Chamam-lhe música de intervenção.

"Parva que sou" - a nova música dos Deolinda, estreou no Coliseu do Porto há cerca de duas semanas, cumprindo o espectáculo mais duas repetições naquela sala, e outra no Coliseu de Lisboa.

 

A receptividade do público foi abismal, surpreendendo pelo visto os próprios artistas, que já anunciaram que estão a tratar da masterização do novo tema a fim de ficar disponível nos próximos dias para as rádios e público em geral, sendo que gravações amadoras da música extrapolaram de imediato para as redes sociais online.

Um "novo hino dos Deolinda", dizem, que reflecte as preocupações de uma geração.

Interessante: em vinte anos a questão evoluiu de "rasca" para ... "parva" (?).

Naquele tempo mostrava-se o cu. Hoje cada vez mais, "quem tem cu, tem medo".

 

Edit (14.02.2011): Nem à propósito, anuncia-se um toca à reunir e protestar, aqui.


 

"Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.

Que parva que eu sou!

Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.

Que parva que eu sou!

E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

 

Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?

Que parva que eu sou!

Filhos, marido, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.

Que parva que eu sou!

E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

 

Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.

Que parva que eu sou!

Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais

E parva não sou!

E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar..


--

Relacionado: Um Chá com um cheirinho de Fado, por favor !

por MrCosmos | link do post
És realmente um Grande chefe Apache !

Obrigadão pela dica vai me servir para a revista de imprensa.

Quanto ao facto de se ter estudos para ter um emprego é algo que diz respeito aos países ex -colonialistas que consideram o trabalho manual como um trabalho de escravo. Mas já seria um outro debate. É que há estudos e estudos. Enquanto um médico não pensar para bem da nação que não é mais que um mecánico...

Lá isso é !

Numa Bd que faz parte do mundo sagrado da Bd, um desenhador que utilizou várias máscaras, escreve que Jerónimo o Grande Chfe Apache sabia ler. Isto para grande surpresa dos ianqui.

LOL !

Nuno
PortoMaravilha a 5 de Fevereiro de 2011 às 21:21
Lendo os links, mas já tinha uma vaga ideia, acho que a geração rasca se suicidou por culpa própria. Lutar contra as propinas é um absurdo já que uma universidade não pode viver sem elas.

Já lutar pelo direito a bolsas, para os desfavorecidos, é outra coisa. E deste ponto de vista, a dinámica da compreensão do que é a sociedade é outra coisa.

Contudo, continuo a pensar que o reconhecimento dos títulos, o tratamento em Portugal é algo muito arquaico. E que este não permite à sociedade evoluir.

Sei um pouco do que falo : Aqui um médico é tratado por senhor mera e unicamente. Conheci alguns médicos pt que ficaram escandalizados por aqui serem apenas tratados por "Monsieur".

Mas isto é uma simples anedota.

Creio que existe ( ele é comum a todos os países ex-colonialistas ) em Portugal muitíssimo mais que nos outros países um grande desdém por tudo o que é ensino que não carrega consigo um título ( sr doutor, sr engenheiro...)

Curiosomente o que faz a força da Alemanha e da França é um ensino professional de qualidade onde a alternância é aconselhável : Uma semana na empresa, uma semana na escola ou instituto.

É claro que não é uma panaceia ! Mas permite evitar gerações iludidas !

Nuno
PortoMaravilha a 6 de Fevereiro de 2011 às 21:43
entao nuno como vais? ja posso ir no teu blog,agora estou equipado e vou me abituando no conputador.da nuticias quando quizeres.ve la se aranjas malta para mais aulas de portugues .ate mais tarde
Anónimo a 11 de Fevereiro de 2011 às 16:58
Olá Georges ! Bem vindo.

Parabéns pelo computador ( já não era sem tempo ) e parabéns pela escrita que está compreensível. Continua !

Até mais tarde.

Nuno
PortoMaravilha a 11 de Fevereiro de 2011 às 18:19
À propósito da inserção de um "edit" hoje no post: O movimento dissemina-se pelo facebook http://www.facebook.com/event.php?eid=180447445325625 , tem então origem na página citada http://geracaoenrascada.wordpress.com .

MrCosmos a 14 de Fevereiro de 2011 às 13:05
A palavra "maridos" no plural corresponde bem à letra ?

Ou é um efeito de sonoradidade quando se ouve a canção ?

Obrigado pela informação e ( ou não ) confirmação. É importante.

Desde já agradeço,

Nuno
PortoMaravilha a 22 de Fevereiro de 2011 às 21:49
Eu penso que sim.
Este género de observações emitidas no plural torna-as mais genéricas e abrangentes. Também mais abstracta: maridos = casamento; companheiro; união; família;
Algum sarcasmo à mistura também é de se considerar nestas situações (plurais).
Não te admires, é uma forma de expressão "culturalmente idiomática". Por ex: "Não tenho dinheiro para grandes vidas".

Parece-me que é esse o intuito da letra ao colocar propositadamente "maridos" no plural.
Não sou nenhum académico no assunto... apenas é a interpretação que faço, e que me parece que o ouvinte português rapidamente faz.

Ab.
PC

MrCosmos a 23 de Fevereiro de 2011 às 10:48
PS:
O vídeo do post é do espectáculo no Coliseu do Porto à 22/Janeiro. Neste video aqui http://www.youtube.com/watch?v=URMaWfaEgQ4 - que é do dia seguinte (23/Jan) no mesmo sítio, volta a ouvir-se "maridos".
Mas a tua dúvida tem bastante razão de ser... Também pode haver ali uma questão de ritmo e entoação, e a percepção (ou ilusão?) de plural ser resultado da junção das duas palavras seguidas no verso que resultem na entoação em: "Filhos, marido'Stou sempre a adiar..."

A letra não é oficial (presumo eu), aparece em vários sítios na web, e nesta parte aparece das duas maneiras: marido/maridos, conforme o sítio...
Portanto, não foi assim tão consensual para o ouvinte português - ao contrário do que podia dar a entender no final do meu comentário acima - quando escreveram a "letra de ouvido".

Não sei se ajudei ou confundi ainda mais :-). Eis uma duvida que só mesmo os interpretes podem esclarecer...
MrCosmos a 23 de Fevereiro de 2011 às 11:16
... e esclareceram!
Questionados, via mail, o guitarrista Pedro da Silva Martins respondeu que: "A palavra correcta é singular, "marido". "Filhos, marido, estou sempre a adiar".

Corrija-se portanto o texto. Obrigado ao Pedro.
MrCosmos a 23 de Fevereiro de 2011 às 13:19
Muitíssimo Obrigado !

Nuno
PortoMaravilha a 23 de Fevereiro de 2011 às 20:44

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