Le texte de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, est l'une des oeuvres majeures de la littérature d'expression portugaise. Il est traduit en français chez "Albin Michel". Le livre comporte une préface de Vargas Llosa. Et la traduction est de Maryvonne Lapouge-Pettorelli. 

Nuno

 

 

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O texto de Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas é o maior romance da literatura de expressão portuguesa. Este texto está para a literatura de expressão portuguesa como Finnegans Wake de J. Joyce está para a literatura de expressão inglesa.

 

É um livro que assenta numa linguagem criada por G. Rosa para definir o seu Cosmos (tal como o fizera Joyce). Um Cosmos que é uma combinação e oposição simultânea entre: O "material" e o "espiritual", o bem e o mal... O "material" é a linguagem, a luta pela expressão; O "espiritual" é a memória, a luta entre valores (bem / mal), o porvir. Para que as personagens possam ser fluidas, combinando oposições, o autor dá nascença a uma nova língua.

 

As primeiras páginas não são fáceis de entender. Mas com o decorrer da leitura o universo "Roseano" abre-se. Existe um dicionário pensado por Nei Leandro de Castro que pode ajudar: Universo e Vocabulário do Grande Sertão (Livraria J. Olympio Editora, Rio). Mas continuo a pensar que depressa se entende que "canoar" é navegar em canoa ou que "ventear" é produzir vento...

 

O Sertão é o Cosmos que pinta a união e a oposição entre o aquém e o além, o bem e o mal...Na descrição da evolução da batalha entre as bandas rivais de jagunços todas as formas e temas maiores são salientados: O romance de cavalaria, o romance épico, o pacto com o diabo, o naturalismo, a crença, o esoterismo, o existencialismo...

 

O nome dos personagens é também muito importante. Tomemos, por exemplo, Riobaldo e Diadorim. Riobaldo é o jagunço letrado que vai para a guerra. Ele tem que vencer e faz um pacto com o diabo. Está também apaixonado por Diadorim. O seu código proíbe amar homens. A sua existência fica dividida por esta oposição. Na batalha final, Diadorim morre e Riobaldo descobre que a sua paixão é uma mulher disfarçada em homem. Um tema muito clássico da literatura medieval: Diadorim disfarça-se de mulher para poder acompanhar o seu pai na guerra. Como é também um tema muito clássico o pacto com o diabo. Está presente quer em Goethe (Fausto) quer em Pessoa.

 

De novo se expressa a noção de movimento: O bem, o mal, o convencional, o "inconvencional"... num perde-ganha-perde-ganha... O subtítulo da obra é "o diabo na rua, no meio do redemoinho..." dá a sensação de agitação, mudança, novidade...

 

Já é menos clássico que o pacto com o diabo apareça, linha menos linha, no centro da narração, criando uma simetria. Já é menos clássico a polissemia do nome Diadorim: Dia-dor-im. A primeira sílaba reenvia para a palavra "dia" e também para a primeira sílaba das palavras "diabo" e "diálogo"... O dia da dor? O diabo da dor? O diálogo da dor?... Podem haver várias interpretações. O sufixo "im" é um sufixo que acentua a insistência como, por exemplo, na palavra "mandarim": Mandar+im. O nome da personagem Rio+balde evoca, sobretudo, a palavra rio que lembra a água, a vida, a viagem, a foz, novos mundos. 

 

O texto elaborado por Guimarães Rosa termina com o símbolo do infinito. A palavra "fim" não pode existir no Cosmos, no diálogo entre o aquém e o além, entre o bem e o mal. Deste permanente diálogo nasce da boca de Riobaldo a frase que atravessa repetitivamente toda a narração: "Viver é muito perigoso". O Cosmos é Deus e o diabo é o seu subconjunto, não podendo um existir sem o outro. E Riobaldo explica que quem decide somos nós e que somos nós os únicos responsáveis por nossas decisões. Eis as últimas palavras do texto que antecedem o símbolo do infinito:

 

"Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia."

 

O texto de G. Rosa conheceu outras edições. E é estranho que algumas tenham esquecido o símbolo do infinito como também transformado a capa com todos os pormenores e signos desejados pelo autor.

 

Porquê? Sim, porquê? 

Nuno 

obs: Para Gisleuda, o prometido é devido.

por PortoMaravilha | link do post
Parabéns Gisleuda! O Nuno nunca tinha publicado um post/reflexão tão grande...
Rico post Nuno. Fica-se com uma vontade tremenda de conhecer a obra.
MrCosmos a 5 de Maio de 2012 às 16:23
Pois os méritos são “todos” de Nuno.
Ah, sim ... vale a pena ler. E muito.
Abç.
Gisleuda.
Gisleuda a 6 de Maio de 2012 às 17:56
Queridíssimo Nuno,

Belíssimo texto.
“Este texto está para a literatura de expressão portuguesa como Finnegans Wake de J. Joyce está para a literatura de expressão inglesa”. Sem mais o que acrescentar sobre as reflexões acerca da maestria da obra (uma das mais importantes obras da literatura brasileira e da literatura lusófona).
O Sertão, Travessia, Nonada (o não e o nada) enfim, o Universalismo.
Pois bem, é relevante advertir ao leitor desavisado que a leitura das primeiras páginas é de difícil compreensão. Assim como também é válido ressaltar a sensação de que esta é “sim” uma leitura “indispensável”.
Interessante saber que o símbolo do infinito foi retirado das edições. Sim, por qual motivo? (Sugiro que nos traga a resposta Nuno, o que achas?).
Fiquei por algum tempo selecionado palavras refletir a minha imensa felicidade em ter compartilhado momentos tão engrandecedores de conversas com Nuno e que continuam até hoje.
Em resumo: Obrigada.
Promessa mais do que cumprida.
Abraços.
Gisleuda.
Anónimo a 6 de Maio de 2012 às 18:05
Ói,

Quem tem mérito é o MrCosmos. Ele é o responsável por toda esta bela grafia. Não o símbolo do infinito também grafia?

A tradução Francesa a meu ver (mas quem sou eu para opinar?) peca pela tradução do título. "Diadorim". O que é que a palavra pode dizer a um francófono? "Finnegans Wake" levou décadas a ser traduzido e traduzir (viver?) é muito perigoso.

Guimarães Rosa sabia ler imensas línguas... E talvez se peça um esforço para ler o texto dele em Português? Estou a ser utópico? Não faz mal.

É verdade que as primeiras páginas são difíceis, para não dizer incompreensíveis.Mas chegando por volta da página 100 começamos a nos habituar e a descobrir o mundo que Guimarães Rosa cria. Antes de Orwell, pai do Big Brother, GRosa criou uma novalíngua, mostrando quanto o emprego, o uso duma língua é alienante.

Nonada é a forma arcaica-popular de não e nada. Assim, seria absurdo não admitir que um homenzinho que não conhece nada tem sabedoria: "Viver é perigoso". E também é de observar que um dos personagens do filme de Manoel de Oliveira "Non ou a vã glória de mandar" tem esta frase terrível: "NoN" terrível palavra que pode ser lida da esquerda para a direita e da direita para a esquerda.

A negação do "néant" / vazio? em pt? / perece-me ser o início do texto GRosa.

Abraços,
Nuno
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