As edições "fata morgana" publicaram em 1980 um livro fora de série.

A tiragem foi de 750 exemplares . O que mostra na altura o pouco impacto ou a falta de conhecimento da cultura Portuguesa em França . E não me venham cá falar de Amálias e de Eusébios como embaixadores de Portugal. A tiragem fala só por si.

Este livro apresenta a Ode Marítima de Fernando Pessoa traduzida por Armand Guibert . Revestem ainda mais importância os dois prefácios de Armand Guibert . O primeiro foi escrito entre 1943-1955 e o segundo em 1980. Existe continuidade entre os dois prefácios. No segundo prefácio , Armand Guibert continua a afirmar que " Ode Marítima " não envelheceu.

 

A tradução é ilustrada por Vieira da Silva . (imagem em cima à direita)

Que mais pedir ?

 

Desde então a cultura Portuguesa tem ganho existência na sociedade Francesa .  Fernando Pessoa foi publicado na prestigiada colecção " La Pleiade " .

Nuno

por PortoMaravilha | link do post
Os principais artisães que deram a conhecer a obra de Pessoa no mundo foram dois franceses : Pierre Hourcade e Armand Guibert .

Pessoa está hoje traduzido em quase todas as linguas do mundo. O seu secesso deve-se por ter sido quem expressou e conceptualizou a ideia do estilhaçamento do homem no mundo moderno.

Foi preciso esperar 1996 para ver uma universidade com o seu nome ( na cidade do Porto ) em Portugal.

Pessoa viveu fora de Portugal e a sua língua é uma encruzilhada de neologismos , de arcaismos ... que muito dificultam a tradução dos seus textos.

A consciencia da pluralidade de consciencia levou-o a pensar que é uma qualidade tipicamente portuguesa. Respondendo a questionário dum jornal portugues ,sobre o futuro de Portugal , Pessoa declara " Qual português pode viver nos limites duma só nação ? "

O Fascismo que Pessoa nunca apoiou ( e até escreveu um poema ironico sobre Salazar ) não lhe perdoará essa universalidade . Foram precisos anos para se ver uma edição de "Mensagem" destinada à juventude.

Pessoa não é Camões ! Mar Português é um poema dificil de compreensão

(continua )

PortoMaravilha a 30 de Abril de 2010 às 20:34
Não vou aqui fazer uma explicação do poema , mas um verso que não é fácil é : Tudo vale a pena quando a alma não é pequena ".

Do império nada ficou, melhor dizendo nenhuma riqueza material ficou. E para Pessoa isso não era o importante .

Penso que Pessoa quis mostrar que as descobertas permitiram contactos com mundos diferentes e intercambios entre povos. A lingua lusa foi o elemento motor desse contacto entre continentes , desde a Ásia até o Groeneland , passando pelas Américas e Áfricas. Outros paises tomaram o mesmo caminho.

Creio que para Pessoa a alma é isso o elemento impalpável que autoriza o diálogo e a compreensão entre os povos. Tudo vale a pena se a alma não é pequena pode ser exemplificado pelo Brasil , país que apesar das suas disparidades sociais gritantes , foi o primeiro a reunir em seu seio todas as culturas do mundo. Não é Deus Brasileiro ?

Este poema é um apelo à universalidade e à unidade ; mas para atingir tal objectivo é necessário pensar o homem e mundo numa dimensão não com base na materialidade mas com base na humanidade.

A lusofonia , talvez por ser já aquando do nascimento de Portugal uma mescla de culturas , talvez possa ser um exemplo. Depois a coisa é com os políticos . Lol !

( continua / está trovoada por aqui )

Seria também importante não esquecer Vieira da Silva , citada na post, exilada desde cedo. Foi a primeira mulher a obter o "Grand Prix National des Arts " do governo Francês. É uma grande pintora !

Desculpem as interrupções nos comentários.

Nuno
Nuno,
não sei se o facto de teres "crescido" em França, e o facto, segundo vens demonstrado, de a cultura lusa despertar interesse junto dos franceses, te acaba por dar perspectivas, que dificilmente um português "criado" em Portugal teria. Certamente que Sim.

E isso, essas circunstâncias, de tantos e tantos portugueses e marcas portuguesa em todo o mundo, não serão pedaços de "Fernando pessoas" espalhados por todo o lado? Com uma visão de Portugal, que os próprios portugueses residentes não conseguem discernir e assumir?

Eu acho que sim, que em cada Nuno, Fernando, António, José, Rafael ou João, que distantes da sua "mátria", gostam de pensar, reflectir e difundir a cultura do a cultura da sua pátria , há um Fernando Pessoa, ou pelo menos, que deve de ser por uns "óculos armação tartaruga" (característicos do poeta) que muitos destes vêem e e potencializam as especificidades do seu país.
Paulo ,

Efectivamente que o facto de viver com récuo obriga a entender muitas coisas.

Eu penso que Portugal sofreu um grande derrame , aquando do fascimo. Jorge de Sena , Eduardo Lourenço , Agostinho da Silva ... talvez tenham começado a entender F. Pessoa porque estavam no exílio.

Pessoa nunca disse que a sua pátria era Portugal . Mas sim a língua Portuguesa , o que é totalmente diferente.

Eu quando digo que a minha terra é o Porto e o meu país a França é porque sem recuo nunca teria podido pensar na noção de "minha terra ". Conheço pessoas , já avós que de Portugal só conhecem a terra . Podem viver a 50 km de Lisboa e não vão lá. Para eles Portugal é a " minha terra " . E absurdo ou não ainda maior é que essas pessoas vão viajando pelo mundo fora e de Portugal só conhecem a "minha terra ".

Penso que a ideia nação Portuguesa é recente. Aparece com os republicanos e em seguida é retomada pelo fascismo. Já aqui escrevi um post sobre o porquê das origens da volta a Portugal em bicicleta.

Melhor dizendo , a ideia de nação portuguesa como os entendem compendios de historia. Em contrapartida , há uma espécie de elo que se faz pela língua. O que é estranho e quase esotérico.

E é essa língua nas suas variantes que vai perdurando e servindo de encontro entre culturas e continentes diferentes. Não deixa de ser revelador que as associações portuguesas animadas por jovens da 3ª geração comecem a animar festas com ambiencia Brasileira e música Cabo Verdiana.

A cultura Lusófona é muito mais que Portugal . Mas o berço é Portugal.

Desde sempre a França foi um país de cultura e desde sempre esteve aberta ao que é de qualidade.

E há que reconhecer que os dois autores citados ( Hourcade e Guibert ) fizeram muito mais pela cultura lusófona e pela cultura em si ( Pessoa pertence à Universalidade ) que qualquer embaixada Portuguesa.

Voltarei sobre este tema.

Nuno

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