Lorsque « Grand Chef Apache » a crée l’étiquette « Futebol : Uma arena de Morte », il était loin de se douter que peu de temps après, l’universitaire Marc Perelman allait écrire un article intitulé « Football, une arène barbare ».

Il est séduisant de constater que deux personnes vivant dans des sociétés différentes, et n’ayant pas le même métier ont choisi un mot identique pour aborder des questions liées au monde du football :Arena / Arène

Nuno

 

 

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É imensamente curioso e sedutor ver que quando Grande Chefe Apache cria a etiqueta Futebol: Uma arena de morte?, passado pouco tempo Marc Perelman, professor universitário, escreve um longo artigo que apresenta quase o mesmo título. Penso que podemos descortinar semelhanças quanto a certos temas tratados como também diferenças. Mas a palavra que é a génese do pensamento sobre o futebol é a mesma: Arena. E não é uma palavra neutra...

Curioso e sedutor ver que duas personalidades, vivendo em países diferentes e tendo ocupações laborais diferentes, empregam, praticamente, o mesmo vocabulário. Segue a tradução do artigo de M. Perelman, escrito em 23 de Novembro de 2009:

 

  • "Contrariamente aos recentes dizeres da "secretária de Estado encarregada dos desportos, Senhora Rama Yade, o estádio nunca foi um "santuário e um lugar de civilização apaziguada". E poderá se tornar ainda menos esse lugar e esse santuário, apesar da produção de esforços muito mediáticos e, sobretudo, desesperados graças à nascença duma "célula nacional de prevenção contra a violência", dum "primeiro congresso nacional das associações de adeptos", tornando-se uma "federação nacional de adeptos". De mesmo, a repressão posta em obra pela ministra da Justiça, Senhora Alliot-Marie, parece também ineficaz com a "sua resposta penal particularmente dura  e rápida", o "seu carácter mais dissuasivo" graças às penas de proibição administrativa de entrar nos estádios. Estas políticas não entendem que a violência dos adeptos tornando-se rapidamente hooligans não decorre duma "minoria agitante", de "parasitas" que tomam como refém o "futebol".

 

A violência é praticada por ferozes hordas de apaixonados por futebol, massas compactas de brutos sem amarras, muitas vezes bêbedos e imensamente eficazes no diálogo por projecteis interpostos com os poderes públicos, mas para quem o futebol é uma parte decisiva da sua vida e o estádio uma família, uma casa. A violência não é pois exterior aos estádios, em "margem" como se disse aquando da morte de Brice Taton acontecida antes do encontro Toulouse - Partisan de Belgrado; Ela não é obra de indivíduos estranhos ao futebol.

As diferentes expressões de esta violência - dopagem, racismo, xenofobia, homofobia, "chauvinismo" - ressalvam duma "violência interna" consubstancial à única "lógica competitiva" e à qual o futebol está associado com todas as suas fibras. E esta lógica resume-se com palavras simples: Afrontamento, combate, choque, colisão entre jogadores de equipas dispostas a brigarem, batota. Esta violência toma forma nos estádios e também no desporto amador (o "Observatoire National de la Délinquance" indica uma subida preocupante da violência no futebol amador), havendo nos profissionais, entre outros, árbitros insultados, golpes provocando ferimentos graves, multiplicação de confrontos entre jogadores nos balneários ou entre espectadores nas bancadas: Tacos de basebol, navalhas, facas, armas de fogo são frequentes...

 

Em alguns anos esta violência, sem deixar os estádios, deslocou-se para fora destes: Os Fights opõem adeptos de equipas inimigas. A violência desagua nas cidades e, muitas vezes, em seus centros que se tornam os novos territórios dos confrontos entre adeptos e polícias aquando dos combates de rua  e a sua lista de degradações, de lojas destruídas, de carros queimados, de agressões a pessoas... Os estádios já não chegam para conter a violência que o futebol desencadeia.

Alegramo-nos demasiadamente depressa: Os estádios Ingleses, esvaziados dos seus hooligans, ter-se-iam tornado espaços de paz. Um derby recente, West-Ham-Millwall, degenerou em batalha campal entre hooligans embebidos de álcool e cujo racismo anti-imigrantes e orientação política de extrema direita é conhecida. As milhares de proibições de estádio e os preços extravagantes dos bilhetes deslocaram o problema para as divisões inferiores... Ora, é nos estádios do mundo inteiro e nas suas imediações, como na tranquila Suíça (jornalistas agredidos, batalhas campais entre hooligans na Basileia, em Zurique, em Sião.. a polícia utilizando balas de borracha e gás hilariante), passando pela Argentina (cinco adeptos mortos esta época em brigas), Marrocos, Tunísia e, sobretudo, Argélia (uma dezena de mortos desde 2005) que se manifesta "a violência provocada pelo futebol". Os estádios tornaram-se os lugares privilegiados da expressão desta violência e não outros lugares de agrupamento como os concertos de música, o teatro, o cinema, a praia...

 

A mão que permitiu, quarta-feira passada, a vitória da França perante a Irlanda é a consequência directa da gigantesca pressão económica e sociopolítica que o futebol apanha nos seus laços, põe de molho nos estádios e, depois, amplifica e restitui numa gigantesca caldeirada: ganhar a qualquer custo, fazer batota para ganhar, mentir após ter-se feito batota e ganho. Tal é a ideologia deletéria que promove o futebol e não que o futebol sofre. O futebol não é um jogo: Constitui, com o estádio, o fogo activo, o lugar central onde a crise das nossas sociedades toma um novo fôlego. O futebol é o vector duma "desintegração" de todos os quadros duma sociedade, das suas referências fundamentais como a identidade nacional que depende duma cultura comum e duma língua e não duma equipa com pitões, - uma entidade passageira, artificial e aleatória. Uma bola, uns "protegem-canelas" e uns livres são insuficientes para fundar uma soberania nacional. E a identificação dos jovens a um ídolo nos estádios ou a uma equipa vencedora, a sua integração pelo futebol à sociedade não fundará nunca uma identidade nacional.

 

É preciso agora pensar o futebol tal como ele é e não como o imaginamos ou o fantasmeamos. Assim, não é a violência que "gangrena" o futebol; Também não é uma minoria de ultras que contamina, parecendo que não, bravas pessoas calmas e pacíficas; E não são a mundialização ou ainda a mercantilização que corrompem e que sujam. A verdadeira gangrena que infesta a vida das nossas sociedades tem por nome futebol; E o estádio é intrinsecamente o lugar onde refogam as futuras explosões de violência porque os rancores (pesados) sociais e políticos amealhados se associam intimamente ao futebol; São orientados por este, exprimindo-se em caldeirões equipados para os receberem, os capturarem e os amplificarem até que desbordem na cidade, transformando-os em colunas guerreiras.

 

A violência dos adeptos não é apenas a expressão duma aflição social; Ela está no coração do projecto futebol que é a expressão dessa aflição social; Os movimentos preocupantes de exaltação e de identificação, da fúria nacionalista entre o Egipto e a Argélia maciçamente enquadrados pela polícia e pelo exército não envenenam o futebol, o verdadeiro veneno chama-se futebol e o estádio serve-lhe de recipiente e a cidade torna-se o seu território."

 

Obs: Esta tradução, esperando que esteja bem, é uma homenagem ao Grande Chefe Apache.

Nuno

por PortoMaravilha | link do post
Caramba! Grande trabalheira de tradução!
Muito obrigado Nuno.

Fiquei extremamente surpreendido. Sobretudo pela coincidência do Titulo, mas também pela linha de raciocínio, e terminologias usadas. Encontro realmente vários pontos em comum com os quais comungo.
Isso apesar de não me rever tanto neste discurso proferido/escrito, aqui ou ali, com um algum "despeito" exagerado, na abordagem do assunto, é no entanto fiel a sentimentos e reflexões entre vários.

Bem exemplo disso é o último paragrafo de Marc Perelman . Por outras palavras já tenho dito/escrito precisamente o mesmo várias vezes por aí, e quem priva comigos nestes assuntos sabe-o, do tipo:

"Gosto de olhar o Fenómeno Futebol para alem do seu aspeto nuclear e (supostamente) desportivo: 22 homens na disputa de uma bola.
Para mim o futebol vai mais além, pode ser perfeitamente uma reflexão sociológica das suas sociedades envolventes e gosto também de olha-lo nessa perspetiva. Um campo de futebol é praticamente o único sítio onde um homem pode ir e descarregar a sua fúria. Insultar e proferir as maiores alarvidades sem ser censurado, pelo contrário: tal atitude será perfeitamente compreendida.
Serve para um lavar de alma recorrendo aos instintos mais primitivos e sempre presentes no ser humano.
Um campo de futebol, é dos poucos e raros sítios onde os homens podem dar aso ao seu espírito de combate e guerreiro intrínseco nos nossos genes animais. São no mundo ocidental, sem grandes guerras há mais de 60 anos, os possíveis e verdadeiros campos de batalha, e se preciso, arenas de morte, para dar vazão aos nossos instintos mais animalescos.

Curioso, mas não por acaso, que desportos de maior contacto físico como o Rugby, aparentemente mais violento, respira uma outra filosofia e parcimónia...

A apresentação deste artigo é de uma excelente perspicácia.
MrCosmos a 16 de Maio de 2012 às 20:38
Eu também concordo que o autor por vezes leva até ao extremo o seu pensamento. Penso que esquece que o futebol também permite trocas, viagens e intercambios. Nem tudo é branco nem tudo é preto como cantava Boris Vian.Como também se esquece que em vários países o futebol é sobretudo uma modalidade feminina. Uma modalidade para mulheres e não para homens.

O andebol que não é um desporto de contacto (ou se sim, nem mais nem menos que o futebol) e que envolve milhares de pessoas não provoca essa explosão de violência. E talvez porque o andebol ainda seja dono de si tal como o rugbi. O melhor jogador Francês (Chabal) que insultou um árbitro não só foi suspenso e multado pelo seu clube como pela seleção.

O basquetebol, o voleibol... não provocam essa fúria.

Um dos últimos números da revista "So foot" perguntava se não era preciso acabar com o futebol amador... por carência de afiliados.

Sintomática as posições dos selecionadores de andebol e de futebol durante as eleições. Enquanto o selecionador (e etc) de futebol é contra que as grandes fortunas (treinadores, jogadores...) paguem imposto sobre a fortuna, o selecionador de andebol é a favor do imposto sobre a fortuna, declarando que foi por isso que foi (foram) campeão mundial, olímpico, etc...

Não acredito muito em instintos primitivos. Posso me enganar: Penso que a violência no futebol decorre da incompetência das instâncias governementais do futebol. Estas deixaram, consciente ou inconscientemente, o futebol tornar-se num veiculo de propaganda política, ideológica e, sobretudo, dum mercado financeiro sem regras que se tornou uma ditadura.

O futebol está cada vez mais parecido com as corridas de cavalos, se pensarmos em termos de apostas. O futebol de onze perde praticantes a uma velocidade enorme em França.

A federação de rugbi com a tomada de posição acima citada, mostrou ser senhora de si mesma.



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