, dos microcomputadores para jogos, hoje arcaicos, os Sinclair ZX Spectrum lançados no inicio da década de 80, baseados num processador Zilog Z80-A a 3,50 MHz com 16 Kbytes de memória RAM, e que estava disponível em duas versões: uma com 16 Kbytes de RAM e outra com 48 Kbytes, pode significar o reviver de algum amargo de boca para muitos...

Este último modelo seria durante anos apenas um sonho para a maioria dos adolescentes dos anos 80.

 

Daí a importância preponderante que o Game Boy viria a representar para a geração no final dessa década, pois apesar de já ser uma realidade a introdução dos jogos eletrónicos desde o início da década, seria com este modelo de bolso, e sobretudo graças às marcas brancas deste tipo de jogos que surgiriam a pensar nas grandes massas, que se viria a democratizar os jogos eletrónicos acessíveis, até aí apenas entre algumas elites privilegiadas.

Pensar na possibilidade de jogar em aparelhos que usavam estas grandezas de capacidades de processamento/armazenamento (1 Kilobyte = 1.000 bytes), nos tempos correntes, quando os graus de grandeza e escala “corriqueiros” rondam os Gigabytes (1Gb = 1.000.000.000 bytes aproximadamente) será um simples exemplo da rápida e constante evolução tecnológica sempre em crescente.

Pode-se dizer que os primeiros jogos electrónicos mais não foram do que protótipos para estudar a capacidade de certas máquinas. A sua criação foi um reconhecimento e materialização do fator lúdico na cultura, mas também na atividade científica.


Atualmente, os jogos eletrónicos, sobretudo os jogos online, ocupam um lugar cada vez mais significativo na vida das pessoas, nomeadamente os mais jovens, pois eles também introduziram uma nova forma de comunicação entre elas, influenciando assim a sociedade e a cultura. As atividades lúdicas têm papéis fundamentais no desenvolvimento social. Já os jogos eletrónicos, além do desenvolvimento social, influenciam diretamente o desenvolvimento científico e tecnológico, tendo sido aproveitados pela industria particularmente como cobaias do desenvolvimento.

  

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

por MrCosmos | link do post

Impressionante como há certos pensamentos que os encontramos atuais eternamente. Foi o sentimento agora ao reler este texto de 2009.

 

"Não passará certamente despercebido a qualquer cidadão mediano a forma aparentemente combinada como a agenda noticiosa dos vários órgãos de informação debitam as mesmas notícias, num estilo complô, entre rádios, jornais e tv´s. Diariamente.

A extremidade desta cadeia informativa fica reservada para as televisões, que num estilo fast-food, alimentam a maior parte da população. As consequências por este tipo de ingestão acabam por ser notórias, e entre a população, todos têm sempre uma opinião sobre qualquer assunto formada, mas pouco ou nada substanciada. De resto, a caixa mágica, que tornou o mundo mais pequeno, sabe perfeitamente o que é que os telespectadores em geral querem ou gostam e limita-se a servir as maiorias.

Isto passa-se em vários outros campos, e como nesta lógica instituída não há lugar para qualquer tipo de escrutínio, nada admira que na evolução do comunicar, e das suas ferramentas, tudo o que meta sangue, desgraça alheia, e comunicação rápida tipo sms, seja chave garantida para o sucesso. Pode não ter credibilidade, mas terá visibilidade. E quem procurar tal, não terá pudor em faze-lo."

 

Paulo Jerónimo

Maio 2009

por MrCosmos | link do post

 

 

(clicar para ampliar / cliquez pour agrandir)

 

Tendo contacto com «a rede» e revendo-me nela, cosidero-me pertencente àqueles apelidados pela geração web, surgida nos anos 90.
Nessa mesma década, profissionalmente, tive de contornar o que já me era completamente estranho e considerava arcaico, a solicitação de contacto via Telefax, perguntando de imediato as empresas do outro lado da linha: "Qual é o  seu email"? 

 

Sou do tempo e "estive por dentro" do Mirc, dos chats, do estouro do vídeo online e em tempo real, tudo ainda no sec. XX. Ou agora no XXI, sou igualmente apolinário da blogosfera ou das redes sociais.
De modo que acaba por ser intrinseco e pacifico entre as novas gerações o descriminar abertamente «na rede» as suas etapas de vida, alguns dados pessoais, fotos, e gostos pessoais online. E toda esta prosa para aqui chegar: à lista de gostos pessoais.

 

Carlos Lisboa teve sempre um lugar cativo nos meus gostos, e foi sempre transportado no meu leque de "exemplos de atitude de vida" pessoais. O basketball foi o único desporto que levei mais a serio enquanto praticante, e de atividade escolar.

A lista apresentada na imagem inicial, foi a única que, entre  as outras várias de preenchimento para o perfil, quando a compus, tive o cuidado da manter por ordem cronológica, conforme fui estabelecendo contacto emocional com os atletas que considero influentes e exemplos relevantes a destacar.

Tal como Cristiano Ronaldo nunca me foi considerado digno de entrar nesta galeria desportista pessoal, onde como digo, pesa mais e sobretudo o exemplo de atitude do atleta do que os êxitos desportivos em geral (porque para mim desporto é isso: formação de pessoas) - depois disto, Carlos Lisboa e pior: enquanto treinador (formador) em que o atleta se veio a tornar, também não podia lá continuar. 

 

O problema não é o errar. O grave é não reconhecer, não emendar.
Impresionante como a clubite acaba por destruir personalidades que um dia já foram, acima de tudo, icones nacionais.
Tristes os que se revêem na sua atitude e como exemplo a louvar...
No dia Internacional da criança, talvez vale-se a pena pensar em que "homens" estamos a formar.
Paulo Jerónimo
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