O aperitivo introdutório que abre uma excelente peça jornalistica, ao muito bem denominar Rui Zink (RZ) como sendo "um dos grandes provocadores portugueses", palavras de  Nuno Francisco na entrevista publicada no Jornal do Fundão, versão online de 31 de Março último, pode facilmente deixar o leitor com "agua na boca", convidando-o, se quiser,  a recostar-se  e apreciar ao que só não chamaria de  peça única, pelo simples facto que considero que esta de RZ deve, pelo menos por aqui no Cosméticas, ser lida, como continuação desta outra: "A imagem de Portugal no mundo" cuja nossa tradução exclusiva de FR para PT, tem feito bastante sucesso, ao ponto de estar a ser imprimida e distribuida, segundo testemunhos recebidos.

 

Na de hoje, Rui Zink, desde nos dar a sua visão do porquê considerar "Portugal ser um País giro", ao argumentar do estado de coisas pelas misturadas e ocupações indevidas do poder da esquerda andar-se a passear pelas "ruas da direita", indo mais fundo ainda no que toca a questões politicas, mas sem deixar de opinar noutros assuntos que nos são aqui tão caros: temas relacionados com a cultura , ou outros controversos da actualidade, tal só vem evidenciar, mais uma vez com esta entrevista, o porquê de o Jornal do Fundão,  ser tido pelo Cosméticas por uma GRANDE REFÊRENCIA, do jornalismo regional. Mérito do Nuno que o tem dado a conhecer aqui a muita gente.

 

Acabo por destacar neste post alguns trechos da entrevista, até porque, "às duas por três", dou comigo a rir com Rui Zink a insitir em ir pela via de uma de nossas etiquetas de marca: "cosmetiquices", e no fundo, o tema deste blogue. E eu a pensar: "querem lá ver que o Rui Zink também já anda a ler este mal fadado blog da outra galáxia?" ;-)

Mas depressa desci à terra:

"Nááá´! Qualquer dia... Qualquer dia talvez ele veja o que anda a perder :-))))"

 

Portanto já sabem, eis alguns trechos. Mas não dispensa a consulta completa!

 

JF - E qual é o nosso handicap [de Portugal]?

RZ - O nosso handicap é tudo. O nosso handicap é que o PS decidiu roubar o terreno ao PSD e, portanto, neste momento, estamos a ser governados pelo PSD. E o verdadeiro PSD queixa-se – e com razão – de que o seu lugar foi roubado. [...] Eu não consigo aceitar o que o governo de Sócrates fez com os professores e com as escolas. O modo como o Ministério da Educação tratou os professores e as escolas públicas, convenceu-me, finalmente, a desistir das escolas públicas. É mesmo para destruir. Mas, depois, há outras coisas em que tem [o actual Governo] componentes interessantes: é evidente que o governo PS tenta, apesar de tudo, não ser xenófobo e isso para algumas pessoas tem alguma importância. Depois, a questão do casamento gay, que não interessa ao país, mas interessa às pessoas deste país a quem isso interessa, que também são o país! Há diferenças. Há batalhas nos costumes em que ainda há diferenças e que não são tão cosméticas quanto isso. No modo como tentam agarrar o poder, como cada vez se confundem mais com o poder económico, na promiscuidade, num certo terrorismo cultural...

 

JF  - A esquerda é mais “amiga” da cultura?

RZ - A esquerda tem mais amigos na cultura! Quando a esquerda está no poder, eles dizem: “Bom, vamos escolher este nosso amigo de longa data do partido, em vez de escolher aqui o Zink”, enquanto que a direita diz: “Os gajos são todos de PS para baixo... Portanto, já agora, convidamos o Zink”. Portanto eu beneficio mais quando a direita está no poder.


JF  - Já foi asfixiado democraticamente?

RZ - Não... Mas acho que deve ser por causa do meu pescoço gordo. [...] Se eu fosse verdadeiramente uma voz incómoda, levava um tiro. Ora, eu não quero levar um tiro, é desagradável; dói. Se ainda tenho acesso, de vez em quando, aos microfones é porque, na verdade, eu também faço parte da cosmética. Parece do contra, mas na verdade faz parte do sistema, o que é normal quando uma pessoa está quase com 50 anos.

 

JF  - Do que precisamos: de um Presidente da República (PR) economista, de um PR poeta ou de um PR médico?

RZ - [...] Não tenho grande respeito intelectual por Manuel Alegre. Ele dá muitos tiros no pé e é um bocadinho vago em muitas coisas. Mas, dos três [candidatos as presidenciais] , nitidamente é o que tem mais perfil para o cargo: é um fidalgo, tanto lê poesia – que é uma coisa simpática – como vai à caça, tem uma bonita voz, fica bem de barba... acho que ele pode estar em Belém melhor que os outros dois.

 

JF  - E é preciso tanto “barulho” sobre o novo acordo ortográfico?

RZ - Sou completamente a favor. Nós não somos os donos da língua... a única forma de evitar que a língua que nós falamos passe a ser uma espécie de mirandês, muito bonito, com interesse arqueológico, mas sem projecção internacional, é colarmo-nos ao Brasil. Quando as pessoas dizem “ai, mas nós é que falamos o bom Português”, eu não sabia que em Portugal havia tanta gente a falar bom português, a escrever bom português, a ler bom português e não sabia que nós tínhamos exactamente o mesmo sotaque de São Miguel ao Porto....


Houve uma coisa que me horrorizou... Há uns três anos fui a Paris e vi um dicionário “Francês - Brasileiro” e logo na introdução diziam que o português de Portugal já não tem nada a ver com o português do Brasil... Já são duas línguas completamente opostas. É evidente que a França aqui, embora seja nossa amiga, é rival. E eu tive oportunidade numa conferência que dei a certa altura dizer: “ah, pois, eu no outro dia estava com uns senhores que estavam a falar senegalês”. E aí os franceses levantaram-se logo a dizer “não é senegalês, é francês”... E eu disse: “Oh meus filhos da p***, se vocês falam do brasileiro e do português, então, também há o senegalês”. Quando o nosso adversário nos quer dividir, acho um tiro no pé este nacional-patriotismo em relação à ortografia perfeita, até porque nós não usamos a mesma ortografia que o Fernando Pessoa usou.

 

Link para a entrevista completa:"A elite portuguesa é ignorante"


PC Jerónimo da Silva

por MrCosmos | link do post
Não estou muito por dentro da politica Portuguesa , por isso não vou comentar este aspecto. Embora não deixe de ter observado que o ps e psd tivessem votado da mesma maneira no parlamente europeu , aquando da eleição de Barroso. O que não deixa de ser curioso.

Estou totalmente de acordo com o que diz quanto ao acordo ortográfico. Na altura , nos 1980 , a maioria da classe politica Portuguesa , quer de esquerda quer de direita , não compreendeu o que estava em jogo. Foi um tiro no pé da lusofonia. Ja no meu post " a dictatura orthographica " denunciava isto. E mostrei que Pessoa não escrevia com a mesma ortografia que a de hoje.

Paulo , linkaste o teu texto para a entrevista com Pedro Abrunhosa e fizeste bem. Vemos que os dois viajam e têm uma visão diferente da elite. Quando Rui Zink afirma que Vasco Graça Moura odeia a lingua Portuguesa , penso que o diz a brincar e meio a sério.

Mas é evidente que a sua análise é mais que pertinente. Ou a elite pensa que Lisboa ainda é capital do Império e morre , ou então para não morrer tem que mudar de mentalidade.

Arnaldo Saraiva , Professor Catedrático no Porto , já tinha alertado no mesmo jornal do Fundão que a cultura brasileira tinha entrado na sociedade francesa de modo muito importante. E que era preciso não perder o comboio.

Voltarei sobre o assunto

Nuno
PortoMaravilha a 12 de Abril de 2010 às 17:28
Amigos,

Esta entrevista é espetacular! Tudo certo, RZ repsonde e escreve com autenticidade!

Muito bpm ler textos de excelente qualidade como este.
Obrigada.

Eunice a 12 de Abril de 2010 às 22:45
Obrigado Eunice ,

O que não deixa de ser impressionante é que a entrevista tenha sido publicada num jornal regional e histórico / não recebeu ele um Presidente Brasileiro para grande fúria do Salazar / que em Portugal é pouco conhecido.

Já que "trabalhas" sobre Mário Sacramento : Manuel Fernandes , escritor e da mesma linha conceptual ( quanto à escrita ) que Mário Sacramento , tem sempre um papelinho no Jf .

Um pouco de pub não custa nada e também pode ajudar pesquisa :- ) !

Nuno
Ora, Eunice, o nosso ordenado aqui no cosméticas é ir recebendo "ecos" como o do seu comentário. Obrigado nós.

Nuno, pois eu cá, dentro da visão que tenho e contacto diariamente da politiquice deste pequeno rectângulo cujos temas preferidos e mediatizados teimam em andar à volta de "tristes fados", diria que RZ acerta, mais uma vez, na mouche!

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