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Foundation und Stars Wars : der Sieg des Wissens über das Schwert !

Laut einiger Medien sollte Asimovs Trilogie « Foundation » zur nächsten größten Weltfilmproduktion werden. Dies wäre eigentlich ein titanisches Projekt ! Aber ob Gerücht oder nicht haben Bob Shaye und Michael Lynne, die es in die Wege geleitet haben, tausende Kommentare im Internet ausgelöst.

  

 

Für die Science-Fiction-Fans fungiert Stars Wars als Kopie von Asimovs Werk. Wenn Asimov immer behauptet hat, die Geschichte des Römischen Reichs habe ihn zu seinem Werk inspiriert, hat George Lucas dagegen immer geleugnet, er habe sich von Asimovs Texten inspirieren lassen. 

Zu viele klare Tatsachen lassen an die Bösgläubigkeit des Regisseurs von Stars Wars denken. Und ich bin nicht der einzige, der diese Meinung vertritt.

Kurz gefasst : Die Handlung findet zu Beginn des dritten Jahrtausends statt. Hari Seldon, Erfinder der Psychohistorik (die die Zukunft vorhersagen kann) kündigt das Ende des Imperiums an. Besorgt gründet und organisiert er Foundation, eine Institution, deren vordergründiger Zweck die Sammlung allen Wissens in einer Encyclopaedia Galactica ist.

Da erscheint aber das Maultier, ein Mutant, der in der Lage ist, Menschen über ihre Gefühle für ihn zu absolut treuen Anhängern zu machen. Und der will das Imperium erobern. Seldon aber hätte eine zweite Organisation gegründet, eine zweite an der Grenze des Weltalls versteckte Foundation, die fähig wäre, die Menschen auszubilden, sich gegen das Maultier und die Entfremdung des Verstandes zu verteidigen.

 

Der Kampf zwischen der Zweiten Foundation und dem Maultier ist erbarmungslos. Vielleicht ist dieses Szenario ja nur die Illustrierung eines Kampfes zwischen freien Menschen und Geistesgestörten (Nationalsozialismus, Stalinismus, oder Neofaschismus). Stars Wars’ Regisseur kann sich wohl von Foundation inspirieren lassen haben. Egal. Interessant ist aber, dass die Roboter R2D2 und C3PO auf Asimovs Robotik verweisen. Yoda, der Weise in Stars Wars, lässt auch an Seldon denken, den Weisen in Foundation. Die Idee des Imperiums, der Konföderation und der kosmischen Universen findet man schon in Asimovs Werk.

Hier höre ich auf, denn ich bin ja nicht die Heilige Inquisition, die nicht so „heilig“ war.

Beide Werke verkünden den Sieg des Guten über das Böse. Jedoch siegt in Stars Wars das Gute durch das Schwert (oder die Laserkanone), wobei das Gute in Asimovs Werk dank des Wissens siegt.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Bestiário Ilustríssimo é uma recolha de cinquenta textos em roda da Arte e, mais especialmente, da música. Li o livro de Rui Eduardo Paes na Auvergne, no centro da França. Esta região é também uma região de "antigos" vulcões. Marco Santos, no prefácio à recolha, escreve que o livro foi escrito em Marte. Mas, se o homem já visita Marte, nunca visitou o fundo da Terra nem dos vulcões. E são quatro os Dragões que guardam o segredo da vida que só a Arte sabe expressar.


"O Dragão: Engolir-vos-ei humanos e sem qualquer distinção. Todos. Todavia, talvez salve alguns: Outros não".


Este velho poema Inglês integra a introdução ao texto de Sérgio Luís de Carvalho: Anno Domini 1348. Relato que conta a vida dum tabelião que se fecha em casa para se proteger da peste que assola a Europa e Portugal. À luz duma vela, ele vai ler as pranchas dum bestiário ilustrado que lhe tinham oferecido em criança. Cécile Lombard, a tradutora, escolheu um título diferente para a edição Francesa: Le Bestiaire Inachevé.


Por associação, devido aos títulos, de ideias ou por deformação profissional... vi uma continuidade entre os dois livros.

 

Rui Eduardo Paes é musicólogo. Também é autor de vários ensaios sobre Jazz e arte(s) contemporânea(s)... O prazer dos seus textos, descobertos no blog "Bitaites" de Marco Santos, levou-me, naturalmente, à leitura da recolha: Bestiário Ilustríssimo.


1. Dragão de Terra


No seu primeiro ensaio, o autor cita em preambulo Álvaro de Campos (F.Pessoa):"Sentir de todas as maneiras...". A obra de Rui Eduardo Paes é uma obra com entradas multiplas. O pacto de leitura que nos é proposto parece ser a vontade de desmascarar o discurso oficial sobre a arte. Num país que acaba de suprimir o "Ministério da Cultura", a luta a contra a estupidez e a ditadura cultural não pode assentar num fechar sobre si próprio. O mérito do autor é ter posto o seu saber e as suas ideias ao serviço da compreensão do mundo que nos rodeia. Isto é, autorizando um olhar universal sobre a Arte. E só esta universalidade nos permite interpretar o título: A Arte combate a vulgaridade e a destrói a bestialidade que existe em nós (Deleuze).

 

2. Dragão de Água


Gosto da referência ao Homunculus (pp.64-67). A lembrança de José Gil e de Herberto Hélder remetem para o estilhaçar do indivíduo no mundo actual, conceito que Fernando Pessoa cria com a constelação dos heterónimos. Nesta perspectiva, 
Rui E. Paes expressa e elucida, claramente, apoiando-se em José Gil, a noção de que a tentiva para entender outrem e a filosofia também podem e devem ser arte(s). E, isto, antes de serem dissertação. Deste ponto de vista, F. Pessoa seria não um poeta, mas um filósofo. Em paralelo, não pude deixar de estabelecer uma associação com a "BD-Manga" culto de Hidéo Yamamoto: Homunculus. Não deixa de ser curioso que fosse num país onde o modo de vida capitalista atinge um enorme expoente que surgisse artisticamente a narrativa duma experiência sobre o cérebro (dum "sem domicílio fixo") e o porvir do sentir. O que nos remete para um olhar critico sobre o início do século XXI: O homem estilhaçado, o sentir e o conceito, a besta e o homem,...


3. Dragão de Fogo

No seu texto n°11, Retro-Inovadores, Rui Eduardo Paes apresenta a criação dum centro cultural polivalente na vila do Fundão. Construído a partir duma antiga fábrica de moagem, esta realização mostra q
ue a arte é plural e interdisciplinar. Não sei se é um acaso ou não, a escolha de Rui Eduardo Paes. A vila do Fundão sempre foi um centro de resistência ao fascismo, ao colonialismo e aos seus crimes de guerra. O Jornal do Fundão compensou durante anos a não existência duma imprensa de dimensão nacional e livre. Foi uma publicação de resistência à estupidez e ao ordinário. Um pequeno semanário que se deu ao luxo de publicar textos de grandes vultos das artes de expressão Portuguesa. Um luxo as crónicas do poeta Brasileiro Carlos Drumond de Andrade...  Assim, não é surpreendente, escreve Rui Eduardo Paes que "muitos criadores procurem no passado as suas referências"(p.68).

 

4. Dragão de Ar


O último texto n°50, Gigantes aos Ombros de Gigantes, levanta a problemática da partilha da criação musical na internet. Rui Eduardo Paes critica, com razão penso, a uniformização dos gestos e tendências que os majors da indústria musical querem impor ou fabricar. Respondendo, o nosso autor cita as ideias da militante libertária Esther Ferrer que associa o anarquismo à criatividade. Desconhecido muitas vezes, também existe um movimento anarquista em Portugal. O livro de João Freire (desertor e militante antifascista) apresenta a história desse mesmo movimento. Este foi criado em 1887 em Lisboa. O "Grupo Comunista Anarquista" obedece às orientações anarquistas da sua época. Por exemplo, rejeita o sentimento patriótico ou nacional, o egoísmo das raças, das religiões e das línguas... 

 

Bestiário Ilustríssimo é uma bela recolha de textos. Estes podem ser lidos, independentemente, uns dos outros ou não. Uma obra Barroca que não se deixa fechar numa classificação determinante e determinada. Como os monstros que ornamentam as catedrais e colegiadas, os textos de Rui Eduardo Paes são um convite para pensar e sonhar.Uma a obra a ler e cujas muitas passagens são poesia. Linhas e parágrafos para serem lidos em voz alta, tal como a musicalidade da poesia. Mas não é para o nosso autor a música a mãe de todas as artes. 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post


J.M.G. Le Clézio obteve o prémio Nobel de literatura em 2008. O seu último romance é "Histoires du pied et autres fantaisies".


Homem duma grande descrição, J.M.G. Le Clézio, levantou a voz para protestar contra a grande publicidade que tem sido feita em torno do texto de Richard Millet: "Eloge littéraire d'Anders Breivik". O prémio Nobel denuncia o panfleto de R. Millet, lembrando que o jovem Breivik, cego pelo ódio, matou a tiro, de sangue frio, setenta e sete pessoas.

 

Le Clézio publicou a sua reacção no Le Nouvel Observateur (06-09-2012, p.9). Reproduzimos a passagem que nos parece sintetizar com clareza o que é um contributo para a compreensão da nossa Aldeia Global:

 

"A questão do multiculturalismo, que parece obcecar tanto alguns de nossos políticos e alguns dos nossos ‘chamados’ filósofos, é uma questão já antiga. Vivemos em um mundo de encontros,misturas e ‘confrontações’. As misturas e os fluxos migratórios sempre existiram, eles são os mesmos desde a origem da raça humana (única raça). O multicultural, como é chamado agora, não é mais suficiente. Ele faz guetos, culturas isoladas, e favorece o endurecimento e seus radicalismos.

A literatura é um dos meios dessa troca, a literatura é um caldeirão onde se fundem as correntes vindas dos quatro cantos da história. Mas sonhar com uma identidade nacional fixa é uma ‘ilusão’. No encontro de culturas e civilizações, cada contribuição tem a sua importância, e não podemos pedir a ninguém para renunciar a parte de seu legado."
Nuno
por PortoMaravilha | link do post

 

 

O primeiro ministro Português actual chama-se Coelho e, politicamente, não honra a inteligência dos ilustres descendentes de Gama. Um dos coelhinhos dos meus filhos, denominado Gama, teve uma vasta e robusta descendência que desempenhou funções pedagógicas, sociais e culturais em vários infantários e escolas primárias. Todos sobreviveram e nenhum foi guisado.

 

O Coelho Português parece que esqueceu a história de Gama e dos seus descendentes e aboliu o Ministério da Cultura. Qualquer cidadã e qualquer cidadão do mundo não pode entender esta decisão. A cultura, a arte não servem só para promover a imagem e os artistas dum país ou duma região. São tambem um factor de paz, permitindo o diálogo e o reconhecimento mútuo. E, sobretudo, a cultura, no âmbito das suas manifestações, é uma actividade que permite a emancipação e que permite lutar contra a alienação. A condição para que um homem seja livre é que ele seja culto.

 

O primeiro ministério da cultura nasce em França em 1959. Na altura, a maior parte dos países não entendem a iniciativa, embora a Dinamarca acompanhe a novidade, criando em 1961 o seu ministério da cultura. O General De Gaulle pensa que a projecão internacional do país também deve passar pela arte e pela cultura. O famoso escritor André Malraux é nomeado à cabeça do "Ministère de Affaires Culturelles". Passado meio século, a França é o primeiro destino turístico do mundo. Não se visita só a França pela variedade infinita dos seus climas, pela qualidade das suas praias, das suas montanhas, dos seus vales... também se visita a França pelo tesouro que constitui os seus patrimónios históricos, a riqueza dos seus museus, o número impressionante de festivais e de eventos culturais. E o turismo é uma das primeiras indústrias do mundo.

 

Em Portugal, o ministério da cultura só aparece em 1995 com o governo Gueterres (socialista). Durou pouco. Mas a história sempre nos ensinou que as ditaduras e os seus descendentes abominam a cultura, fonte de memória livre. Assim, o encerramento do ministério da Cultura parece um absurdo quando se verifica que as artes Portuguesas estão a serem consagradas e reconhecidas internacionalmente. Em contrapartida, apoiam-se manifestações que visam a exploração dos trabalhadores e da classe média Portuguesa. A organização do "1° Salon de l'Immobilier Portugais", de 14 a 16 de Setembro, irá decorrer em Paris. Este acontecimento, organizado por "La Chambre de Commerce de l'Industrie Franco-Portugaise (CCIFP)", visa a venda de bens imobiliários, novos ou antigos, em Portugal. O que estava à venda, por exemplo, por 250 000 euros será oferecido por 100 000 euros. 

 

Sabemos que, em França, Portugal está muito longe de ser o destino preferido dos aposentados que compram casa no estrangeiro para gozar a reforma. Também já não é o destino exclusivo dos Franceses cujo os avôs ou uma parte dos avôs são ou eram Portugueses. Os pais espiritais, Cavaco e Barroso, do actual primeiro ministro Coelho, reduziram a identidade cultural de Portugal ao Sol e à Praia. Ao trabalho dos pais, ao Sol e à Praia, Coelho quer acrescentar uma casa com piscina.

 

Fica para saber se a piscina será de água doce ou salgada: Isto a propósito de ter lido que a obra de A. de Siza em Leça está ao abandono. 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

Três

Em Portugal diz-se que "três, foi a conta que Deus fez" - coisas das tradições cristãs associadas à Santissima Trindade.

O três também orbita bastante na politica atual donde surge a palavra russa troika (тройка) que literalmente se trata duma carroça puxada por três cavalos ou burros...

"Perder os três"  pode também ser um misto entre a a glória (para as mentes mais libertinas) e a desonra (para os mais púdicos), sexualmente falando. E ainda neste último capítulo, também há quem quando pensa em três associe o numero a umas "ménages" e outras libertinagens :-) .


O Cosméticas faz hoje três anos, portanto respeitinho, que já somos grandinhos!

Quem também faz anos hoje (50) é a "Garota de Ipanema", musica incontornável aqui pelo Cosméticas.



Parabéns a todos vós que nos seguem.

Um obrigado em particular ao grande amigo Nuno PortoMaravilha.

por MrCosmos | link do post

 

0 Festival de Cinema de Vila do Conde levantou uma pergunta pertinente: O que seria o mundo sem o cinema Português ?

Julien Gester dedica um interessante artigo à 20ª edição do Festival de Vila do Conde e, igualmente, ao cinema Português.

Um cinema que sabe inovar e que não abandona a sua vertente artística, reivindicando-a.

 

O atual governo Português deixou de subsidiar a produção cinematográfica portuguesa!

Ele mostra à cena internacional o seu desprezo pela cultura!

Os recentes prémios alcançados ("tabu" e "Salaviza") são uma enorme derrota para o atual governo Português!

Este ultimo não pode negar que o cinema Português proporciona projeção internacional!

 

Solidários com o Cinema Português, somos...

 

Fonte: Libération, 18 juillet 2012, p. 23

 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 


Dennis Meadows que estava presente na primeira conferência (Estocolmo 1972) declarou: "A nossa visão a curto prazo está-se a quebrar contra a realidade física do nosso planeta".

fonte: Libé-mag, 16-17 Jun 2012, p.VII" / Desenho: ?
Nuno
por PortoMaravilha | link do post

 

 

"Queiram descer do carro. Têm que passar o teste de virgindade."

 

Os ataques contra a Liberdade da Mulher (e do homem) aumentam de dia para dia...

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 Foto: "Porto: Fotografias e texto de Werner Radasewsky e Gunter Scheneider", ed. Nicolai


Em Portugal o futebol é o desporto rei e é omnipresente. Para uma população de 10 milhões de habitantes existem três diários desportivos que, essencialmente, só tratam de futebol. Se acrescentarmos que as publicações diárias e semanais dedicam várias páginas ao futebol e sem esquecer as edições em linha, podemos pensar que o gosto dos Portugueses pelo futebol é um fenómeno invulgar. E é tanto mais questionante que Portugal, em futebol, a nível nacional, nunca ganhou nada. 

 

Portugal tem, no entanto, hoje em dia, pela primeira vez na sua historia, um futebolista que já é lendário. Pelé, Eusébio, Platini... foram excelentes jogadores, mas não são, propriamente dito, lendários. Best ou Cantona, por exemplo, sim. 

Cristiano Ronaldo desespera os Portugueses. Estes últimos que tanto gostam de lendas, quando tem uma viva e ao seu alcance fogem dela. Cristiano Ronaldo é um "contentamento descontente", para os Portugueses.

 

Num país em que a imagem do Homem está ainda ligada, essencialmente, à ruralidade (não é uma ofensa), Cristiano Ronaldo incomoda. Este não é só um jogador fora de série, é também um "metro sexual". E talvez seja a sua urbanidade, a sua "metro sexualidade" que não lhe é perdoada. 

O conceito, o termo "metro sexual" é criado por Mark Simpson. Este jornalista Inglês debruça-se, a partir dos anos 2000, sobre a evolução da "masculinidade". O homem "metro sexual" deseja ser desejado e, isto, é uma forma de libertação. Beckham, por exemplo, incarna este movimento. São os homens que vão expor o seu corpo: Tatuagens, piercings, depilação, gel... passam a serem símbolos da identidade pessoal. O narcisismo já não é o apanágio das mulheres.

 

 

Os homens já não tem vergonha de dizer que gostam de ver a imagem de outros homens. O corpo tornou-se um dos últimos acessórios da sedução masculina. O corpo do Homem tornou-se um objecto por vontade própria do Homem. Tudo no corpo é desenhado, estilizado, modelado até ao penteado, até ao ultimo detalhe. Isto, para poder agradar e competir com os outros homens. Mas também para poder conquistar e partilhar o poder das mulheres. Numa sociedade em que a imagem alcançou um estatuto maior, o desejo de ser desejado passa pela obrigação de ser visto no mundo da imagem tecnológica (televisão, webcam, etc..). E São as mulheres que compõem a maioria dos telespectadores.


Cada vez mais, as mulheres afirmam gostarem de ver cenas de amor entre os homens. Como cada vez mais abrem "boîtes" com striptease masculino. Penso que é neste contexto que se insere a imagem de Cristiano Ronaldo. Ela pertence à adolescência da primeira geração "metro sexual". A imagem do futebolista levanta sentimentos de frustração e de medo na sociedade Portuguesa? O que é certo é que tal imagem baralha os dados. Como se fosse necessário seduzir os homens, para seduzir as mulheres.

 

Há quarenta anos, David Bowie pré-figurava esta evolução. Beckham deu-lhe uma forma simples e Ronaldo uma forma complexa ou artística.

 

Sobre a ilustração de C.R.: ver aqui

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

A excelente revista mensal So Foot dedica, no número deste mês de Junho, um artigo aos jogadores naturalizados que jogaram ou jogam pela selecção do país de acolho. E estabelece uma classificação que engloba 25 jogadores.

A naturalização não é um fenómeno novo no mundo do futebol. Basta lembrar Di Stefano e Ferenc Puskas que, uma vez naturalizados, jogaram pela Espanha. Existe ainda, quanto à Espanha, o exemplo de Marcos Senna, nascido no Brasil. Jogador que ajudou a "selecion" a conquistar um titulo maior em 2008. O que não acontecia desde 1964.  

 

O topo da classificação é encabeçado pelo "naturalizado" Deco. A chamada do maestro do FC Porto à "selecção" aparece como a mais controversa devido às declarações na altura de Figo: "Isso prejudica o espírito de equipa. Se nasceu na China, muito bem, joga pela China". E, uma vez Figo citado podemos ler, ironicamente: Se Deco tem os olhos em amêndoa é porque tem sangue Japonês e não Chinês.

 

O que terá levado Figo a tais declarações? Não era ele um jogador habituado ao cosmopolitismo? Não conhecia ele a historia de Di Stefano e Puskas? As palavras de Figo espelham uma sociedade Portuguesa que é racista? Uma sociedade que esqueceu que é fruto duma enorme mistura? Pode ser racista uma sociedade em que qualquer família tem, no mínimo, um familiar que é e/imigrante?

Porque e quem tanto incomodava o "maitre à penser de Porto"? Por ser do FC Porto? Por ter sido descoberto pelo FC Porto? Por não incarnar nem o centralismo lisboeta nem a ruralidade Portuguesa?

 

A politica sempre esteve, embora em graus diversos, presente no mundo do futebol. Há quem compare a Ucrânia de hoje à Argentina de Videla. 

Dezasseis selecções e trinta e um jogos. Até 2 de Julho haverá dois Euros: Um dirá respeito ao futebol; Outro à moeda e à economia. Os governos em dificuldade apostam no Euro para fazerem ilusão ou diversão. Já o governo Francês não terá representantes oficiais na Ucrânia.

Explicitas são também as palavras do capitão Alemão, Phillipp Lahm: "A minha posição sobre os direitos fundamentais, direitos humanos, liberdade de expressão ou de imprensa não correspondem à situação actual da Ucrânia." Quando o primeiro ministro Espanhol pede ao seleccionador Espanhol para ganhar o Europeu, para dar alegria ao Espanhóis, Del Bosque responde-lhe com sabedoria e razão: "... a possivel vitoria no Euro não é a solução para os problemas do país." (Libé, p.4 / 6 jun) 

  

E se tudo ainda não estivesse podre? 

  

Fontes: So Foot, n°97 ; Libération, 6 Juin 2012

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Com a atribuição da "Palme d'Or", graças ao seu filme Amour, M. Haneke junta-se ao circulo restrito dos realizadores que obtiveram por duas vezes a recompensa maior em Cannes.

 

O filme Amour é um conto sobre a velhice e a morte. E é uma narração dolorosa porque nos interroga sobre a nossa condição e a nossa dignidade.

O amor não é paixão como também a piedade não é compaixão, sendo esta ideia o fio condutor do relato. O casal de idosos, magnificamente interpretado por Emmanuelle Riva (Anne) e Jean-Louis Trintignant (Georges), reivindica dignidade. E quando a enfermeira, após a ter penteado, diz a Anne que está bela, Georges despede-a. É um dos exemplos onde é desmascarada a hipocrisia, a falsa "boa consciência" e onde é acusada a sociedade do espectáculo que parece só saber fingir.

 

Podemos levantar a pergunta se a nomeação do filme de M. Haneke não é uma resposta à alienação de quem já não quer conhecer os seus sentidos. Um filme que pinta um casal de idosos apreendendo o tempo, a dor e a sua relação com a morte. É uma fita que se opõe à tendência actual do cinema e, sobretudo, do cinema "made USA". Georges e Anne não são super-heróis, não são seres sobrenaturais ou seres fora do comum. Formam um casal de idade como tantos outros que podemos cruzar na nossa rua.

 

E não deixa de ser cómico o seguinte: Em 20 de Maio, o jornal "Nice Matin" publica uma crónica sobre o filme e cujo titulo diz tudo: "Haneke m'a tuer". Titulo que reenvia para uma comédia...

Nuno

 

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É imensamente curioso e sedutor ver que quando Grande Chefe Apache cria a etiqueta Futebol: Uma arena de morte?, passado pouco tempo Marc Perelman, professor universitário, escreve um longo artigo que apresenta quase o mesmo título. Penso que podemos descortinar semelhanças quanto a certos temas tratados como também diferenças. Mas a palavra que é a génese do pensamento sobre o futebol é a mesma: Arena. E não é uma palavra neutra...

Curioso e sedutor ver que duas personalidades, vivendo em países diferentes e tendo ocupações laborais diferentes, empregam, praticamente, o mesmo vocabulário. Segue a tradução do artigo de M. Perelman, escrito em 23 de Novembro de 2009:

 

  • "Contrariamente aos recentes dizeres da "secretária de Estado encarregada dos desportos, Senhora Rama Yade, o estádio nunca foi um "santuário e um lugar de civilização apaziguada". E poderá se tornar ainda menos esse lugar e esse santuário, apesar da produção de esforços muito mediáticos e, sobretudo, desesperados graças à nascença duma "célula nacional de prevenção contra a violência", dum "primeiro congresso nacional das associações de adeptos", tornando-se uma "federação nacional de adeptos". De mesmo, a repressão posta em obra pela ministra da Justiça, Senhora Alliot-Marie, parece também ineficaz com a "sua resposta penal particularmente dura  e rápida", o "seu carácter mais dissuasivo" graças às penas de proibição administrativa de entrar nos estádios. Estas políticas não entendem que a violência dos adeptos tornando-se rapidamente hooligans não decorre duma "minoria agitante", de "parasitas" que tomam como refém o "futebol".

 

A violência é praticada por ferozes hordas de apaixonados por futebol, massas compactas de brutos sem amarras, muitas vezes bêbedos e imensamente eficazes no diálogo por projecteis interpostos com os poderes públicos, mas para quem o futebol é uma parte decisiva da sua vida e o estádio uma família, uma casa. A violência não é pois exterior aos estádios, em "margem" como se disse aquando da morte de Brice Taton acontecida antes do encontro Toulouse - Partisan de Belgrado; Ela não é obra de indivíduos estranhos ao futebol.

As diferentes expressões de esta violência - dopagem, racismo, xenofobia, homofobia, "chauvinismo" - ressalvam duma "violência interna" consubstancial à única "lógica competitiva" e à qual o futebol está associado com todas as suas fibras. E esta lógica resume-se com palavras simples: Afrontamento, combate, choque, colisão entre jogadores de equipas dispostas a brigarem, batota. Esta violência toma forma nos estádios e também no desporto amador (o "Observatoire National de la Délinquance" indica uma subida preocupante da violência no futebol amador), havendo nos profissionais, entre outros, árbitros insultados, golpes provocando ferimentos graves, multiplicação de confrontos entre jogadores nos balneários ou entre espectadores nas bancadas: Tacos de basebol, navalhas, facas, armas de fogo são frequentes...

 

Em alguns anos esta violência, sem deixar os estádios, deslocou-se para fora destes: Os Fights opõem adeptos de equipas inimigas. A violência desagua nas cidades e, muitas vezes, em seus centros que se tornam os novos territórios dos confrontos entre adeptos e polícias aquando dos combates de rua  e a sua lista de degradações, de lojas destruídas, de carros queimados, de agressões a pessoas... Os estádios já não chegam para conter a violência que o futebol desencadeia.

Alegramo-nos demasiadamente depressa: Os estádios Ingleses, esvaziados dos seus hooligans, ter-se-iam tornado espaços de paz. Um derby recente, West-Ham-Millwall, degenerou em batalha campal entre hooligans embebidos de álcool e cujo racismo anti-imigrantes e orientação política de extrema direita é conhecida. As milhares de proibições de estádio e os preços extravagantes dos bilhetes deslocaram o problema para as divisões inferiores... Ora, é nos estádios do mundo inteiro e nas suas imediações, como na tranquila Suíça (jornalistas agredidos, batalhas campais entre hooligans na Basileia, em Zurique, em Sião.. a polícia utilizando balas de borracha e gás hilariante), passando pela Argentina (cinco adeptos mortos esta época em brigas), Marrocos, Tunísia e, sobretudo, Argélia (uma dezena de mortos desde 2005) que se manifesta "a violência provocada pelo futebol". Os estádios tornaram-se os lugares privilegiados da expressão desta violência e não outros lugares de agrupamento como os concertos de música, o teatro, o cinema, a praia...

 

A mão que permitiu, quarta-feira passada, a vitória da França perante a Irlanda é a consequência directa da gigantesca pressão económica e sociopolítica que o futebol apanha nos seus laços, põe de molho nos estádios e, depois, amplifica e restitui numa gigantesca caldeirada: ganhar a qualquer custo, fazer batota para ganhar, mentir após ter-se feito batota e ganho. Tal é a ideologia deletéria que promove o futebol e não que o futebol sofre. O futebol não é um jogo: Constitui, com o estádio, o fogo activo, o lugar central onde a crise das nossas sociedades toma um novo fôlego. O futebol é o vector duma "desintegração" de todos os quadros duma sociedade, das suas referências fundamentais como a identidade nacional que depende duma cultura comum e duma língua e não duma equipa com pitões, - uma entidade passageira, artificial e aleatória. Uma bola, uns "protegem-canelas" e uns livres são insuficientes para fundar uma soberania nacional. E a identificação dos jovens a um ídolo nos estádios ou a uma equipa vencedora, a sua integração pelo futebol à sociedade não fundará nunca uma identidade nacional.

 

É preciso agora pensar o futebol tal como ele é e não como o imaginamos ou o fantasmeamos. Assim, não é a violência que "gangrena" o futebol; Também não é uma minoria de ultras que contamina, parecendo que não, bravas pessoas calmas e pacíficas; E não são a mundialização ou ainda a mercantilização que corrompem e que sujam. A verdadeira gangrena que infesta a vida das nossas sociedades tem por nome futebol; E o estádio é intrinsecamente o lugar onde refogam as futuras explosões de violência porque os rancores (pesados) sociais e políticos amealhados se associam intimamente ao futebol; São orientados por este, exprimindo-se em caldeirões equipados para os receberem, os capturarem e os amplificarem até que desbordem na cidade, transformando-os em colunas guerreiras.

 

A violência dos adeptos não é apenas a expressão duma aflição social; Ela está no coração do projecto futebol que é a expressão dessa aflição social; Os movimentos preocupantes de exaltação e de identificação, da fúria nacionalista entre o Egipto e a Argélia maciçamente enquadrados pela polícia e pelo exército não envenenam o futebol, o verdadeiro veneno chama-se futebol e o estádio serve-lhe de recipiente e a cidade torna-se o seu território."

 

Obs: Esta tradução, esperando que esteja bem, é uma homenagem ao Grande Chefe Apache.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

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O texto de Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas é o maior romance da literatura de expressão portuguesa. Este texto está para a literatura de expressão portuguesa como Finnegans Wake de J. Joyce está para a literatura de expressão inglesa.

 

É um livro que assenta numa linguagem criada por G. Rosa para definir o seu Cosmos (tal como o fizera Joyce). Um Cosmos que é uma combinação e oposição simultânea entre: O "material" e o "espiritual", o bem e o mal... O "material" é a linguagem, a luta pela expressão; O "espiritual" é a memória, a luta entre valores (bem / mal), o porvir. Para que as personagens possam ser fluidas, combinando oposições, o autor dá nascença a uma nova língua.

 

As primeiras páginas não são fáceis de entender. Mas com o decorrer da leitura o universo "Roseano" abre-se. Existe um dicionário pensado por Nei Leandro de Castro que pode ajudar: Universo e Vocabulário do Grande Sertão (Livraria J. Olympio Editora, Rio). Mas continuo a pensar que depressa se entende que "canoar" é navegar em canoa ou que "ventear" é produzir vento...

 

O Sertão é o Cosmos que pinta a união e a oposição entre o aquém e o além, o bem e o mal...Na descrição da evolução da batalha entre as bandas rivais de jagunços todas as formas e temas maiores são salientados: O romance de cavalaria, o romance épico, o pacto com o diabo, o naturalismo, a crença, o esoterismo, o existencialismo...

 

O nome dos personagens é também muito importante. Tomemos, por exemplo, Riobaldo e Diadorim. Riobaldo é o jagunço letrado que vai para a guerra. Ele tem que vencer e faz um pacto com o diabo. Está também apaixonado por Diadorim. O seu código proíbe amar homens. A sua existência fica dividida por esta oposição. Na batalha final, Diadorim morre e Riobaldo descobre que a sua paixão é uma mulher disfarçada em homem. Um tema muito clássico da literatura medieval: Diadorim disfarça-se de mulher para poder acompanhar o seu pai na guerra. Como é também um tema muito clássico o pacto com o diabo. Está presente quer em Goethe (Fausto) quer em Pessoa.

 

De novo se expressa a noção de movimento: O bem, o mal, o convencional, o "inconvencional"... num perde-ganha-perde-ganha... O subtítulo da obra é "o diabo na rua, no meio do redemoinho..." dá a sensação de agitação, mudança, novidade...

 

Já é menos clássico que o pacto com o diabo apareça, linha menos linha, no centro da narração, criando uma simetria. Já é menos clássico a polissemia do nome Diadorim: Dia-dor-im. A primeira sílaba reenvia para a palavra "dia" e também para a primeira sílaba das palavras "diabo" e "diálogo"... O dia da dor? O diabo da dor? O diálogo da dor?... Podem haver várias interpretações. O sufixo "im" é um sufixo que acentua a insistência como, por exemplo, na palavra "mandarim": Mandar+im. O nome da personagem Rio+balde evoca, sobretudo, a palavra rio que lembra a água, a vida, a viagem, a foz, novos mundos. 

 

O texto elaborado por Guimarães Rosa termina com o símbolo do infinito. A palavra "fim" não pode existir no Cosmos, no diálogo entre o aquém e o além, entre o bem e o mal. Deste permanente diálogo nasce da boca de Riobaldo a frase que atravessa repetitivamente toda a narração: "Viver é muito perigoso". O Cosmos é Deus e o diabo é o seu subconjunto, não podendo um existir sem o outro. E Riobaldo explica que quem decide somos nós e que somos nós os únicos responsáveis por nossas decisões. Eis as últimas palavras do texto que antecedem o símbolo do infinito:

 

"Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia."

 

O texto de G. Rosa conheceu outras edições. E é estranho que algumas tenham esquecido o símbolo do infinito como também transformado a capa com todos os pormenores e signos desejados pelo autor.

 

Porquê? Sim, porquê? 

Nuno 

obs: Para Gisleuda, o prometido é devido.

por PortoMaravilha | link do post

 

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Em 25 de Abril de 1974 é derrubado um dos sistemas fascistas mais longos da história Europeia.

Quando é anunciada o início da Revolução dos Cravos, nenhum média Francês tinha um correspondente permanente em Lisboa.

Pior que isso: Nenhum média internacional estava em condições de retratar os acontecimentos Lusos.

Portugal fazia parte do que se chama "zonas cinzentas do planeta". Não existia... 

Para os jornalistas estrangeiros, a imprensa estava demasiada comprometida para ser fiável.

 

No que toca ao desporto, o futebol era a modalidade posta em relevo.

Durante cinquenta anos, os clubes de Lisboa são campeões.

O que é curioso!? Os dados falam só por si!

Tal como na Espanha Franquista os clubes da capital são campeões.

Só após a queda do fascismo foi possível ver o FC Porto, clube popular do Porto, ser campeão nacional.

Um clube que se tornou famoso graças aos seus títulos europeus e mundiais.

É também o primeiro a ter proporcionado a um jogador Africano (Madjer) ser campeão Europeu.

 

A peça aqui apresentada parece elucidar o que foi exposto. 

Sporting e Porto estão separados por dois pontos no topo da tabela.

Um jogo que se realizou uma semana antes do 25 de Abril.

 

Fonte: República, 18 Mar 1974 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Devido ao fascismo, a região Portuguesa de Trás-os-Montes viveu em autarcia e num isolamento total até à queda da ditadura.

Esse isolamento autorizou conservar tradições rurais, sociais, económicas... antiquíssimas.

Por exemplo, fica-se a saber que a gaita de foles transmontana guardou uma forma mais arcaíca que a galega. 

O vinil que apresentamos é uma fonte de informações riquíssimas. 

É uma fabulosa pesquisa editada pela Radio France em 1980.

Ela é, essencialmente, o fruto do trabalho da Section d'Ethnomusicologie du Musée Instrumental de Bruxelles.

 

Como podem ler, não existam explicações em Português.

O que é curioso, já que a Secretaria de Estado à Cultura (Portugal) deu a sua contribuição. 

Muito curioso mesmo...

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

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