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Perante a leitura actual da imprensa internacional e não só, pareceu-me interessante citar os propósitos de Eugénio Kaspersky.

Passo a traduzir a sua entrevista ao diário "Libération" de 4 de Março de 2010, página 27.

Eis, então a entrevista e a sua introdução :

 

O homem é jovial e não maneja a língua do politicamente correcto, não hesitando em apontar "os idealistas da net" como lhes chama. O Russo Eugénio Kaspersky tem 44 anos e é perito em segurança informática, sendo fundador do anti-vírus do mesmo nome. Não pára de pôr em guarda contra os perigos duma internet "insuficientemente controlada" que, ele próprio, convida a "despoluir". Este diplomado em criptografia estudou nos viveiros do KGB e instalou, inicialmente, os locais da sua "start-up moscovita" no mesmo prédio que um laboratório de pesquisa científica sobre os sistemas de vigilância de acompanhamento dos mísseis. Cabeça duma sociedade de 1200 pessoas que revindicta a sua presença no top 100 dos editores de softwares, fornecedor de anti-vírus do "Ministère de l'intèrieur Français", Eugénio Kaspersky explica ao "Libération" porque batalha para uma melhor segurança das redes. Propósitos livres, "100 % assumidos", insiste.


 

Como descreveria a evolução da cibercriminilidade ?

 

As ameaças não param de crescer. Primeiro, tivemos direito às proezas individuais dos "crakers". Em seguida, constatamos a emergência de grupos bem especializados, em geral por país e por tipo de actividades. Hoje, por fim, temos que fazer frente a um mercado globalizado que funciona, um pouco, como uma gigantesca bolsa de trocas com clientes desejosos de lançar ciber-ataques e, outros, fornecendo os intrumentos para os levar a cabo e, ainda, outros que se encarregam unicamente da sua execução. Um mundo extremamente fechado e estilhaçado entre aqueles que se chamam "White hat" ( gentis "hackers" ) e "Black Hat" ( cibercriminais ). Francamente, conhecemos mal essas pessoas. Nunca são presas.

 

 

Mas o que faz a polícia ?

 

Fora da União Europeia, onde existe uma real colaboração, é muito difícil lutar à escala internacional. Não há nenhum contacto ou quase entre Europeus e Russos : Nada com os Chineses, Latino-Americanos. Ora os cibercriminais brincam com as fronteiras. Resultado, é extremamente raro que possamos ir até à fonte dos comanditários das redes.

 

 

Para si, a Net ficou incontrolável ?

 

Pior ! O que é certo é que a protecção dos indivíduos, dos estados e das empresas é muito insuficiente. A maior parte das pessoas não são conscientes de todos os perigos da rede : Fazem-se, naturalmente, confiança nas redes sociais. Mas aconselho-os a não acreditarem en ninguém que não conheçam em carne e em osso, de desconfiar de cada sms, etc.

 

 

Mas é completamente "parano" !

 

Aí sim ! Trabalho desde há anos na segurança informática e aprendi que aí a realidade ultrapassava os meus piores cenários paranóicos. Infiltrando 1 % dos computadores do planeta via redes " fantasmas", pode-se bloquear todo o sistema, as redes de comunicação eléctricas, os mercados financeiros, os sistemas de defesa, etc. Uma recente simulação de ciber-ataque surpresa contra os Estados-Unidos provou a que ponto estavam mal preparados. Uma minoria pode amanhã bloquear toda a economia mundial que depende, desde já, a 90 % da teia. E não é ciência ficção.

 

 

Mas o que é preciso fazer então ?

 

É preciso dar mais poderes àqueles que lutam contra o cibercrime e pôr em lugar um sistema de identificação internacional para cada utilizador da rede. Se um país recusa este alinhamento no âmbito desta nova arquitectura, fica sem conexão.

 

 

Acabou o anonimato, o direito ao esquecimento ?

 

Mas ninguém é anónimo na internet, salvo, precisamente, os cibercriminais. Estes sabem como não deixar vestígios. Acabámos por apanhar pessoas sobre o jogo em rede "World of Warcraft" . Só a partir dum pseudónimo. A diferença é que com uma autentificação para cada utilizador além do endereço IP, tornar-se-á complicado para os cibercriminais de ficaram anónimos.

 

 

O seu internet do futuro é o oposto total do imaginário libertário dos inícios da rede...

 

E por causa. A rede é hoje frequentada por mil milhões e meio de indivíduos. Na altura, a internet dos pioneiros só dizia respeito a alguns investigadores que trocavam dados entre universidades. Mas também não sou favorável a que cada indivíduo seja controlado a qualquer momento na rede. Se este bilhete de identidade virtual nasce e de maneira global, caso contrário não serve para nada, será de maneira progressiva. Podemos mesmo imaginar que não dirá respeito a todas as actividades. Pessoalmente, é me indiferente que seja ou não pedido nas redes sociais ou twitter.

 

 

Se o anonimato já não é possível, como vão fazer os opositores Iranianos ou Chineses para ultrapassar a censura e o policiamento nos seus países respectivos ?

 

Boa pergunta. Mas vou ser franco e muito pouco politicamente correcto. Se a minha segurança está em perigo, se o meu país ou a minha actividade são ameaçadas, é preciso tomar as medidas que se impõem. Mesmo se incomoda essas pessoas que se batem por mais de liberdade. Desolado. Entre uma protecção a 99 % contra os ataques ciberterroristas e o combate por mais de liberdade na China e no Irão, voto pela minha segurança.

 

 

 

 

 

 

por PortoMaravilha | link do post
Que filme!
O homem será paranóico?!
MrCosmos a 24 de Agosto de 2010 às 19:58

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