O filme SnowPiercer é uma obra prima e um grande filme de antecipação cientifica, já que a acção se passa num futuro próximo, em 2031.

 

O realizador Coreano, Bong Joon-ho, transcende o género fantástico e autoriza um olhar sobre os possíveis futuros da nossa espécie. Como na Banda Desenhada - o filme é uma adaptação da Bd Francesa, Transperceneige, de B. Legrand, J-M Rochette e Jacques Lob - um trem anda sem parar à volta duma Terra completamente gelada e coberta de neve. É o último refúgio para a humanidade. A glaciação do planeta é fruto duma experiência falhada para lutar contra o aquecimento global.

 

O trem que produz água e energia, graças à neve que a locomotiva "engole", é uma espécie de Arca de Noé. Esta jangada sobre carris apresenta também um retrato realista da Humanidade: Nas carruagens da frente vivem os dominantes, aqueles que possuem o conforto e o acesso ao bem estar. Fazendo ecrã ou fronteira com as carruagens dos esfomeados e dos ignorantes, existem as carruagens do exército. E, finalmente, a locomotiva onde vive o criador e condutor do trem. É um chefe de estado e um deus vivo.

 

Após revoltas passadas, Gilliam e Curtis decidem organizar uma nova revolta. A luta pela liberdade e pela dignidade vai passar pela atrevessia das inúmeras carruagens. A conquista de cada carruagem, até à locomotiva, apresenta imensas surpresas.

 

A acção impressionante deste filme parece ser um apelo sem equivoco para recusar a animalidade, a exploração do homem pelo homem, em suma, o intolerável quem diariamente, nos gabam em nome dum longínquo e nebuloso pragmatismo.

O realizador mostra como o pior (e o melhor) da humanidade se reconstituem no "cavalo de ferro".

 

 

Nuno

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BD "Le bleu est une couleur chaude", p.79

 

O ideal é sempre poder ver um filme sem saber demasiado a seu respeito.

E o essencial é: Pela primeira vez, na história do cinema, uma adaptação duma Banda Desenhada à tela ganhou um prémio prestigioso, a Palma de Ouro 2013. A critica e os espectadores são unânimes quanto à beleza da fita.

La vie d'Adèle, realizado por Abdellatif Kechiche, não é, contudo, uma adaptação totalmente fiel do livro Le bleu est une couleur chaude, concebido e desenhado por Julie Maroh, na medida em que o relato final é diferente.

 

La vie d'Adèle, embora proibido aos menores de 12 anos, não é um filme pornográfico. É, isso sim, a narração duma aprendizagem iniciática na qual o questionamento da paixão ultrapassa a problemática da orientação sexual. No final, um tema clássico: O amor absoluto e a sua compatibilidade com as exigências culturais e sociais...

 

 

Fontes: Extrato do filme; ilustração - detalhe da Bd, p.79, ed. Glénat 

Nuno

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Traduzida e publicada em 18 línguas, a Banda Desenhada Walkind Dead é um sucesso editorial mundial que parece incomodar. Como qualificar e explicar este êxito que levou esta Bd a ser, igualmente, o esqueleto e a estrutura duma série TV de renome?

 

Contrariamente ao que se poderia pensar, a criação de Robert Kirkman, cenarista norte-americano, conhece uma enorme divulgação na Europa, existindo 15 adaptações diferentes, não se contabilizando, por razões óbvias o Reino Unido. Se países como a França, a Alemanha ou a Espanha acompanham o ritmo de publicação norte americano desde a publicação do tomo:1 (2005), já países como a Hungria ou Portugal só em 2011 e 2010, respectivamente, iniciaram a publicação traduzida do primeiro tomo.

 

Na Ásia, três países publicam e traduzem a série: Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A afirmação de Walking Dead num universo dominado pelo grafismo da Bd Manga é uma proeza que deve ser evidenciada. Foi a Coreia do Sul, logo seguida pelo Japão, quem inaugurou a edição da série, havendo já 9 tomos publicados desde 2011.

 

Na América do Sul, o Brasil foi o primeiro a editar, em 2006, a Bd de Robert Kirkman. Ou seja, acompanhando o nascimento da Bd e com 5 anos de avanço em relação à Argentina, Chile, México e Peru. 

 

Nascida nos Usa, contaminando as terras anglófonas, Austrália, Irlanda, Reino Unido... e, em seguida, grande parte do planeta, Walking Dead passou, também, a ser uma Bd adaptada à televisão nos países onde existe, exceptuando na Hungria. 

 

Vários textos que se debruçam sobre a Bd apresentam análises e observações que reenviam para o apocalipse. Penso que Walking Dead é muito mais do que uma mera metáfora do simbolismo mítico do Apocalipse e do Juízo Final. É a tentativa dum questionamento sobre o relacionamento e os comportamentos humanos alienados por um mundo dominado por uma sociedade onde tudo é mercadoria e troca, inclusive o próprio ser humano.

 

O retorno dos mortos à convivência com os vivos constitui a acção central que conduz a intriga. Em Walking Dead, os autores introduzem-nos num mundo diferente. O relato não nos fornece nenhuma indicação lógica e coerente, quanto à explicação dos acontecimentos. O agente de polícia Rick Grimes, após um tiroteio contra bandidos, acorda num mundo povoado, essencialmente, por mortos vivos. Nenhuma informação nos é dada perante esta ambiguidade. A medida que a narração evolui, aceitando-se o pacto de leitura, acabamos por decifrar de maneira racional elementos sobrenaturais.

 

Para tornar aceitável o fio condutor do relato, os autores vão introduzir  progressivamente eventos que focam a condição humana. E, imediatamente, ressalva que, no âmbito dum meio ambiente hóstil, a espécie humana só existe colectivamente. O recurso ao fantástico desentroniza o mito da viabilidade do indivíduo só no mundo. Robinson Crusoé, sobrevivendo isolado na sua ilha longínqua, é um ser muito mais irreal que Rick Grimes e os seus companheiros. E, paralelamente, só uma compreensão recíproca permite ao grupo de Rick sobreviver perante os perigos exteriores. E não é um paradoxo se os perigos mais reais decorrem dos grupos humanos cujos relacionamentos assentam em relações de opressão violenta entre os indivíduos. O exemplo da sociedade dirigida pelo "Governador" é ilustrativo disso. Os mortos vivos, abstraindo-se a dinâmica do número ou da quantidade, acabam por ser inofensivos.

 

Em Walking Dead, uma pintura realista, a da condição humana, alia-se com o fantástico, o regresso dos mortos vivos. A descrição das leis que autorizam a opressão na sociedade já não pode ser feita segundo as normas convencionais. A terceira vinheta do primeiro tomo e, logo, da série é elucidativa. O fugitivo prefere morrer a voltar para a prisão. Todavia, como o questionamento sobre a existência humana não pode prescindir duma abordagem realista da vida, explica-se, assim, essa aliança entre o real e o imaginário. Em simultâneo, o fantástico permite aos autores combater uma censura mais subtil: a do inconsciente. É, sem dúvida, mais fácil evocar tabus e preconceitos num contexto estranho: certos temas ou ideias serão melhor aceites se são assimilados ao fantástico. 

 

A existência dos mortos vivos provoca uma ruptura num sistema social que parecia condenado a se prolongar indefinidamente. Graças ao aparecimento dos mortos vivos, é possível "falar" da vida. O grupo de Rick é uma amostra de civilização humana. Não existe lugar para a fatalidade, certezas ou dogmas que são sinónimo de queda. Tudo é movimento e é nesse movimento que os companheiros de Rick encontram a sua salvação. A construção de mundos diferentes opõe-se ao mundo dos zombis cuja vida se assemelha à de um animal, de um predador, de um parasita que se enrosca e come o que poderia ser um semelhante seu. 

 

Os aspectos ligados ao regresso dos mortos mergulham e perdem-se na cultura popular europeia. Eles desentronizavam o sério e os dogmas que a burguesia, aquando da Renascença, foi elaborando para assinalar o seu poder e a sua ideologia. Talvez o êxito de Walking Dead possa ser explicado, em parte, por essas reminiscências. O tema do regresso dos mortos vivos, tratado debaixo duma forma carnavalesca ou não, é um dado das sociedades medievais europeias que, com as navegações marítimas, chegou às Américas. Note-se, por exemplo, que um dos maiores romances de língua Portuguesa que assenta no regresso de mortos vivos foi escrito por um Gaúcho: Incidente em Antares, Érico Veríssimo.

 

Walking Dead é uma obra que se articula em redor da condição humana. O recurso ao exagero, ao imaginário, ao sobrenatural, ao fantástico desagua na desentronização dos valores sérios ou oficiais da sociedade. A Bd inscreve-se na tradição carnavalesca e popular que nega o dogma, a fatalidade e o imobilismo. 

 

Fontes: Walking Dead - Le Magazine Officiel n°3 / Introdução à literatura fantástica - T. Todorov / L'Oeuvre de F. Rabelais - M. Bakhtine  

Nuno

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"A floresta concentra os nossos medos. Nós vimos dela, receamos regressar nela, destruí-mo-la." - Béatrice Tillier


Foto: dBD # 73, p.47 / Texto: CASEmate, n° 59, p.76

Nuno

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Dennis Meadows que estava presente na primeira conferência (Estocolmo 1972) declarou: "A nossa visão a curto prazo está-se a quebrar contra a realidade física do nosso planeta".

fonte: Libé-mag, 16-17 Jun 2012, p.VII" / Desenho: ?
Nuno
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"Queiram descer do carro. Têm que passar o teste de virgindade."

 

Os ataques contra a Liberdade da Mulher (e do homem) aumentam de dia para dia...

Nuno

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De 26 a 29 de Janeiro teve lugar o trigésimo nono Festival de Banda Desenhada de Angoulème.

É um acontecimento cultural importante na sociedade Francesa.

Em relação a 2010, a produção aumentou de quase 5 por cento. Foram publicados 5327 títulos de Bd.

 

Mais de um terço destes novos títulos são mangas asiáticos. 

O presidente do festival é Art Spiegelman, o pai de Maus, vencedor da edição 2011. 

Duas Bd já aqui apresentadas fazem parte da seleção oficial:

Pour en finir avec le cinéma de Blutch

Portugal de Cyril Pedrosa

 

Art Spiegelman também realizou uma obra, MetaMaus, onde se interroga sobre a escolha da Bd para tratar o Holocausto...

 

Foto: Zoo, Jan de 2012, p.6

Este post pode ser lido como a continuação de A Bd pelas trilhas do vinil 

Nuno

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Os mercados não aprovam, os mercados preocupam-se...

E se substituíssemos a palavra mercado por especuladores?

E se substituíssemos a palavra especuladores por falsários?

Talvez fosse mais Claro?

Não acham?

 

Imagem: Vinheta da Bd Tintin:  L'île Noire

Nuno

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"O cinema é só uma maneira de falar do tempo que passa..."

 

Fonte: Blutch, BDCAF'mag, nº39, Set-Out de 2011, p13.  / Imagem: Capa da Bd de Blutch.

Este post pode ser lido como a continuação de A BD e o Elixir da Eterna Juventude

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

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A Bd Portugal não é uma obra de leitura fácil.

Se o belo grafismo do autor, Cyril Pedrosa, é fácil e deslizante, já menos poderão ser os sentimentos complexos que o autor trata na sua obra.

Não creio que esta Bd seja uma obra, meramente, autobiográfica.

Existem, todavia, nela aspectos que reenviam para a memória: Simon Muchat, autor de Bd, deixou de ter inspiração criativa e parte em busca das suas origens, desaguando em Portugal. E desagua em Portugal porque é convidado para um festival de Bd.

 

Portugal é o país do avô de Simon Muchat. E Simon Muchat descobre, pouco a pouco, uma parte das suas origens.

A reflexão que nos livra Cyril Pedrosa é leve. Mas, ao mesmo tempo, grave porque questiona as relações que os adultos podem ter com o seu passado e com a sua infância.

Esta Bd é, actualmente, um dos maiores sucessos da "Rentrée", sendo destacada quer nas livrarias especializadas quer nas revistas especializadas.

O Albúm foi editado graças ao apoio do "Centre National du Livre".

E, graças a este apoio, a Bd não foi publicada, passem-me a expressão, em fatias de salpicão, ou seja, em folhetins.

 

Foto: Prancha da Bd.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Entrevistado pelo cinéfilo Mário Augusto acerca da estreia de se novo filme no papel de Johnny English, Rowan Atkinson assume que parou com o personagem de Mr. Bean porque via o mítico  e bem sucedido "Sr. Feijão" como um Personagem de Banda Desenhada, e em BD os Personagens não envelhecem.

 

Logo, persistir o ator em interpretar Mr. Bean na tela seria envelhece-lo e , interpreto eu segundo seu argumento, deteriora-lo.

Sim, faz sentido.

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Considero a Bd Manga, Homunculus, a melhor Manga de sempre no âmbito das que li.

É uma opinião subjectica.

Penso que é uma reflexão a propósito do que é o cérebro humano e das "neurociências". É de atualidade!

Com o número quinze, múltiplo de três, findou o relato... mas não a nossa interrogação que, essa, continua....

 

Este post deve, absolutamente, ser lido como a continuação de Homunculus: A referência da Bd Manga

Foto: Imagem da penúltima página do tomo XV.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo... Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

 

Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

 

Leia-se:

A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira...

 

O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes... Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais "dificultuoso" ("difficultueux" no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante...

 

Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Após o Planeta dos Macacos, eis nos no Planeta dos Sábios...

Jul realizou com Charles Pépin uma enciclopédia, em Bd, da filosofia e dos filósofos.

O álbum, La Planète des sages, ed. Dargaud, estará disponível a partir de 26 de Agosto.

É este álbum uma maneira lúdica de divulgar a filosofia ? Fica a pergunta...

 

Imagem: BDCAF'mag, nº38, p.14 / Este post pode ser lido como a continuação de: Sê Macaco e grita

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 [clicar para aumentar / cliquez pour agrandir]

 

Discurso de Art Spiegelman, aquando a atribuição do Sonderpreis, a 16 de Junho de 1990, Salão da BD de Erlangen (RFA):

 

"É uma coisa estranha, para um rato, receber um prémio doado por uma assembleia de gatos; Por ter contado a maneira como os gatos mataram os ratos. É uma coisa estranha, para mim, Judeu, estar, aqui, na Alemanha, para receber um prémio; Por descrever como os vossos pais e os vossos avôs foram cúmplices do assassinato dos meus avôs e da minha família. É estranho também para vós de me entregar este prémio; Isso, não é sem problema. Como poderiam não mo ter entregue? Isso, poderia ser interpretado como uma ausência de sensibilidade, sob o ponto de vista da nossa história comum. Por um outro lado, dar-me este prémio poderia ser entendido como o resultado duma consciência culpável, uma espécie de reparação de guerra ao filho dum "escapado".

 

Ach! Ei-los bem os Judeus a falarem de novo de culpabilidade num serão tão belo! Nós temos uma longínqua tradição para infligir a culpabilidade que nos chega, directamente, desses abomináveis dez mandamentos (" Não fodas a mulher do teu vizinho", "Sê gentil com o teu papai e a tua mamai"). É mais educado falar em remorsos ou na responsabilidade do que na culpabilidade. É um conceito desagradável: A culpabilidade. Mas, apesar de tudo, penso que não merece a sua má reputação. Eu mesmo sinto-me culpado por imensas coisas: Pelos sem abrigo em Nova Iorque, pelos meus pensamentos impuros, pela masturbação, por não utilizar produtos recicláveis - e a culpabilidade talvez seja o agente civilizador mais útil, para impedir que as pessoas não se comportem de modo ainda pior do que poderiam fazer duma outra maneira. É talvez uma coisa explosiva  viver com a culpabilidade, mas é talvez o preço que nós humanos devemos pagar para aprender a verdadeira compreensão.

 

E, francamente, sentir-me-ia em mais segurança numa Alemanha culpável do que numa Alemanha deixando-se cair na euforia nacionalista, neste presente em que me parece que, duma certa maneira, ela ganhou a Segunda Guerra Mundial, após quarenta e cinco anos.

 

Vejam, o meu pai nunca mais quis pôr um pé na Alemanha após a guerra. Nunca recebeu um pão com a forma Max e Moritz ( prémio tradicional do Salão da BD d' Erlangen) da parte dos vossos pais ou avôs. O seu pão tinha a forma dum caixão e, na maior parte das vezes, nem sequer havia isso. O meu pai zangava-se, quando eu comprava o que quer seja fabricado na Alemanha. Andava muito zangado que desenhasse com uma caneta Rotring fabricada na Alemanha. Quando era criança, achava a sua atitude ridícula, mas, agora, penso ele tinha razão. Os Rotring proporcionam um traço intenso e mecânico. Desenho, agora, exclusivamente com uma caneta Pelikan: É mais flexível e viva. Danke schon por este prémio."

 

Art Spiegelman

 

Este post deve ser lido como a continuação de  Maus: Uma obra Prima da Bd 

Fonte: L'Autre Journal nº5, oct 1990, p. 194

 

Nuno

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