Após o sucesso de bilheteira que foi Avatar tomei conhecimento do artigo de Walter Murch, descrito como o "designer" e editor de som mais respeitado no cinema moderno.

Walter Murch, vencedor da academia de Oscars, é responsavel pelo desenvolvimento e introdução do sistema de som em canal 5.1 que revolucionaria o cinema elevando-o para um novo patamar a titulo sonoro, e basicamente na sua carta enviada a o 3D nunca singrará. Segundo o texto de Roger Ebert:

 

"Recebi uma carta que encerra, em meu entender, a discussão sobre 3D. Ele não funciona com o nosso cérebro e nunca Singrará.
A noção de que somos convidados a pagar um prêmio para testemunhar uma imagem inferior por inerência de nos confundir o cérebro é ultrajante. O caso está encerrado.
"

 

Na sua carta Murch explica, numa argumentação técnica, as dificuldades e questões que eu proprio me colocava ao assistir ao 3D, sem resposta para elas. É que ao longo dos anos, até hoje, o 3D sempre me gerou o desabafo de: "Isto soa a falso".

Passamos a traduzir a carta de Walter Murch à Roger Ebert, onde as inserções introduzidas em parentesês rectos são de minha responsabilidade, complementando o que entendo ser a interpretação da argumentação original do autor.   


Walter Murch

  "Olá Roger,

 

  Eu li sua opinião sobre o "Green Hornet",

  e embora não tenha visto o filme, concordo

  com  seus comentários sobre 3D.

  A imagem 3D é escura, como menciona,

  e pequena. De alguma forma os óculos

  "reúnem-se com" a imagem - mesmo em uma

  tela Imax enorme -  e ao olhar-se sem óculos,

  a imagem aparece a meia distância.


  Eu editei um filme 3D na década de 1980,

  "Captain Eo", e apercebi-me que o movimento

  horizontal estroboscópico ocorre muito mais

  cedo em 3D do que em 2D. Isto era verdade

na época,e ainda é verdade agora. Tem algo a ver com a quantidade de energia do cérebro dedicada a estudar as bordas das coisas. Quanto mais conscientes estamos das bordas, mais depresa um efeito estrábico [desalinhamento/desfoque] salta à vista.


O maior problema com o 3D, porém, é a "convergência / foco" associada. Um par de outras questões , tal como a escuridão e a "pequenez", são pelo menos teoricamente solucionáveis. Mas o problema mais profundo é que o público deve focar seus olhos no plano da tela - que dizem estar à 80 metros de distância. A distância é constante e nada mais importa.
Mas o que os olhos vêm na tela [a realidade tridimensional que se tenta representar] deveria convergir em talvez 10 metros de distância, de 60 pés [18mt], 120 pés [36mt], e assim por diante, dependendo da ilusão pretendida. Assim, filmes em 3D nos obrigam a concentrar em uma distância [sempre fixa: a distância a que estamos colocados da tela/ecrã]  mas convergem para outra [a distância (profundidade) variável da realidade filmada]. E 600 milhões de anos de evolução nunca apresentaram esse problema antes [ao cérebro]. Todos os seres vivos colocam os olhos sempre, focados e convergentes, no mesmo ponto.



Se olharmos para o saleiro na mesa, perto de nós, vamos concentrar-nos em seis pés [182cm] e os nossos olhos convergem (tilt in) [movimento descendente] em seis pés. Imagine a base de um triângulo entre os olhos e o vértice do triângulo repousa sobre a coisa que está olhando. Mas, então, ao olhar pela janela e concentrar-se em 60 pés os olhos convergem também para 60 pés. O triângulo imaginário que tem agora "abriu" para que suas linhas de visão sejam quase - quase - paralelos uns aos outros.
Podemos fazer isso. Filmes em 3D não funcionariam se não pudéssemos fazê-lo. Mas é como que estar a bater na cabeça e esfregando seu estômago, ao mesmo tempo: difícil. Assim, o "CPU" do nosso cérebro perceptual tem trabalho duro extra, e é por isso que depois de mais ou menos 20 minutos muitas pessoas têm dores de cabeça. Elas estão fazendo algo para o qual em 600.000 mil anos de evolução não foram preparadas. Este é um problema profundo que nenhuma quantidade de ajustes técnicos pode corrigir. Nada vai corrigi-lo de repente na produção "holográfica" real de imagens.

Conseqüentemente, a edição de filmes em 3D não pode ser tão rápida quanto para filmes em 2D, devido a esta mudança de convergência: é preciso um número de milissegundos para o cérebro/olho "pegar" o que o espaço de cada "disparo" [plano/imagem] é, e ajustar.


E, por último, a questão da imersão. Filmes em 3D lembram ao público que eles estão em um relacionamento "perspectiva" certos para a imagem. É quase um truque brechtiano. Se a história do filme tem realmente agarrado uma audiência na ilusão de que eles estão "dentro" da imagem, em uma espécie de sonho no espaço "sem espaço", uma boa história vai dar-lhe mais dimensionalidade do que a assistência consegue realmente enfrentar.

Portanto: escuro, pequeno, estrábico, induzindo dor de cabeça, alienante. E caro. A pergunta é: quanto tempo vai levar as pessoas a perceberem e ficarem fartos?

 

Texto original | este post pode ser lido na continução/contradição de "A Transmissão Simbólica: Folheto N.º 8"


PC Jerónimo da Silva

por MrCosmos | link do post
Uma coisa é certa: o cosméticas soube graças à sua grafia dar arquitectura ao movimento.

É interessante ver a geminação entre dois pólos opostos sobre o ( ou a ? ) 3D.

Salvo erro, Roger Ebert nunca se opos à 3D. Creio que o que ele critica é a utilização e a exploração comercial da 3D.

Mas talvez Holioude ( lol ) tenha necessidade de não perder terreno no campo que lhe estava a fugir. Como se afirmar de novo no campo comercial ? Como lutar contra o cinema-casa ?

Não creio que a 3d provoque dores de cabeça. E também conheço quem após meia hora de leitura fique com dores de cabeça.

Entrar no estudo do funcionamento do cerebro é por definição dar um tiro nos pés.

O que é importante é perguntar porque é que Avatar em 2d ou em 3d provoca o mesmo questionamento antropológico ?

Penso, mas posso estar totalmente enganado, porque é que, pela primeira vez em França, um filme ( Harry Potter) está programado em 3d na sala omnisports de Bercy e não em todas as salas de França e Navarra ? Estreia a 12 de Julho.
Em si o acontecimento pode parecer anódino. Para nós é um ataque duma violência cultural enorme ( sou pacífico). Pela primeira vez na história do cinema Francês um filme com projeccão comercial não será dado em simultaneo em todas as cidades de França e Navarra.

Holioude chiquelete, Sarkozy e Barroso resumem tudo.

Nuno

PortoMaravilha a 4 de Julho de 2011 às 22:27
Pois, tens de nos apresentar esses questionamentos todos que o intelecto cinefilo cultural francês discerniu em Avatar, :-) porque eu alí não encontro nada mais do que um mau filme, muito mau mesmo, banhado de cliches, mas embrulhado e apresentado em explendor, com muito fogo de artifício (3D).

Estoira o foguete, fica o fumo, e as canas. ;-)
A mensagem de Avatar está muito melhor contada em inúmeros outros filmes...
É simples !

Vai ao que se escreveu no cosmeticas, quer quanto aos posts quer quanto aos comentários, no que diz respeito a Avatar?

Nuno

Eu conheço bem os teus post e opinião sobre Avatar. Mas acho que fazes uma leitura algo lírica do filme. Até podes ter razão no que expões aqui http://cosmeticas.org/44258.html . Podes!

Agora, Avatar não é cinema Europeu. É Holliwood puro e duro, no seu extremo. Quando eu assisto a cinema europeu encontro uma postura e modo narrativo que não encontro em Holliwood.
A leitura que fazes no filme, com razão de ser, provavelmente, passa para terceiro, quarto ou quinto plano. O Espectador comum maravilha-se com o fogo de artificio à volta do filme, que abafa a mensagem e o torna paupérrimo.
Eu acho, mas isso sou eu, que o espectador mais exigente sai no fim com um amargo de boca: "Tinha tudo para ser um bom filme mas foi espalhafato..."
Daí que não goste de Cameron. Avatar e Titanic não me convencem na apresentação do argumento. Convencem, claro, tecnicamente. Muito bem feitos.

Sobre o 3D, eu não concordo com o "caso encerrado".
Ao contrário do que Walter Murch diz, penso que tecnicamente é possivel corrigir a lacuna de "conflito cerebral" provocado pelo 3D. Como? Passando para o 4D, acrescentando ao comprimento X largula X altura do 3D a profundidade como quarta dimensão e não como virtual (actualmente). Compensar na tela a profundidade real dos planos, numa sincronização constante da tela com os padrões de convergência/foco do olho/cérebro.
Só que os filmes passarão a precisar de quê? 5, 6, 7 vezes mais de trabalho em pós- produção?
Olha já agora vou te progamar ume leitura lírica dum poema de Camões.

Agarra-te desde já, citando Lobo Antunes, às cuecas que vem aí a esquadra da nato (otan).

Nossa: É a primeira vez que me escrevem que tenho uma análise ou leitura lírica. Mas gostei é importante o diálogo.

É possível compartimentar a arte por continentes ou a arte é universal?

Mas eu também acredito que não se vêem as coisas da mesma maneira e que a leitura dum filme ou duma obra pode, em certa medida, ser influenciada a partir do meio em que se vive. Dois terços da população fr vive numa linha de 75 Kms em roda duma central nuclear. Muitas poucas sabem isto, exceptuando os fr. Talvez em parte este aspecto tenha dado a entender uma visão muito boa da critica fr. O problema da energia. Vou ver se arranjo uma critica dum prof de cinema, quanto a Avatar.

Grande Chefe Apache, apesar dos moults cachimbos de paz, sou incompetente no que diz respeito à elaboração física e química das imagens.

Por outro lado, parece-me que o que escreves é justo. A Arte não pode ser mercadoria. A arte quanto a mim não é compativel com a rentabilidade. Mas como não vivemos num mundo ideal, há também quem tente fazer com o que existe.

Quanto ao cérebro penso que a problemática, é outra. É que existem tanto cérebros como existem seres humanos. Mesmo os gémeos nascidos do mesmo ovo e logo geniticamente iguais tem um desenvolvimente cerebral diferente.

Mas no fundo talvez a arte seja a ousadia de tentar ser universal e de desafiar os Deuses.

Nuno
MrCosmos a 21 de Julho de 2011 às 23:01
Pela primeira vez na história do cinema Francês, a estreia dum filme ( H.Potter) não se deu em várias salas simultaneamente no país, mas num só local : O Palais Omnisports de Bercy. Sala cheia, cerca de 10 000 pessoas, e um bilhete a 25 euros, preço único.

Se um bilhete de cinema custa aproximadamente entre 4 e 9 euros, depende de quem tem cartão de assinante, estudante, desempregado, do dia ( às segundas e quartas é mais barato), etc., uma parte do bilhete é sempre dada, quer à sala quer à produção fr, para a realização e promoção de novos filmes.

Com a projecão de H Potter em Bercy foi uma ideia do cinema e sua difusão que foi abalada em França.

Tentar-se-á num futuro muito próximo eliminar os cinemas de bairro ( Paris é a cidade que mais cinemas tem no mundo ), pretextando que estes não oferecem qualidades técnicas,que não estão na ponta do progresso, etc., para melhor diminuir a diversidade da difusão da 7ª arte ? Não creio que seja um absurdo tal análise.

Criar-se-ão assim complexos altamente sofisticados que eliminarão a diversidade. Quando a directora dum cinema de Pointoise ( cerca de 300 mil hab) diz gosto deste filme. Vai ficar três meses. Que dê lucro ou não. Suponho que tais palavras devem insuportar os distribuidores.

Mudando um pouco de registro: O 3D em si não tem culpa de existir e de começar a ser explorado nas salas.

Pertence ao estado fr apoiar e subvencionar para se poderem modernizar as salas mais antigas.

Em 1945, o governo ianque impôe à França como condição de pagamento de dívida de guerra uma quota de filmes americanos. A França responderá não só criando o maior festival do mundo, como também apoiará os cinemas marginais. E talvez não seja um azar se o então ministro Francês da cultura e pai da festa da música escolherá um realizador pt M. de Oliveira, para levar à tela uma nova versão duma obra prima da literatura fr ( le soulier de satin). Diga-se de passagem que eu não aguentei as 7 horas do filme. Mas há quem diga que é uma obra prima. Pano para outras mangas como diz o Grande Chefe Apache

Recapitulando: Está-se pronto a que todas as salas de cinema tenham a mesma "operacionalidade" ou não?

Penso que a problemática é essa. E essa problemática é política ( no termo nobre da palavra).

Nuno





Recebi esta informação (publicada no Le Parisien de 21 de Julho): Na primeira semana, em cerca de 1000 salas, H. Potter teve 3,1 milhões de entradas, ultrapassando Avatar 2,6 milhões. Todavia, está-se longe do record historico do filme "Les Ct'tis" ( 3,8). Mais de 60% viram H.Potter em 3D

Nuno
PortoMaravilha a 23 de Julho de 2011 às 10:07
The event information that you have shared through your blog post is really awesome but I had wanted to read some more info, would you please share .
u100gt cube a 10 de Junho de 2014 às 07:21

foto perfil.jpg

pauloc.jeronimo@gmail.com

pesquisar
 
arquivos
2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

Controle de invasão ET
comentários recentes
Merci pour le partagehttp://boomlasers.alzawaia.co...
Hand ball is actually a nice game to watch. I firs...
Children are not good with lies. They doesnt know ...
Woww!!! I am glad you have shared this old picture...
Alors, dit-il,Au Revoir ! , dit-elle. Alexandre O'...
Jovem, apesoado, dotado, submisso, procura homem d...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
nice work, I can see your point, I can't agree wit...
.