Escrever para não morrer...

O testemunho de Hídeo FuruKawa, escritor de ciência ficção nascido em Fukushima, questiona:

 

"...vi macacos, soltos a título experimental e equipados com dosímetros, saltando de ramo em ramo, partirem rumo às montanhas contaminadas. O homem que se diz superior aos macacos só pode ter reconhecimento e consideração por eles... O que foi esta catástrofe? O que é que se passou realmente?... Para mim, o trabalho de criador não é de dar uma resposta, é de guardar a pergunta viva eternamente."

 

Este post é uma encruzilhada entre:

Fukushima ou a Dialéctica de Natureza @nd  Sê Macaco e Grita!

 

Fonte: Télérama, 7 de Mar de 2012, p.26 | Foto: A árvore que subsistiu da floresta que rodeava a estrada de Pripiat. As outras, devido à sua radiotividade, foram cortadas (L'autre Journal, nº1, Maio 1990, arquivo pessoal)

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

  

  

    

Lembro-me dele desde que me lembro de ser gente. O Fantasporto - Festival Internacional de Cinema, que conclui amanhã sua 32.ª edição, dispensa apresentações.

 

Porque é que - apesar dos cortes austeros e gerais que se vivem na cultura Pt - este certame sempre acabou por ser em boa parte desprezado em Portugal, ao contrario da notoriedade que traduz entre a industria de cinema estrangeira, já é outra questão.

Ou então não... É apenas e sempre mais do mesmo: o apanágio das províncias.

 

Este post pode ser lido como continuação de Fantasporto: 'Nobre, Invicto e Leal' .

--

Paulo Jeónimo

 

por MrCosmos | link do post

 

 

 

De 26 a 29 de Janeiro teve lugar o trigésimo nono Festival de Banda Desenhada de Angoulème.

É um acontecimento cultural importante na sociedade Francesa.

Em relação a 2010, a produção aumentou de quase 5 por cento. Foram publicados 5327 títulos de Bd.

 

Mais de um terço destes novos títulos são mangas asiáticos. 

O presidente do festival é Art Spiegelman, o pai de Maus, vencedor da edição 2011. 

Duas Bd já aqui apresentadas fazem parte da seleção oficial:

Pour en finir avec le cinéma de Blutch

Portugal de Cyril Pedrosa

 

Art Spiegelman também realizou uma obra, MetaMaus, onde se interroga sobre a escolha da Bd para tratar o Holocausto...

 

Foto: Zoo, Jan de 2012, p.6

Este post pode ser lido como a continuação de A Bd pelas trilhas do vinil 

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

(clicar para ampliar)

 

No final de Outubro de 2011, para marcar o acontecimento da retirada das tropas US do Iraque, o diário Libération decide reproduzir a entrevista com F.F. Coppola realizada, por Marc Kravetz. Foi há 32 anos.

 

Não farei qualquer comentário. Lembro apenas que Star Wars, interpretando as palavras de Coppola, é já na época muito mais que uma simples saga...

 

Segue a tentativa de tradução da entrevista:

 

Um filme sobre a guerra do Vietname, uma história onde o Vietname não é mais que o cenário duma viagem interior, o filme trata de uma guerra diferente, da sua guerra?

A melhor coisa que fiz foi ultrapassar os problemas de actualidade a propósito do Vietname. O que estava a fazer a América no Vietname? Qual era a política do governo Americano em relação aos movimentos que nos Estados Unidos tentavam parar com a guerra... São perguntas que o meu filme nunca aborda. Isto não tem nada a ver com a condição humana nem com os temas que queremos explorar, a moral confrontada com os seus limites, o horror. É verdade, o Vietname é utilizado como o cenário duma enorme peça concebido como um mistério da Idade Média. (...)

 

Disse numa entrevista que Georges Lucas, o realizador de "Star Wars", podia se o desejasse fabricar um presidente dos Estados Unidos...

Sem qualquer dúvida. Pode-o verdadeiramente.

 

E você?

Provavelmente também. Excepto que o presidente dos Estados-Unidos já não tem grande peso. Eu tenho mais importância que ele.

 

Como isso?

Na medida em que posso dizer peguemos em quinze milhões de dólares e façamos um filme, escolhendo todos os ingredientes necessários para agradar a um vasto público e em temas que podem ser entendidos e transformados em acção. Pode-me dizer qual outra pessoa é susceptível de tomar esta decisão e realizar um tal objectivo?

 

Não é "o" poder; Unicamente aquele que modifica algumas ideias...

O que há de mais importante? Como fizeram os nazis antes de obterem a totalidade do poder? Lembre-se que só conheciam o cinema a preto e branco. Imagine o que se pode fazer na idade da electrónica, quando o planeta poderá ver, ao mesmo tempo, as competições olímpicas, a entrega dos óscares em Hollywood ou um combate de Mohamed Ali.

 

Tem uma grande confiança na tecnologia?

Um dia alguém inventou uma máquina que permitia fabricar barato tecido em grande quantidade, isso provocou a revolução industrial. As pessoas que lêem o jornal nos seus sofás predizem que nada acontecerá e, contudo, um dia isso acontece. O cinema é muito pujante. A televisão mais ainda. Tudo o que pensamos, a nossa ideia do bem ou do mal, os nossos gostos, a nossa linguagem são formados pelos média. O progresso tecnológico vai decuplar tudo isso, permitir a difusão imediata das produções audiovisuais. Tenho a impressão que os governos não tratam verdadeiramente dos média, não vêem até ponto tudo está prestes a arrebentar. Finalmente, é bom sinal. Se as pessoas que estão no poder não estão conscientes do que lhes acontece, não ficarão muito tempo no poder. (...) A América, uma certa América, está a morrer. A minha ideia, talvez o meu sonho, é que estamos na véspera duma mudança incrível, o maior da época moderna e que, daqui a oito ou dez anos, já não viveremos no mesmo mundo. Os Estados Unidos vão morrer, mas o país é tão rico, tão diverso com as suas populações vindas de todos os lados que renascerá de maneira mágica. Mas já não se tratará dos Estados Unidos. (...)

 

Neste filme, acumulou os símbolos culturais americanos, "bunnies", "steaks", "surf" mas também"hasch", "lsd", "a música rock", sub-conjuntos apresentados como pertencentes a sistemas com valores antagonistas?

Sim. Queria mostrar que o Vietname dos Americanos não era mais que a própria América, que tudo o que se passava em Los Angeles também se passava no Vietname. É por isso que no barco, a um dado momento, se vê uma foto de Manson que matou para protestar contra a guerra. O personagem acaba de receber uma carta da sua namorada com o recorte do jornal e bolachas. Ele come as bolachas e vê a foto. E acha que esse Manson é decididamente esquisito. Todavia, ele está no Vietname. Ele vive diariamente no horror. A loucura está em todos os sítios. As pessoas que não gostam do filme dizem-me que Brando não diz nada. Brando diz muita coisa. Lê o "script". Trabalhámos consideravelmente sobre o seu texto. Era preciso dar a aceitar um rosto que fale num plano muito grande, contrariamente a todas as regras cinematográficas. Ver-se, por fim, tal como se é e aceitar-se, mesmo ao preço da morte. É isso que quer dizer Brando no fim.

 

Podemos dizer que Apocalypse Now é a guerra fora de si e dentro de si, um Vietname espiritual ao mesmo tempo que uma rigorosa re-construção?

Exactamente. Não é a crónica verista duma guerra verídica. É a guerra na sua essência.

 

Que diz o produtor Coppola no dia seguinte de Apocalypse?

Tenho vontade, agora, de trabalhar num estúdio à moda antiga, como no tempo da Warner. Tenho uma série de filmes na minha cabeça, alguns são realmente fantásticos, mas não os poderei realizar com uma máquina. O estúdio é a máquina. Vou tentar construir um. Evidentemente, é um empreendimento de centenas de milhões que não posso assumir só. Preciso encontrar sete ou oito realizadores que estejam de acordo para se lançarem nesta aventura. Um estúdio "hollywoodiano" na tradição da MGM. Mais pequeno, com certeza. Enfim, não muito mais pequeno. A MGM era fantástico. Mais pequeno, apesar de tudo.

 

Este post pode ser lido como a continuação de Os projectos futuros de Coppola

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

"Como explicar que ninguém detesta os Portugueses,

exceptuando os próprios Portugueses " {#emotions_dlg.unknown} 

(Hans Magnus Enzensberger)

 


 

LES DIX MEILLEURS FILMS 2011 SELON DE CAHIERS DU CINEMA

 

1. Habemus Papam de Nanni Moretti

2. L'Étrange Affaire Angélica de Manoel de Oliveira

    The Tree of Life de Terrence Malick

4. Hors Satan de Bruno Dumont

    Essential Killing de Jerzy Skolimowski

6. Melancholia de Lars Von Trier

    Un été brûlant de Philippe Garrel

8. Super 8 de J.J. Abrams

    L'Apollonide de Bertrand Bonello

    La Dernière Piste de Kelly Reichardt

 

«O Estranho Caso de Angélica» é o 2º melhor filme do ano na «Cahiers du Cinema» (Link)

Este post pode ser lido na continuação de Manoel de Oliveira: Um clássico da história da Arte?

 

Paulo Jerónimo

por MrCosmos | link do post

 

 

 

"O cinema é só uma maneira de falar do tempo que passa..."

 

Fonte: Blutch, BDCAF'mag, nº39, Set-Out de 2011, p13.  / Imagem: Capa da Bd de Blutch.

Este post pode ser lido como a continuação de A BD e o Elixir da Eterna Juventude

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Entrevistado pelo cinéfilo Mário Augusto acerca da estreia de se novo filme no papel de Johnny English, Rowan Atkinson assume que parou com o personagem de Mr. Bean porque via o mítico  e bem sucedido "Sr. Feijão" como um Personagem de Banda Desenhada, e em BD os Personagens não envelhecem.

 

Logo, persistir o ator em interpretar Mr. Bean na tela seria envelhece-lo e , interpreto eu segundo seu argumento, deteriora-lo.

Sim, faz sentido.

por MrCosmos | link do post

 

 

 

Bertrand Bonello, autor de L'Apollonide (Souvenirs de la maison close), filme em competição em Cannes 2011 e que estará nas salas no dia 21 deste mês de Setembro de 2011,  foi entrevistado pela revista So Foot.

Não resisti à tentação e à revelação de publicar o que nos apresenta sobre Godard:

 

"O Sonho de Jean-Luc Godard, era de realizar, creio,  um jogo de futebol com a tf1. Mas eles disseram-se: "É tão maluco que vai filmar tudo menos a bola." E penso que é o que teria feito."

Fiquei a pensar: O que é a loucura cinematográfica, no que diz respeito ao futebol?

 

Este post pode ser lido como uma continuação de Mentiras e Limites da Camêra no futebol

Fonte: So Foot, Setembro de 2011, p.123 /  Imagem: Foto do filme : L'Apollonide

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo... Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

 

Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

 

Leia-se:

A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira...

 

O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes... Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais "dificultuoso" ("difficultueux" no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante...

 

Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Segundo Raúl Ruiz:

"Todas as técnicas do cinema desaguam, desde agora, no sentido de vos escravizar. Escraviza-se a atenção do espectador."

 

Citação: Libé, 21 de Agosto de 2011

Foto: L'Autre Journal, Out de 1990, p.102 ( arquivo pessoal ) / Uma imagem do Che diferente entre outras...

Este post pode e deve ser lido como a continuação do post Mystères de Lisbonne

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Foram precisas décadas para que se desse, finalmente, uma continuação conseguida ao romance de Pierre Boulle: La Planète des Singes.

Continuação que o realizador Rupert Wyatt soube elaborar.

Pierre Boulle, conheceu os acontecimentos da segunda guerra mundial. Em 1963, elabora o seu romance, La Planète des Singes. Não é só um romance de ciência ficção. É também um questionamento sobre o funcionamento das sociedades humanas.

Esta obra, tornando-se um clássico, começa a questionar a sociedade Francesa. Se acrescentarmos, a este suceso de edição, o sucesso da canção de Françoise Hardy, tous les garçons et toutes les filles de mon âge, praticamente publicado na mesma altura, podemos pensar que as premissas de Maio de 68 estavam reunidas nestas duas obras.

 

Curiosamente, a primeira versão cinematográfica do livro de Pierre Boulle sai nos USA em 1968. O Filme é de Schaffner, tendo como actor principal C. Heston.

Da obra de Pierre Boulle, nascerão Bandas Desenhadas, folhetins televisivos e vários filmes. Em 2001, Tim Burton, tentou uma adaptação demasiada pretensiosa (opinião subjectica) que não teve qualquer êxito.

O filme de Rupert Wyatt, focando a pesquisa sobre a doença de Alzheimer, nos remete para a memória do texto e da tela.

Existem demasiados paplimpsestes, piscadelas..., na obra de Wyatt para que se possa resumir tudo. O filme apresenta uma vitória do dominados sobre os dominantes. César deveria chama-se Espartacus..., por exemplo.

 

O filme de Rupert Wyatt, sem 3D e sem cenas de sexo ou violência deliberada, convida-nos a pensar a ciência e o progresso.

Interessante verificar que, novamente, Andy Serkis, após a sua prestação no "Senhor dos Anéis", no papel de Gollum, se torna o actor que sabe actuar com os seus olhos, qualquer que seja o disfarce ou a técnica elaborada.

O Planeta dos Macacos: A origem, é um filme que nos leva a meditar sobre a ciência, o progresso e a violência.

E talvez melhor que certos pomposos tratados filosóficos.

 

Foto: Le Figaro Magazine, 12 de Ag de 2011, p. 76

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Os trolls, contrariamente ao que se poderia em aparência pensar, fazem parte da mitologia Nórdica. São seres agressivos que povoam as lendas e as montanhas da Noruega.

The Troll Hunter, realizado por André Ovredal,  não é Indiana Jones. Mas é um filme que me parece de muita qualidade, tendo-se em conta os muito poucos meios disponíveis para a rodagem.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

Segundo Christophe Honoré, realizador de "Les Bien Aimés":

"A minha geração começou a sua via amorosa e sexual debaixo do terror da sida. Parece-me que, realmente, nunca se tranquilizou quanto a esta."

 

Fonte: Télérama, nº32111, p12 /  Fotos: Télérama, nº32111, p. 14 & Libé de 18 de Jul de 2011

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

 

O filme de Fernando Trueba e Javier Mariscal mergulham-nos numa história de amor onde o Jazz é rei.

Se o cenário decorre no fim dos anos 40 em Cuba, país poluído pela prostituição e os dólares, o mesmo cenário mostra-nos que os Cubanos integrarão no Jazz novos ritmos latinos e africanos.

 

O filme "Chica & Rita" (trailer aqui) é uma bela obra muito bem documentada que mostra que o cinema de animação ainda existe.

Interessante observar que os mídias Franceses optaram, quer pela imagem em preto e branco quer pela imagem em cor, no que diz respeito à apresentação do filme.

Este filme é não só uma homenagem ao cinema de animação como também é uma homenagem ao Jazz dos anos cinquenta.

 

Imagens: Midias fr

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

Após o sucesso de bilheteira que foi Avatar tomei conhecimento do artigo de Walter Murch, descrito como o "designer" e editor de som mais respeitado no cinema moderno.

Walter Murch, vencedor da academia de Oscars, é responsavel pelo desenvolvimento e introdução do sistema de som em canal 5.1 que revolucionaria o cinema elevando-o para um novo patamar a titulo sonoro, e basicamente na sua carta enviada a o 3D nunca singrará. Segundo o texto de Roger Ebert:

 

"Recebi uma carta que encerra, em meu entender, a discussão sobre 3D. Ele não funciona com o nosso cérebro e nunca Singrará.
A noção de que somos convidados a pagar um prêmio para testemunhar uma imagem inferior por inerência de nos confundir o cérebro é ultrajante. O caso está encerrado.
"

 

Na sua carta Murch explica, numa argumentação técnica, as dificuldades e questões que eu proprio me colocava ao assistir ao 3D, sem resposta para elas. É que ao longo dos anos, até hoje, o 3D sempre me gerou o desabafo de: "Isto soa a falso".

Passamos a traduzir a carta de Walter Murch à Roger Ebert, onde as inserções introduzidas em parentesês rectos são de minha responsabilidade, complementando o que entendo ser a interpretação da argumentação original do autor.   


Walter Murch

  "Olá Roger,

 

  Eu li sua opinião sobre o "Green Hornet",

  e embora não tenha visto o filme, concordo

  com  seus comentários sobre 3D.

  A imagem 3D é escura, como menciona,

  e pequena. De alguma forma os óculos

  "reúnem-se com" a imagem - mesmo em uma

  tela Imax enorme -  e ao olhar-se sem óculos,

  a imagem aparece a meia distância.


  Eu editei um filme 3D na década de 1980,

  "Captain Eo", e apercebi-me que o movimento

  horizontal estroboscópico ocorre muito mais

  cedo em 3D do que em 2D. Isto era verdade

na época,e ainda é verdade agora. Tem algo a ver com a quantidade de energia do cérebro dedicada a estudar as bordas das coisas. Quanto mais conscientes estamos das bordas, mais depresa um efeito estrábico [desalinhamento/desfoque] salta à vista.


O maior problema com o 3D, porém, é a "convergência / foco" associada. Um par de outras questões , tal como a escuridão e a "pequenez", são pelo menos teoricamente solucionáveis. Mas o problema mais profundo é que o público deve focar seus olhos no plano da tela - que dizem estar à 80 metros de distância. A distância é constante e nada mais importa.
Mas o que os olhos vêm na tela [a realidade tridimensional que se tenta representar] deveria convergir em talvez 10 metros de distância, de 60 pés [18mt], 120 pés [36mt], e assim por diante, dependendo da ilusão pretendida. Assim, filmes em 3D nos obrigam a concentrar em uma distância [sempre fixa: a distância a que estamos colocados da tela/ecrã]  mas convergem para outra [a distância (profundidade) variável da realidade filmada]. E 600 milhões de anos de evolução nunca apresentaram esse problema antes [ao cérebro]. Todos os seres vivos colocam os olhos sempre, focados e convergentes, no mesmo ponto.



Se olharmos para o saleiro na mesa, perto de nós, vamos concentrar-nos em seis pés [182cm] e os nossos olhos convergem (tilt in) [movimento descendente] em seis pés. Imagine a base de um triângulo entre os olhos e o vértice do triângulo repousa sobre a coisa que está olhando. Mas, então, ao olhar pela janela e concentrar-se em 60 pés os olhos convergem também para 60 pés. O triângulo imaginário que tem agora "abriu" para que suas linhas de visão sejam quase - quase - paralelos uns aos outros.
Podemos fazer isso. Filmes em 3D não funcionariam se não pudéssemos fazê-lo. Mas é como que estar a bater na cabeça e esfregando seu estômago, ao mesmo tempo: difícil. Assim, o "CPU" do nosso cérebro perceptual tem trabalho duro extra, e é por isso que depois de mais ou menos 20 minutos muitas pessoas têm dores de cabeça. Elas estão fazendo algo para o qual em 600.000 mil anos de evolução não foram preparadas. Este é um problema profundo que nenhuma quantidade de ajustes técnicos pode corrigir. Nada vai corrigi-lo de repente na produção "holográfica" real de imagens.

Conseqüentemente, a edição de filmes em 3D não pode ser tão rápida quanto para filmes em 2D, devido a esta mudança de convergência: é preciso um número de milissegundos para o cérebro/olho "pegar" o que o espaço de cada "disparo" [plano/imagem] é, e ajustar.


E, por último, a questão da imersão. Filmes em 3D lembram ao público que eles estão em um relacionamento "perspectiva" certos para a imagem. É quase um truque brechtiano. Se a história do filme tem realmente agarrado uma audiência na ilusão de que eles estão "dentro" da imagem, em uma espécie de sonho no espaço "sem espaço", uma boa história vai dar-lhe mais dimensionalidade do que a assistência consegue realmente enfrentar.

Portanto: escuro, pequeno, estrábico, induzindo dor de cabeça, alienante. E caro. A pergunta é: quanto tempo vai levar as pessoas a perceberem e ficarem fartos?

 

Texto original | este post pode ser lido na continução/contradição de "A Transmissão Simbólica: Folheto N.º 8"


PC Jerónimo da Silva

por MrCosmos | link do post

foto perfil.jpg

pauloc.jeronimo@gmail.com

pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

Controle de invasão ET
comentários recentes
Merci pour le partagehttp://boomlasers.alzawaia.co...
Hand ball is actually a nice game to watch. I firs...
Children are not good with lies. They doesnt know ...
Woww!!! I am glad you have shared this old picture...
Alors, dit-il,Au Revoir ! , dit-elle. Alexandre O'...
Jovem, apesoado, dotado, submisso, procura homem d...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
.