Com o verão reaparecem sempre as velhas máquinas de filmar ou chega-se a conclusão que está na altura de as trocar. Parece-me por isso oportuno disponibilizar este texto que pode ajudar a melhor compreender o aparelho, e os seus suportes, que estão sempre a mudar.

Ou até pode ser que quem se depare com este post seja um profissional que partilha destas várias complicações. Em resumo...

 

A constituição da Câmara de Filmar passa fundamentalmente pela lente; o microfone; o corpo da máquina; deck de gravação; e fonte de alimentação.

Debrucemos-nos sobre os mesmos.

A lente (ou objetiva) é o utensílio destinado a captação de luz que permitirá detalhar o enquadramento, forma e nitidez dos objetos, através da manipulação do diafragma (ou iris), zoom e foco.

O microfone, componente simples de compreender, serve para captação de áudio ambiente ou direcional, a ser enviado para o circuito de processamento de áudio no corpo da máquina.

O corpo da máquina ocupará o maior espaço da câmara de filmar. Aqui incorporam-se : os CCD (charge-coupled device) componentes eletrónicos destinados ao escrutínio da luminância e crominância transportada pela luz recolhida pela lente - tecnologia com largas décadas de aplicação que rivaliza atualmente com a geração de CMOS assente em circuitos integrados. Incluem-se ainda no corpo da máquina: microprocessadores; microcontroladores; memórias RAM - onde se aparecem elementos de lógica digital para processar os mesmos dados; e placas ou componentes eletrónicos vários, destinados ao processamento de luz, som, imagem, registo/gravação, e gestão da alimentação/energia e ao deck de gravação.

Este último, o deck de gravação, tem sido desde há várias décadas e até há bem pouco tempo um departamento do corpo da máquina todo mecânico e complexo, propenso a um desgaste acelerado, onde se insere a cassete para o registo magnético dos dados de som e vídeo, processados anteriormente pelos sistemas eletrónicos de registo da imagem e do som. Esta tecnologia tem vindo a perder mercado, quer no amador, bem como estando atualmente em fase de transição no mercado profissional. As longíquas cassetes vêm-se serem substituidas por suportes de dados em memórias flash, mais simplificados (sem mecânica) - vulgo cartões de memória.

Por fim temos a fonte de alimentação, comumente aplicada a uma bateria portátil, mas também passível de ser suportada por ligação direta via cabo à rede elétrica.

 

O mercado comercial e industrial aliado à tecnologia em constante evolução e mutação tornam a última geração de equipamentos lançada hoje como obsoleta amanhã. Isto representa uma enorme dor de cabeça, quer se trate de um ávido entusiasta amador ou, sobretudo, para os profissionais.

As problemáticas relacionadas com a evolução tecnológica e as suas influências sempre representaram um problema acrescido para qualquer um que precise de manter uma rotina atualizada sem perder acesso a consulta de dados por métodos mais antigos.

No meu caso vou usar a titulo de exemplo a minha própria experiencia que se reporta a três gerações tecnológicas diferentes de câmaras de filmar que acompanharam o meu percurso profissional, entre a era de equipamentos analógicos; substituída entretanto pela geração digital standard (SD); esta que por sua vez, nos tempos correntes, também começa a ser considerada já obsoleta (digital SD) sendo que nos encontramos na era do despoletar definitivo da alta definição onde vingam os equipamentos de captação em Full HD.

 

  • Na imagem: 3 gerações de câmaras nos últimos 20 anos.

 

Financeiramente estas questões de mutações constantes entre formatos, codecs, resoluções, tipo de suportes de arquivos, etc, não é uma questão fácil de gerir, pelo que não se compadecem com estas problemáticas a falta de perceção, timing ou perspicácia quanto ao momento exato para agir, sendo que na maior parte das vezes, decisões mal ponderadas ou mal atempadas, ações o inações diversas podem ditar fortes revezes, sobretudo num negócio.

 

Para exemplificar alguma da complexidade do que se aqui se apresenta, e quanto a (r)evolução constante mencionada, recordo-me de uma opinião que partilhava num fórum da especialidade na internet, e que pode mostrar-se mais exemplificadora ainda da complexidade do que se tem estado a abordar.

Numa altura, ainda relativamente recente, e que era de enormes incertezas para muitos sobre migrar ou não migrar do formato de captação e arquivo mais antigo, assente nas vulgares cassetes em fita magnética, sobejamente testado e que oferece determinadas garantias, impondo no entanto já várias limitações para as potencialidades e soluções da era de alta qualidade de imagem em Full HD em que nos encontramos, em contraponto com os atuais equipamentos e suportes mais compatíveis para estas novas filosofias de trabalho disponíveis em equipamentos de captação, ou nos suportes de arquivo, assentes na mídia digital (discos rígidos, cartões de memória Flash, discos óticos, etc) , considerados mais frágeis e suscetíveis de perdas ou danos.

 

Um colega lançava portanto para a discussão o tema: “Fita, ainda faz sentido?” - ao que tentei contribuir com a minha opinião baseada na minha experiência e conhecimentos, quer técnicos, como dos factos:

 

“Continuo preso às cassetes porque continuo a ter câmaras ao uso que as utilizam. Não fosse isso, e já teria deixado de recorrer a elas (cassetes). Mas não pretendo adquirir mais nenhuma câmara com mecânicas/cassetes. Portanto, sigam as memórias flash!

Tenho vindo a migrar a minha "filosofia" de trabalho para suportes/arquivos em HDD desde há cerca de dois anos. Até aí o meu arquivo era feito exclusivamente, desde o ano 2002, em suporte ótico, DVD-r. Tendo em conta os preços para os quais caíram, armazenamento em HDD parece-me um método bastante acessível. Com custos equivalentes ao armazenamento em DVD-r.

As cassetes (da era digital) sempre as regravei, largas dezenas de vezes cada uma, mas aqui trata-se de suporte DVC-Pro [marca proprietária da Panasonic, material mais robusto]. As DV ou DVCam [marca proprietária da Sony e menos fiável para uma regravação constante] nunca me atrevi a "apertar" tanto com elas, nem pouco mais ou menos. Seria outro debate...

Isto para dizer que, no fundo, o tipo de utilização que sempre dei as cassetes foi numa filosofia de reutilização que agora as memorias flash vêm colmatar, ou devidamente sustentar/garantir. Passando em concreto ao debate que o lançado, eis as vantagens e desvantagens que encontro em gravação/armazenamento:

 

Em HDD ou Cartões, disponibilidade dos dados de forma muito mais versátil, volátil e rápida. Espaço Físico que ocupam reduzido. Isto é o que me ocorre logo à cabeça. No entanto considero os dados nestes suportes mais vulneráveis à perda, quer por acidentes/avaria dos suportes, que acontece, se calhar com mais frequência do que alguns desejariam, mas tenho poucas dúvidas que tais perdas de dados estarão mais ligadas ao facilitismo/menosprezo do utilizador e falta de métodos/políticas de segurança bem interiorizadas, mais propriamente do que por falta de fiabilidade nos suportes. Claro: não subestimar a qualidade do fabrico dos ditos cujos.

Trabalhar com dados nestes suportes exige uma disciplina acrescida na sua gestão, comparativamente com as cassetes. Parece-me um facto.

 

Em Cassete o armazenamento fica mais facilitado, e quanto a mim sujeito a bem menos riscos. Para apagar os dados não basta um simples "delete" de teclado acidental durante o manuseamento. Regra geral será necessário percorrer ("regravar") o espaço de fita em causa. Ainda que se prima o REC por lapso numa fita que supostamente não se deveria, a quantidade de dados perdidos dependerá do tempo que permanecermos na ignorância da importância de tal cassete. E a probabilidade de tal suceder, comparativamente com o manuseamento de um Disco HDD, parece-me drasticamente menor.

E acho que reside aqui a principal, senão única, vantagem da cassete. É um suporte mais individualizado devido a baixa capacidade de armazenamento, é um suporte "palpável": está ali na prateleira. Agora, será um tipo de armazenamento prático? E Se for preciso reconstituir ou fazer alterações num projeto (software) mais antigo que já saiu da estação de trabalho? É possível, mas estou em crer que poucos têm os cuidados específicos necessários de backup para tal. E nesse caso há um "pormaior" relevante: a necessidade de equipamento disponível passados alguns meses/anos para a leitura dos dados, e o seu consequente desgaste.

 

Deixando o campo de armazenamento, passando para a questão primária da gravação, é aqui também, no desgaste e avarias das mecânicas dos equipamentos destinados a leitura/gravação de cassetes, que reside a maior desvantagem deste tipo de suporte se o compararmos com gravação em flash (cartões). É neste "pormaior" do desgaste/avaria (ou interferências temporárias: lixo, gorduras, humidades, etc) da mecânica dos equipamentos de cassete que reside boa parte dos erros de gravação/leitura associados a estes suportes, os típicos e mal fadados DROP's de fita, por exemplo. Para não falar na quantidade de vezes que uma cassete gravada num determinado equipamento, deixa de ser devidamente sobretudo quando reproduzidos em equipamento terceiro, devido a desalinhamentos típicos das mecânicas com o uso.

A Panasonic neste capítulo foi pragmática: salvo erro meu, este fabricante já não tem no mercado equipamentos novos com mecânicas/cassete. Pelo menos anunciou essa pretensão/decisão há pelo menos 2/3 anos. Quanto a mim foi uma boa decisão, pois ver-me livre de mecânicas representa ver-me livre de algumas boas chatices traduzidas em custos financeiros.

 

Se a fita ainda faz sentido? Ainda faz. Cada vez menos, mas faz. Acho que é uma questão de tempo para que na prática se venha a tornar um género de suporte popularmente obsoleto. Tempo esse que não me parece muito longínquo."

 

Paulo C. Jerónimo

in "2012 - O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança"

por MrCosmos | link do post

foto perfil.jpg

pauloc.jeronimo@gmail.com

pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

Controle de invasão ET
comentários recentes
Hand ball is actually a nice game to watch. I firs...
Children are not good with lies. They doesnt know ...
Woww!!! I am glad you have shared this old picture...
Alors, dit-il,Au Revoir ! , dit-elle. Alexandre O'...
Jovem, apesoado, dotado, submisso, procura homem d...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
.