Quando na penúltima edição de "O Portomosense" me deparei com o destaque de primeira página: "A19 esquece Porto de Mós" , hesitei durante alguns segundos se alguém me teria lido os pensamentos.

Vários dias antes também havia chegado a casa, tremendamente indignado e triste, por me deparar com tal gritante realidade no dia de abertura desta nova auto-estrada, onde desde o seu início, em Leiria, até o desembocar da mesma no nosso conselho, em Chão da Feira, nem uma única alusão é feita a Porto de Mós, indo os destaques para a Batalha e Alcobaça.

Anima-me ao menos, dentro do possível, que o sentimento seja partilhado por outros, bem como a iniciativa do nosso Jornal em apontar o tremendo erro, com a devida relevância.

Mais de que um bom princípio, este deveria ser um sacudir de consciências, o início de inverter caminho.

 

Será que sim? Aparentemente, agora e depois do mal feito, a preocupação vai no sentido de tentar remediar e reparar aquilo que com algum eufemismo se poderia chamar de "gafe", não fosse evidente, para os próprios portomosenses, o esquecimento persistente a que as nossas autoridades nos votaram desde há já várias décadas até aos dias de hoje com suas políticas nestes aspectos seguidas.

Há mais de uma década que entre desabafos, lamento por exemplo, no percorrer da principal via do país, a auto-estrada A1, que com a aproximação das várias saídas relacionadas com a denominada Zona Turística Leiria - Fátima, área a que (só!) geograficamente pelo visto pertencemos, saídas essas às quais acabaremos nós ou nossos visitantes ter de tomar para fazer acesso ao nosso concelho,  e deparar tristemente quer seja no sentido Norte ou Sul da via  com a falta por demais evidente do que seria uma lógica e esperada alusão ao Castelo de Porto de Mós entre tantas  demais portentosas placas distintivas dos monumentos da região. São anunciados com a devida popa e circunstância desde os mosteiros de Alcobaça e Batalha, Santuário de Fátima, passando pelos castelos de Ourém ou Pombal...

E um portomosense pergunta-se se seria exigir muito que a alusão ao seu castelo fosse patente ali também no meio das demais? Mais, se não devia ser sequer inquestionável ele estar lá.

É que - e não me levem a mal os pombalenses pelo termo de comparação - mas caramba! Até o Castelo de Pombal conseguiu, e bem, claro está, ter lá uma placa tamanho xxl. Em que é que o castelo de Porto de Mós é menor? Ou será que é o arrojo dos portomosenses menor?

 

Como desperceber que o Professor José Hermano Saraiva reconheça para ele o Castelo de Porto de Mós como um, senão mesmo, o mais belo da Europa, e subestimar isto, para citar apenas um dos meros exemplos com a autoridade que se lhe reconhece, das potencialidades destas nossas terras?

Que tal individualidade tenha reconhecido isto num dos seus programas dos longínquos anos 90, e isto não tenha acordado ninguém, é pouco, ó minha gente...

Trazer cá programas televisivos de pontuais e efémeros efeitos, se não pensados como mero rastilho para algo mais eficaz e duradouro, é pouco, ó minha gente...

Conseguir para as nossas grutas a distinção e notoriedade de maravilha nacional e tal não nos catapultar para horizontes mais arrojados, é pouco, ó minha gente...

Esquecer a grande riqueza para além dos granitos que possuímos nas nossas serras e Parque Natural , é paupérrimo, ó minha gente...

Auto vetarem-nos os nossos governantes locais ao longo dos anos, sem percebermos o porquê, do direito de distinção, e auto dissociarem-nos da maior conquista portuguesa enquanto povo e nação que é  a de Aljubarrota, chega a ser blasfémia, ó minha gente...

Que a forte bofetada recebida pelos portomosenses neste natal de tempos austeros: a confirmação da "exclusão" de Porto de Mós do Mapa de Portugal - pelo menos do mapa das Estradas de Portugal já assim se confirma (A19 para não relembrar a A1), sem aspas nem pejo, que tal ao menos agite o marasmo a que nos remetemos. Porque quem não aparece, esquece.

 

Que aos portomosenses, ao deslocarem-se para fora do seu distrito, baste um dia apenas dizer: sou de Porto de Mós, sem ter que complementar de imediato perante a cara de interrogação dos forasteiros: "Fica a junto à Batalha ou perto de Alcobaça".

Convenha-mos: não foi "a auto-estrada que esqueceu Porto de Mós", foi Porto de Mós que cometeu o desastre, há muito tempo, de entrar na valeta da estrada, desviando-se e capotando. É este o caminho que continuaremos a percorrer?

 

Audácia, ó minha gente!

Não tenha-mos vergonha de assumir que foi destas terras, deste castelo, por estes caminhos, que se afirmou de Portugal.

--

Paulo Jerónimo

por MrCosmos | link do post

Enquanto, os dirigentes locais não tiverem vaidade e a humildade de trabalharem para Porto de Mós será difícil.
Há viários anos a esta parte, que para a maioria deles trabalharem em porto de Mós é rentável e os promove, sejam eles gordos ou magros, altos ou baixos, da esquerda ou da direita. Basta ser dirigente de uma qualquer instituição local e “marchar” ao passo desse grupo restrito.
…”oh minha gente” portomosense, cabe-nos exigir outra postura e vontade a tais Srs.
Como tal paulo, agradeço-te esta tua crónica.
Gil Garcia a 11 de Janeiro de 2012 às 11:23
Gostei muito do texto e também acho muito importante que pequenas, entre aspas, terras tenham uma publicação local: É sinal de vida...

Já aqui escrevi um post sobre quanto me surpreenderam as torres verdes do castelo de Porto de Mós...E voltarei sobre o assunto.

Mas o que me admira mais é o número de auto estradas em Portugal. Fico um pouco confuso...É uma densidade superior à da França.

Nuno
PortoMaravilha a 12 de Janeiro de 2012 às 21:01

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